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Sabbah

http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-e-vestibular/candidatos-sabatistas-ficam-ate-11-horas-trancados-para-fazer-enem-14439409


É ridículo o número de restrições desnecessárias às quais uma pessoa se sujeita só por acreditar em uma velha superstição idiota, por seguir uma interpretação específica de um livro escrito a cerca de dois milênios atrás por um povo do deserto que nem sabia da existência da América ou que a Terra era redonda. Religião causa incontáveis gastos desnecessários à sociedade, e este é apenas um pequeno exemplo.

Mas quer saber? Eu não sou contra o governo permitir que eles façam o Enem após ficarem voluntariamente encarcerados numa sala por horas sem fazer nada. Sim, eu sou ateu, mas também sou liberal. Quer sofrer à toa? Fique à vontade. Se você for meu amigo, eu vou tentar ao máximo convencê-lo do contrário, mas lógico que eu não tenho a mesma empatia com estranhos, que, de qualquer forma, dificilmente são convencidos de que estão errados. Os sabatistas, contanto que não isso não atrapalhe em nada os demais, que fiquem à vontade para tornar o dia do Enem mais difícil ainda para si mesmos.

Brinde pra vocês:

https://youtu.be/0lVdMbUx1_k

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Espeto de pau

Algo que eu julgo lamentável é ver o sujeito formado em história, ciências sociais e afins sendo católico, protestante, ou membro de qualquer grande religião organizada (não que as pequenas deixem de ser ruins). Quero dizer, você estudou o nascimento de uma mentira e estudou o tanto de mal que ela causou, e continua acreditando nela. Na verdade, um historiador conhece vários dos inúmeros movimentos religiosos que surgiram, e nos quais as pessoas acreditavam com igual fervor, como pode pensar “mas essa aqui é que é certa”? Todas, atuais e extintas, são igualmente pobres em evidência.

É igual a biólogo criacionista, médico que fuma, analista de sistema que cai em site de phishing, e por aí vai. You should know better.

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O Problema do Pessimismo e Da Misantropia

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muito tempo eu quero tratar deste problema. É claro que em um país
como
o Brasil,
passando por uma dura crise econômica, e que já foi ludibriado por
toda espécie de crápulas
cheios de “boas intenções” e “amor pelo povo”, é natural
que o pessimismo se dissemine. Mas isto não significa que estejamos
ficando mais sábios, ou mais exigentes.

O
fato é que pessimismo é um “bias”,
um viés, uma maneira corrompida de enxergar a realidade, seja sempre
enxergando o lado negativo de tudo (como uma Poliana ao contrário),
e dando mais peso a
este,
seja sempre fazendo previsões pessimistas sobre o futuro,
independente dos fatores em consideração. O pessimista descarta a
hipótese favorável instantaneamente, e, tanto quanto o otimista
bobo, corre o risco de estar errado. Fazer declarações pessimistas
sobre tudo virou uma das armas favoritas dos intelectualóides e
filósofos de boteco,
é uma das maneiras mais manjadas de se fazer de inteligente. Eu
suspeito que a série de TV House tenha colaborado para esta mania de
pensar que falar “humpf, até parece” te faz mais sabido. Alguns
dos maiores idiotas que eu já conheci tinham essa mania.

Se
todos são pessimistas, não há incentivo
para
melhorar nada na sociedade, pois ninguém vai admitir que algo
melhorou. O pessimista é incapaz de admitir que
algo
está
bom, que deveria ser admitido e reforçado. Por exemplo, quando algum
político corrupto é preso, o sabichão já vai dizendo
“humpf, daqui a pouco ele tá solto” sendo que o infeliz
provavelmente sequer leu uma única notícia inteira
sobre
o caso, e não entende porra nenhuma de direito, mas
já pensa que sabe tudo.

O
pessimista também frequentemente incorre na falácia do nirvana, que
é quando julgamos o valor de algo baseado num padrão idealizado
irreal, em
vez de
fazer uma comparação justa. Um exemplo muito claro disso é dizer
que nenhum político presta, segundo uma comparação com os
políticos de algum país nórdico como a Suécia (que, ao contrário
do Brasil, é um país de principiantes). Uma comparação sensata
entre Brasil e algum país latino-americano
seria melhor, como fez um canal do YouTube que eu assino,
o
Test Tube:
eles apontaram que a diferença principal entre nós e a Venezuela é
que ainda temos instituições firmes e um judiciário independente,
por isso mesmo o sucesso da operação Lava Jato. O
reflexo imediato de um pessimista é desprezar imediatamente esta
opinião sem nem mesmo refletir sobre ela.

