filosofia

Tecnofobia

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Detesto profundamente tecnofobia e tecnofóbicos. Tecnologia é fantástica, em especial aquela que é prática, barata e e eficiente: Você gasta menos tempo com o que não é importante e dedica mais tempo ao que é importante, seja para lazer ou produtividade. Se nos anos 90, década da minha infância, alguém dissesse que no futuro seria possível fazer videochamadas, até mesmo na rua, com um aparelho portátil, a lá Os Jetsons, o prognóstico logo seria ridicularizado como um sonho fantasioso, no máximo um luxo para milionários, pensariam. Surpresa: Hoje isto acontece, e está acessível a grande parte da população; se não na rua – devido às velocidades altas e preços baixos do 4g – no wi-fi não é difícil. Mas parece que todo mundo vê isto como totalmente supérfluo. Que triste.

Ok, eu sou obrigado a admitir que nem tudo que é “tecnológico” é bom ou útil, e que videochamadas não são imprescindíveis no cotidiano, apesar de serem legais. Mas por que esta fixação com papel?! Voltando aos anos 90, se dissessem ao Anomalouzinho que no futuro ele poderia usar notebook para fazer anotações de aula, ele acharia isto formidável e acreditaria, mas não acreditaria se dissessem que ele seria único da sala a fazer anotações num notebook não por ser o único que tem, mas porque os outros preferem papel. Adivinha só…

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filosofia, Política

Marielle Franco

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz. Mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las” – Voltaire

Tenho algumas palavras a dizer sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro. É verdade que não tenho absolutamente nenhuma simpatia por sua linha ideológica, seu partido ou suas ações na política, considero-os uma força retrógrada para o rumo político do Brasil. Mas nada disso tem importância a partir do momento que ela foi assassinada. E mais: Foi assassinada pouco depois de fazer um comentário justo criticando a ação abusiva de policiais no Rio de Janeiro. Na verdade, nem sequer interessa se o comentário foi justo ou não. Ser a favor da liberdade de expressão significa ser a favor de qualquer um falar o que quiser – por mais errado que seja – sem ter de pagar com a vida. Palavras devem ser combatidas com palavras, não com balas. Este crime foi também um crime contra a liberdade de expressão, independente da vítima ter sido ou não uma figura da política. Mas este detalhe também tem uma implicação importante.

Não adianta fingir que o assassinato de um vereador é igual a qualquer outro assassinato, fingir que não é mais digno de nota que o de qualquer outra pessoa. E quero frisar, abomino o PSOL e seus partidários da esquerda pós-modernista, que trabalham para transformar o Brasil na próxima Venezuela. Mas a preocupação não é com eles, e sim com a democracia como um todo. Podemos e devemos combatê-los da maneira certa, civilizadamente, não com sangue. Custou muito para se remover o derramamento de sangue da política. A democracia representativa moderna, do estado democrático de direito, com todas as suas mazelas, ainda é melhor que todas as alternativas. A Modernidade não é uma garantia eterna. Atos primitivos, tais como assassinato político, são algo digno de sociedades retrógradas, como as do oriente médio, que ainda não teve seu iluminismo; e se começarem a se tornar comuns, facilmente ficamos iguais a eles.

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filosofia, Humano, Política, sociedade

Um Manifesto Contra os Inimigos da Modernidade – Parte 1

Título Original: A Manifesto Against the Enemies of Modernity
Autores: James A. Lindsay e Helen Pluckrose, para a Areo Magazine
Texto original:
https://areomagazine.com/2017/08/22/a-manifesto-against-the-enemies-of-modernity/

Tradução por c0Anomalous, autorizada pelo editor chefe da Areo Magazine, Malhar Mali. Revisão: Mayumi Busi.

Um agradecimento especial a Malhar Mali pela atenção e autorização, e à minha amiga Mayumi Busi, estudante de ciências sociais, que revisou a tradução.

