Educação, filosofia, geek, internet

Sci-Hub, as publicações acadêmicas, e aprendendo a citar

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Sci-hub foi uma das descobertas mais quentes que eu fiz este ano. Comentei no final do meu post sobre o Kindle, mas o assunto merece um post próprio. É um site de distribuição gratuita – “pirataria” – de artigos acadêmicos, que fez a alegria de estudantes e pesquisadores de todo mundo, que não podiam acessar artigos que precisavam pelo alto custo e burocracia. Mas antes, acho que convém falar o que exatamente é um artigo acadêmico e como funcionam as publicações e a divulgação científica… Neste post, também vou dar algumas dicas básicas para você que é estudante e precisa fazer citações no seu trabalho, aprenda a fazer bonito. E com o sci-hub, fontes não vão faltar…

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Educação, filosofia, história, Humano

Devo Fazer Um Curso de Humanas?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares, principalmente para adolescentes que estão fazendo o ensino médio. E se eu tivesse uma resposta perfeita, certeira para todo mundo, eu talvez tivesse um milhão de dólares. Acho que não chego a isto, mas posso desfazer algumas confusões das pessoas sobre cursos de humanas, não só para adolescentes que querem fazer seu primeiro curso superior, mas para profissionais que já se formaram em outra coisa e pensam em uma segunda graduação, que é meu caso.

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Educação, filosofia, sociedade

Todo Mundo Deveria Fazer Universidade?

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Acredito que não, o diploma de ensino superior é supervalorizado no Brasil, e para muita gente é perda de tempo e dinheiro. E olha que sou formado, e pretendo fazer outra faculdade ano que vem. Mas nem todo mundo é igual a mim (graças à Zeus).

Eu sei que muita gente poderia tirar grande proveito de um curso universitário, colaborando para a própria carreira e também com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, mas não podem fazer um curso superior por condições econômicas e sociais adversas, e isto realmente é uma lástima, é bom que estas pessoas tenham ajuda. Mas, ao mesmo tempo, sei que muita gente que não fez faculdade provavelmente nem deveria fazer.

Parece que ensino superior é uma coisa “obrigatória” em nossa cultura, as pessoas sentem-se compelidas, em vários círculos sociais, a fazer alguma faculdade, qualquer faculdade que seja, se já forem adultas e não tiverem feito. Se você fala pra alguém que não fez ensino superior, já olham na sua cara tentando adivinhar o que deu errado na sua vida. Se for mulher, vão achar que é porque engravidou na adolescência, se for homem, que era um vagabundo que vivia matando aula pra fumar maconha. Mas este preconceito é injusto e idiota (como a maioria dos preconceitos) e eu não penso que, à priori, tenha que acontecer algo “errado” na vida de uma pessoa para ela não fazer faculdade.

Pense que você é um menino que é bom de mecânica, aprendeu com o pai desde pequeno, fez até um curso técnico no ensino médio, e passou a ajudar o pai na oficina. Mas aí vem os parentes que vão dizer “não, mas você tem que fazer ADM pra tomar conta da oficina quando o pai se aposentar”, independente do pai saber muito bem administrar a própria oficina há décadas e ter passado isso pro filho também.

Aí o rapaz vai entrar numa UniDaEsquina qualquer, dessas instituições de ensino que anunciam cursos como se fosse financiamento de veículo, vai trabalhar o dia todo, e, estressado, à noite, ao invés de poder chegar em casa, jantar, e assistir TV tomando uma cerveja bem gelada, vai ter que ficar sentado na cadeira de uma sala abafada ao som do ventilador que só faz barulho mesmo e também ao som, ainda mais desagradável, do lerolero teórico inútil de algum sujeito qualquer que a faculdade chamou pra dar a matéria, e muitos desses só vão ficar passando e lendo apresentação de PowerPoint.

Claro que você poderia dizer “se tivesse estudado mais na escola, ele poderia ter entrado numa boa faculdade”, mas e se ele preferia trabalhar para ganhar uma grana, ou simplesmente não gostava de estudar? Merece o fogo do inferno por isso? Há pessoas que falam de um jeito que parece deixar subentendido que sim, que quem não gosta (muito) de estudar, e estudar matemática de preferência, é necessariamente inútil e merece a miséria. Discordo enfaticamente. Se simplesmente não ter diploma de ensino superior num país for algo que condene alguém a ser pobre, isto é um sinal de uma economia péssima, não “justiça divina” como alguns idiotas dizem. E nem acho que a sina seja esta no Brasil, não necessariamente. O mecânico faz uma atividade extremamente útil e necessária, assim como o barbeiro, o encanador, o cozinheiro, e tantos outros que não precisaram de diploma de ensino superior para fazer algo útil, e aprenderam mais com a experiência ou com cursos curtos e pragmáticos. Não seria melhor deixar eles relaxarem depois de um dia exaustivo de trabalho?

Aliás, ensino técnico é algo que deveria ser muito mais valorizado na educação brasileira, escolas técnicas não deveriam ser especiais, deveriam ser o padrão. As escolas dos EUA (e outros países desenvolvidos), ao contrário do que muitos pensam, não servem apenas para os alunos serem massacrados por maníacos armados, lá os alunos tem uma disciplina chamada “economia doméstica” que ensina coisas necessárias ao dia-a-dia, e aprendem a dirigir na escola mesmo, não tem a indústria da auto-escola.

Dei o exemplo do curso embusteiro de administração, mas existem muitos outros, e a indústria do diploma no Brasil parece ser sustentada por gente que vai estudar de má vontade e acaba  como um profissional medíocre e endividado. E os cursos de informática, sobre eles eu posso falar por experiência própria: Grande parte deles, em faculdades públicas e privadas, são pura enrolação, você vai concluir o curso (se não estudar muito por conta própria) com conhecimento “avançado” pra fazer um jogo da velha em Java e páginas HTML feias, e o que o mercado vai valorizar mesmo (além da experiência, claro) são certificações como as da Cisco, Microsoft, Oracle, LP 1 e 2 e etc. As faculdades valem mais pelo networking do que qualquer outra coisa.

Pra não dizerem que sofro de complexo de vira-lata, nos EUA também há uma indústria do diploma, ou, como eles chamam “diploma mill” (moinhos de diploma). Muitos são cursos por correspondência com demandas para lá de flexíveis para com os alunos, procurados por pessoas que querem grau superior apenas para ganhar uma promoção no trabalho sem fazer nada, e são completas falcatruas. Outras tentam atrair estudantes de boa fé, mas esses acabam descobrindo, tarde demais, que a tal universidade nem sequer é credenciada para conceder grau. Donald Trump foi dono de um desses moinhos de diploma, a Trump University, que a Justiça do estado de Nova York obrigou a tirar o University do nome. Recentemente, ele concordou em pagar 25 milhões de dólares para encerrar uma longa disputa judicial envolvendo a “universidade” fraudulenta. O sujeito tinha um exército de operadores de telemarketing treinados com uma detalhada retórica maliciosa (lembra Lobo de Wall Street?) para convencer pessoas a entrarem para a Trump University nem que tivessem que vender a própria mãe para pagar o curso, garantia de ficar rico que nem o Trump depois da formatura. Tão diferentes das nossas faculdades de esquina daqui?

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