Os
pessimistas também não dão valor aos números e estatísticas (é
tudo manipulado!). O cientista cognitivista Steven Pinker enfrentou
de peito aberto os pessimistas com seu livro Os Bons Anjos de Nossa
Natureza. Neste livro, ele explica
– munido
de documentos históricos, análises sociológicas acuradas, e muito,
mais muito número e gráfico
– como
na verdade a humanidade nunca foi tão pacífica quanto hoje em dia.
Mata-se menos, preza-se mais pela vida, no geral. Também melhorou
consideravelmente o trato que
as pessoas têm
umas pelas outras. Não faltou gente para chamar Pinker de farsante e
sua análise de “ingênua” simplesmente porque ela chega a uma
conclusão positiva.

Pinker
é um pesquisador sério, e ele jamais disse
que agora está tudo perfeito no mundo, ou sequer que a tendência de
pacificação é irreversível. Mas, como os pessimistas são
extremamente apegados à falácia do nirvana e se recusam a admitir o
valor de uma melhoria
parcial, resumem que tudo é uma farsa. Dizem que o fim da escravidão
é uma farsa, porque hoje em dia existe tráfico de pessoas, ou
porque as fábricas da China
têm péssimas condições de trabalho, análogas
à escravidão. É verdade. Só que o fato de um fenômeno antes
amplamente disseminado ter sido reduzido a uma prática
marginalizada, ilegal, e combatida por autoridades de todo mundo, é
algo que não se pode desprezar. Na
disciplina história também parece ter virado moda dizer que a independência
do Brasil foi uma farsa (claro, seria muito melhor ter continuado
colônia de Portugal)

Eu
também já fui muito pessimista, já votei nulo por padrão e
desprezei a espécie humana. Que é mais um engano, que aqui no
Brasil foi
alimentado pelos folhetins de Nelson
Rodrigues,
com sua obsessão
monótona pela traição. O ser humano nasce com faculdades boas
(“pró-sociais”)
e ruins (“antissociais”)
que podem ser desenvolvidas ou não, e só isso. Ser misantropo não
te faz inteligente. Tem um grupo de misantropos que eu apelidei de
“misantropos
de pelúcia”,
que nutrem um pensamento que é uma espécie de mistura amalucada de
Schopenhauer e Rousseau, típica
tia gorda do Facebook que fica postando notícia de tragédia
acompanhada de comentários de que o ser humano é podre, é um lixo,
e que só cachorro e criança que são puros e inocentes,
o resto podia morrer tudo.
Este tipo de comentário é idiota de todas as maneiras. Ah, e pode
apostar que esta tia gorda misantropa tem uma penca
de filhos, como se isso não fosse contraditório.

Outras
variações incluem o pessimista misantropo religioso, agarrado à
doentia noção bíblica de que o ser humano é ruim, pecaminosos
desde que nasceu, e um nada perto da perfeição do ser mitológico
chamado
Jesus
Cristo. O mais famoso pessimista religioso no Brasil é Luís Felipe
Pondé (prova
de que
dá pra ganhar dinheiro com isso). Tem também o ecochato que
internalizou o discurso do Agente Smith em Matrix, aquele que compara
o ser humano a
um
vírus do planeta, e que por isso toda atividade humana é abjeta e
devemos voltar às cavernas, e
sobreviver com o mínimo necessário para a subsistência biológica.
Eu estou perfeitamente ciente de que existe um lado inteligente e
científico do ambientalismo, mas não é destes ambientalistas
sérios
que
eu estou falando. Engraçado,
os ecochatos, assim como as tias loucas do Facebook e os religiosos, também
costumam ter filhos, como se isto não fosse hipocrisia.