Esforcei-me para ser o mais preciso possível, conservando quase integralmente a escolha dos autores quanto a aspas, parênteses, itálicos, e maiúsculas para certos termos; fazendo o mínimo necessário de ajustes para a sintaxe portuguesa. Coloquei entre parênteses o termo original quando não encontrei uma tradução exata, e Mayumi ajudou a alisar as arestas. Se ainda assim houver erros, por favor, não deixe de aponta-los nos comentários. Segunda parte em breve.

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filosofia, história, Humano, Política, Sem categoria, sociedade

Um Manifesto Contra os Inimigos da Modernidade

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LEMONNIER, Anicet-Charles-Gabriel (1812): “No salão da madame Geoffrin em 1755”.

https://areomagazine.com/2017/08/22/a-manifesto-against-the-enemies-of-modernity/

Um dos ensaios mais inspiradores que li em 2017, recomendo a todos que também gostam do mundo moderno. E acredite: Você gosta, mesmo que não tenha nem pensado nisto. Ela trouxe muito mais do que conforto e luxos, e beneficiou muito mais do que os mais ricos. E você certamente não deseja sua destruição. Nosso mundo tem problemas, muitos. Mas estes problemas só serão resolvidos ou diminuídos com mais ciência, política mais democrática e eficiente, mais liberdade individual e mais liberdade de mercado, não com menos. Não tenho qualquer plano mirabolante de como resolvê-los, não sei como exatamente criar um mundo melhor, e ninguém tem. Mas certamente não será fazendo-o mais ignorante, pobre e autoritário. Infelizmente, muitos sabotadores estão tentando destruir aquilo que foi tão demorado e custoso para a humanidade construir. Estou falando dos conservadores – reacionários – teocratas da direita, iludidos por sua idílica imagem de um passado áureo em que tudo era perfeito, bem como dos esquerdistas pós-modernos que acham que o modernismo falhou e estamos vivendo sua ressaca. Nenhuma dessas ideologias trará nada de bom ao nosso mundo.

Os autores elaboraram um sumário em itens com as ideias centrais do ensaio, que traduzi. Leia abaixo. Caso haja interesse, posso traduzir o texto na íntegra, e ficaria feliz de fazê-lo.

  • A Modernidade, em termos das visões e valores que nos trouxeram fora do feudalismo do período Medieval e nos levaram à relativa riqueza e conforto de que que gozamos hoje (e que está rapidamente se espalhando pelo mundo), está sob ameaça de extremos em ambos os lados do espectro político.
  • Vale à pena lutar pela modernidade se você desfruta e deseja que outros desfrutem dos benefícios de uma existência de primeiro mundo em relativa segurança, e com os altos níveis de liberdade individual que pode se expressar em sociedades funcionais.
  • A maioria das pessoas apoiam a Modernidade e desejam que seus inimigos antimodernos se calem.
  • Os inimigos da Modernidade atualmente formam duas facções discordantes – os pós-modernos à esquerda e os pré-modernos à direita – e no geral representam duas visões ideológicas para rejeitar a Modernidade e os bons frutos do Iluminismo, razão, democracia republicana, Estado de Direito, e o mais próximo do que podemos alegar ser progresso moral objetivo.
  • Parceria esquerda-direita é a ferramenta pela qual eles condenam a Modernidade e continuamente radicalizam simpatizantes para escolher entre duas facções beligerantes de anti-modernismo: Pós-modernismo e pré-modernismo.
  • Uma posição centrista “Novo Centro” é bem-intencionada, representa a política da maioria da população, e não se sustenta. Ela é naturalmente instável e reforça o próprio pensamento que perpetua nosso atual estado do que chamamos pelo termo polarização existencial.
  • Aqueles que apoiam a Modernidade devem apoiar destemidamente e sem referência a diferenças partidárias menores espalhadas pela divisa “liberal/conservador”. A luta perante nós é maior que isto, e os extremos em ambos os lados estão dominando o espectro político usual, para o mal de todos.
  • Pode-se lutar pela Modernidade, e isto é provavelmente o que você já deseja, a não ser que esteja nos grupos periféricos de lunáticos à esquerda ou à
    direita.
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