Nem
todo misantropo é idiota ou está querendo pagar de santinho, e em
vários casos é compreensível
(ainda que não correto) ser assim, muitos misantropos são pessoas
amarguradas que sofreram diversas decepções na vida (meu caso). O
caso do próprio Schopenhauer parece ser o mesmo. Lendo, por exemplo,
Estudos
do Pessimismo (uma
seleção de ensaios retirados da obra “Parerga e Paralipomena”),
não precisa ser especialista para notar que se trata de uma pessoa
com depressão (doença incurável em sua época), mas muito
inteligente, racionalizando seus sentimentos. Pegue como
exemplo
o
primeiro
parágrafo: “A
não ser que sofrimento seja o objeto
direto e imediato da vida, nossa existência deve falhar inteiramente
em suas metas. É absurdo ver as enormes quantidades de dor que
abundam em todo lugar do mundo, e originam de necessidades
inseparáveis da vida em si, como não servindo a nenhum propósito …
mas o infortúnio em geral é a regra da vida.” Digo,
não como filósofo, mas como paciente de depressão clínica
que só recentemente melhorou, que este é precisamente o tipo de
pensamento que decorre da incapacidade de sentir prazer com qualquer
coisa e
mesmo de sentir vontade
(a ponto de julgar o prazer uma mera satisfação de necessidades, e que dor e sofrimento são a regra). O
fato de depressão também minar as suas relações interpessoais (já
perdi amigos, namorada, muita coisa) colabora e muito para uma visão
negativa da humanidade em geral.

Verdade
seja dita, os misantropos têm muitas ideias acertadas, e veem muitas
coisas que as “pessoas normais” (seja o que for essa joça) não
veem. São especialmente sensíveis aos vícios com os quais a
sociedade já se acostumou. Meu misantropo sério favorito é o
escritor egípcio Alaa Al Aswany. Deste
senhor, e em especial sua coletânea de contos “E Nós Cobrimos
Seus Olhos”, eu
tratarei em um post à parte.
Mas o fato de podermos tirar algumas coisas verdadeiras do que dizem
os misantropos não significa que esta não seja uma visão de mundo
distorcida e que não leva a nada. Uma visão de mundo que, eu quero
frisar, provem de uma doença. Nunca é demais lembrar
que depressão é doença séria e se trata com remédios. Dizer a um
deprimido que tomar remédios é bobagem e sugerir terapias
alternativas é o mesmo que dizer a um diabético para este abandonar
a insulina.

No
geral, o pessimismo cego (seja em relação à humanidade –
misantropia – ou outras coisas) é venenoso, socialmente falando,
e, ao contrário do que se pensa, não leva as pessoas a serem mais
conscientes. Não leva as pessoas a tomarem decisões melhores:
Quando você é pessimista, você já decidiu que nem existem
decisões melhores. Este ano, eu já decidi que vou votar em alguém
para prefeito em minha cidade, alguém que não é de nenhum grande
partido, um
independente, e
que eu julguei estar realmente capaz
e
com
vontade de fazer
uma administração decente. Sim, eu posso quebrar a cara depois, se
o cara não prestar,
mas ainda assim, acho melhor votar em alguém decente (não perfeito,
decente) do que decidir-me que qualquer coisa serve.

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Amo de coração o periódico Charlie Hebdo. E olhe que não sou de esquerda, muito pelo contrário. Mas sou radicalmente anti-religioso. Todas as religiões são ruins. Mas a pior delas sem dúvida alguma é o Islã. O Charlie faz parte da ala dos “liberals” que tem cabeça, que sabe reconhecer uma ameaça e tratá-la como tal, e já foi vítima direta dela e, sendo assim, não pode se vender para o espetáculo ridículo do multiculturalismo, essa mania de achar que temos de respeitar até ss culturas mais grotescas. Neste editorial eles derrubaram o mito de que a maioria dos muçulmanos é inofensiva. Não há como ser inofensivo sendo mantenedor de uma cultura corrosiva. Liberais que defendem o Islã são como crianças que entram na jaula pra fazer cócegas no focinho do leão.

Charlie e o Islã

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Um apelo à comunidade LGBT, não percam tempo com religiosos

Recentemente houve uma polêmica acerca de um pastor de uma igreja que colocou placas com dizeres preconceituosos na fachada. 

Sim, lógico que é uma estupidez, mas o que eu quero dizer aos gays e etc., que eu respeito muito, é que façam como eu fiz com relação à polêmica de Patrícia Abravanel e os ateus e não percam tempo debatendo com quem não merece. Nada de útil surgirá desta briga, que já chegou à Justiça, o Ministério Público está movendo uma ação contra esta igreja, e se conseguirem obrigá-la a tirar a placa, o pastor só vai se aproveitar da situação para se fazer de vítima (ou melhor, de mártir), dizer que está sofrendo “cristofobia”, e pedir pros fiéis doarem mais.

Meus caros, cristianismo é uma doutrina que surgiu no deserto no começo do primeiro milênio da era comum, e está de acordo com a mentalidade do povo e da época. Além de se basear na crença em fatos inverídicos, inverificáveis, ilógicos, quando não impossíveis, algo que por si já o torna indefensável, o cristianismo falhou miseravelmente como código moral. A sabedoria dos fundadores da bíblia em questões humanas era tão parca quanto seu conhecimento sobre o universo. Note que durante todo o período que a Igreja Católica exercia poder no ocidente, ela consentiu e participou ativamente em todo tipo de atrocidades, promoveu guerras, torturou sem piedade, submeteu as pessoas ao medo e à vergonha de coisas inofensivas, não permitiu opiniões destoantes, atormentou a mente dos homens com o medo do inferno na além-vida e fez questão de tornar a vida no aqui e agora infernal.
O protestantismo não foi muito melhor, e também promoveu matanças em nome da fé, como foi o caso do enforcamento das “bruxas” em Salém. Falando em protestantismo, um dos massacres mais marcantes da história ocidental, a noite de São Bartolomeu, foi diretamente motivado por discrepâncias entre dois grupos religiosos. Pessoas se matando porque não concordavam na melhor maneira de agradar seu amigo imaginário, colocando de uma maneira simples, mas não errônea. E isto era o cristianismo na época que ele era mais pleno, o cristianismo de raiz, sem influência de outros valores. Nesta mesma época, a Igreja aquiesceu com a escravidão, seus teólogos decidiram que índios tinham alma, mas negros não, uma interpretação para lá de conveniente. Afinal, a bíblia não condena escravidão. Passagens que prescrevem a execução de bruxas e a morte de infiéis também existem, e não foi tão difícil para os teólogos arrumarem desculpas para ignorar o mandamento de não matar.

Grande parte da ética comum de hoje em dia é secular, isto incluem valores que os cristãos gostam de chamar de seus, isto surgiu num contexto de iluminismo, por pensadores que foram os pioneiros em fazer uma ética independente de religião, uma ética pensando no bem do homem, não no agrado a uma entidade imaginária.

As religiões, por sua própria natureza (ser baseada em dogma) são muito difíceis de mudar, especialmente as mais tradicionais, os três grandes monoteísmos. Nem por pressão do governo nem por pressão popular elas vão deixar de ser homofóbicas, ainda que a homofobia seja irracional, pelo menos não por muito, mas muito tempo. A igreja já manteve muitas outras irracionalidades por muito tempo. A visão deles de família tradicional é imune à mudança dos tempos, porque eles acreditam em valores eternos e imutáveis, afinal, eles acreditam provir do próprio criador do universo.

Eu sinceramente acho bom que religiosos expressem publicamente seu ódio à comunidade gay, assim podem lembrar à sociedade o quão ruim é a religião, põe suas garras. E acho que os gays deveriam desistir de combater o preconceito na religião, por ser uma batalha sem fim, e combater a própria religião, além de se afastar delas, ou pelo menos daquelas que os consideram repugnantes pela sua orientação sexual. Lembrando que isto não significa ser violento com os fiéis dessa religião, o que eu sempre defendo e sempre vou defender é o combate de ideias com ideias, não de pessoas, pelo menos não pelo simples fato de pertencerem a uma religião. Os religiosos que combatam entre si com balas e bombas, eu combato ideias erradas com palavras, e acho que a comunidade gay deveria fazer o mesmo, com palavras, e também não com processos.

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Vamos usar a palavra Ateu

Sem eufemismos, porque não são necessários. Ateu é um termo perfeitamente bom para designar uma pessoa que não acredita em deuses, não é motivo para se envergonhar, nem é indicativo de inteligência superior, é apenas o que parece.

Digo isso porque vejo muitos ateus com vergonha de usar o termo. Quando perguntados sobre sua crença, logo pulam para malabarismos linguísticos, vão dizendo “veja bem, eu não tenho certeza sobre dogmas, mas acho que existe algum tipo de força…”, ou ainda “eu tenho uma espiritualidade”, e tem o agnóstico.

Existe no Brasil uma mentalidade de que dizer que não se acredita em deus é coisa feia, arrogância, quando não falha de caráter. É claro que isto tudo é besteira. Eu mesmo já conheci ateus que são muito meus amigos, e outros que eu não suporto nem olhar na cara. Tanto Marx quanto Ayn Rand eram ateus convictos, assim como Freud e Skinner, fundadores de duas escolas de psicologia radicalmente diferentes. Não existe perfil psicológico de um ateu. mas os ateus de certa forma internalizaram este discurso de que você é obrigado a acreditar em alguma coisa, e não acreditar é uma espécie de defeito. E tem o problema de ser considerado impolido dizer que a outra pessoa está errada, o que está implícito na frase “eu sou ateu”, quando dita a um religioso, por isto muitas pessoas acham mais polido colocar em outros termos. Eu dispenso este tipo de cortesia, até porque outros grupos não tem problema com ela. Os vegetarianos não tem problema nenhum em dizer que são vegetarianos, ainda que nesta autoafirmação esteja implícita a declaração “eu sou mais ético do que você”, ainda assim ninguém parece estar ofendido com isso. Então não, eu absolutamente não tenho problema em afirmar que outra pessoa está errada.

E não tem problema nenhum afirmar que algo cuja existência é absolutamente improvável não existe, não é questão de arrogância, é questão de bom senso, e eu ainda acho que a grande maioria dos agnósticos, no fundo, são ateus que precisam de um empurrãozinho para saírem do armário, o que estou tentando fazer neste post. Só faria sentido você ser realmente agnóstico se você achasse que a chance de um ou mais deuses existirem é igual à chance deles não existirem, 50/50 ou quase, e se fosse o caso, você tomaria algum tipo de precaução em agradar tal deidade que pode existir. Mas os agnósticos que eu já conheci vivem sob a hipótese de que não existem quaisquer deuses, e isto absolutamente não interfere em sua noção de realidade ou em seus hábitos.

O filósofo Russel expôs a falha do agnosticismo brilhantemente com a metáfora do bule celeste, um objeto que supostamente orbita entre a Terra e Marte, mas que é muito pequeno para ser visto por nossos telescópios, por isso, segundo a lógica do agnosticismo, não poderíamos falar que o bule não existe. Mas é claro que podemos dizer que não existe, porque quando algo extraordinário não tem provas de que exista, nós não acreditamos até que surjam provas suficientes.

Ainda que os religiosos critiquem a posição cética, eles mesmos usam deste raciocínio em seu cotidiano, só fazem uma exceção para um grupo de afirmações absurdas, mas muitos deles não vão acreditar imediatamente em promessas de investimentos milagrosos (invista dez mil reais neste negócio e nunca mais tenha que trabalhar o resto da vida!) ou dietas sem esforço e etc. Isso sem falar que todo religioso é cético quanto a outras religiões.

Infelizmente, ainda é considerado feio ser ateu. Isto só vai mudar quando mais pessoas começarem a usar a palavra sem ambiguidades desnecessárias. Eu não estou pedindo para ninguém ser chato, para falar desse assunto o tempo todo ou para declarar seu ateísmo com megafone na praça. Se alguém te perguntar, diga apenas “sou ateu”, se ela questionar, explique. Isto basta.

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Qualquer Ideia Pode Ser Distorcida?

Resposta curta: Sim.

Resposta longa: Primeiro, assista este vídeo.

O que você vê no vídeo é um típico caso de um “cidadão soberano” enfrentando um policial de trânsito. Cidadãos soberanos são pessoas que se declararam isentas da lei do país em que estão porque, pela sua interpretação, a lei e possivelmente o próprio governo é inválido, ou eles não se declararam sob a jurisdição do governo. É uma espécie de moda nos países de língua inglesa.

Para fazer tal feito, eles se municiam de longos e confusos “tratados” em que invocam algum pormenor, algum detalhe, alguma vírgula que seja de algum código legal que eles interpretam como significando que não precisam seguir a lei. Variações incluem dizer (nos EUA) que nada além da constituição vale, ou seja, toda lei que foi escrita depois, inclusive as emendas constitucionais, são fraudes, ou argumentar que o contrato social não pode ser aplicado a quem não voluntariamente se sujeitou a ele. Eles acreditam piamente que dizer certas palavras, ou deixar de dizer certas palavras, ou entregá-las por escrito à uma autoridade os tornará imunes à lei. É a versão burocrática de um encantamento mágico.

Então sim, mesmo um texto extremamente claro, pensado cuidadosamente de forma a não deixar nenhuma brecha para que possa ser desvirtuado, como é o caso da maioria das leis dos países democráticos (pelo menos as leis importantes) pode ser interpretado criativamente para chegar à uma conclusão absurda e obter o efeito desejado, e frequentemente é. O que não significa que a interpretação é válida. Aliás, o número de pessoas que conseguiram ganhar um caso na justiça declarando-se cidadão soberano é exatamente zero.

Este fato, de que qualquer ideia pode ser distorcida, costuma ser usado por apologistas do Islã, ou de qualquer religião na verdade, para dizer que a religião em questão não tem culpa se as pessoas a desvirtuam. Alto lá.

Em primeiro lugar, se o próprio texto sagrado daquela religião, o cânone, endossa os atos de violência que o “radical” (na verdade, seria mais honesto dizer “literalista”) cometeu, então podemos sim dizer que sim a religião é perigosa e sim que ela foi uma causa relevante para aquele crime, mesmo que não seja a única. Se o próprio fundador daquela religião frequentemente cometia os atos que hoje consideramos criminosos, também fica complicado, como é o caso de Maomé.

Se a única coisa que pode ser usada para deter um fiel daquela religião de cometer atos como assassinato é algo externo ao cânone, então a religião em si não é defensável, o máximo que você pode dizer é que “não tem problema se você ignorar da página 1 a 250″. É mais ou menos a defesa que os cristãos fazem da bíblia, quando indagados sobre as diversas passagem que abertamente encorajam a escravidão, a violência contra mulheres, a morte de homossexuais, e tudo o mais que se encontra, em especial, no velho testamento. Normalmente a defesa é alguma variação de “O Novo Testamento foi um mea culpa de Deus” ou “Deus acordou de mau-humor naquele dia”.

O caso do Corão é ainda mais complicado, porque os trechos que incitam o ódio a não muçulmanos (em especial judeus), a matança, o estupro e tudo mais estão polvilhados por todo o texto, de forma extremamente explícita. O Corão (e o Hadith, que também faz parte do cânone) não é tão vago quanto a Bíblia, é uma religião muito mais literal, sempre foi ao longo da história, por isso mesmo há tantos muçulmanos que se abstêm de álcool enquanto tão poucos cristãos fazem o mesmo.

Também é uma péssima defesa dizer que “depende da sua interpretação”, o que se ouve muito também no caso da bíblia e suas muitas metáforas, simbologias e “mistérios”. Meu caro, um texto completamente vago, cuja interpretação é 100% subjetiva, e que não dá nem para dizer se uma está mais certa do que outra, é completamente inútil como guia ético, político, como guia de qualquer coisa na verdade. Se você está usando “algo externo” como parâmetro para decidir o que vale e o que não vale, é este “algo externo” que deveria ser a sua bússola moral. Discutir o que Jesus quis dizer em alguma passagem na Bíblia é exatamente como discutir quem ganharia numa luta do Batman contra Darth Vader.

Mas enquanto um cristão ainda pode convenientemente jogar a carta do “não valeu” ou “você não pode tomar a coisa ao pé da letra”, não há muita coisa que um muçulmano moderado possa dizer a um radical  para convencê-lo de que está agindo errado, não enquanto os dois forem obrigados a concordarem que a palavra de Maomé é absoluta. Então, o cristão moderado é mais ou menos como um advogado astuto procurando brechas na lei para defender seu (obviamente culpado) cliente. Os moderados islâmicos estão no patamar dos cidadãos soberanos.

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