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Ebooks e Kindle: Opinião e Dicas de Uso

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Adoro livros digitais! Sou verdadeiramente viciado neles, adoro ler de tudo em meu Kindle. Tive um Paperwhite por muitos anos, que só recentemente troquei pelo meu Voyage atual, que você vê na foto, o antigo dei para minha mãe.

O público leitor é provavelmente o mais tradicionalista, em questão de consumo de mídia. Os leitores são os que mais fazem questão da mídia física. Dentre as pessoas que gostam de música, só um pequeno nicho é fã de vinis e CDs, a maioria dos ouvintes sempre ouviu música sem fazer a menor ideia de quais tecnologias estavam por trás das ondas sonoras, ouviam no rádio sem se importar se no estúdio a música estava gravada em vinil ou cassete. Com a digitalização do cinema, as locadoras entraram em extinção, e o filme acabou anacrônico, uma vez que as salas de cinema estão usando projetores digitais com filmes gravados em um servidor na sala de projeção, e ninguém ligou pra isso. Mas os livros são outra coisa, o papel é muito estimado. Os leitores dão muito valor às características físicas físicas do objeto que guarda a obra. Todo mundo julga o livro pela capa quando anda entre as prateleiras da livraria. A capa, a textura do papel, a fonte usada para o texto… Os biblófilos torcem o nariz para os ebooks, acham que isto é coisa de leitores casuais que só leem trivialidades, não de quem quer ler coisa séria e entender o texto com profundidade.  Apesar deste preciosismo, os ebooks são populares.

Como é prático! Eu já fiz um post recentemente sobre o livro da minha vida, Os Bons Anjos de Nossa Natureza. E sério, teria sido uma merda ler um livro de mais de 800 páginas na cama com uma lanterna. E como eu compreendo perfeitamente bem o inglês, dou preferência a ler as coisas no original, sempre que posso. É extremamente caro e demorado importar livros de papel do exterior. Com o Kindle, no entanto, compro e o livro é baixado em segundos para o meu aparelho, e por um preço similar, ou até mais barato, do que eu compraria no Brasil. Mesmo que você só queira livros em português, é melhor que ir à livraria só pra comprar o livro, ou encomendar da internet. E também dá pra fazer anotações e grifos sem sujeira. Nunca gostei de fazer isso nos livros por causa da sujeita, mas no Kindle e outros leitores de ebooks, eles são simplesmente arquivos anexos, que ficam salvos na nuvem, e podem ser vistos em outros dispositivos sincronizados. Já escrevi muitos posts aqui abrindo e consultando o programa do Kindle no Windows, com as anotações que fiz no aparelho dedicado.

Outra vantagem é ler definições de palavras durante a leitura na tela do próprio aparelho, sem ter que parar para olhar no celular ou computador e se distrair. Além de consultar a Wikipédia, você pode usar um dicionário. A Amazon oferece dicionários gratuitos, de definições e traduções. O dicionário Priberian português-inglês eu achei bem fraquinho, investi no dicionário Porto, que é melhor. E sem falar de poder carregar toda a sua biblioteca em um aparelho levíssimo, e escolher qualquer um que quiser ler quando estiver fora de casa, o que der na telha.

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ética, filosofia, história, Humano, Política, sociedade

Steven Pinker: Os Anjos Bons da Nossa Natureza

 

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Estamos vivendo tempos tumultuosos, bárbaros, ao menos em relação com o que nos permitimos acostumar no passado recente. Mais um atentado terrorista na Europa, como de costume uma cortesia da “religião da paz”, e dessa vez na Inglaterra. No Brasil, a nauseante sucessão de reviravoltas da crise política culminou em manifestantes comunistas fazendo protestos truculentos em Brasília, pagos por entidades sindicais, depredando ministérios e até mesmo iniciando incêndios, para reclamar depois que a polícia não foi suficientemente delicada. Reacionários idiotas pedem um novo golpe militar, e a CUT trata de providenciar justificativas. É, as pessoas estão perdendo as estribeiras. A violência está voltando à política de nosso país. Para quem quiser manter a sanidade nestes tempos de barbárie e tentar ver algum sentido, resta estudar, e procurar os autores sensatos. Não, o problema no mundo não é falta de amor: Falta no mundo inteligência, falta razão.

O que não falta ao cientista cognitivo norte-americano Steven Pinker, que em 2011 lançou  Os Anjos Bons da Nossa Natureza: Como a violência diminuiu. Este é o livro da minha vida. O deleite que tive ao ler as páginas de Pinker, com seu estilo denso, detalhado e preciso, mas tão claro quanto possível, me auxiliaram tremendamente a lidar com uma das piores e mais longas crises depressivas de minha vida. Os Bons Anjos reacendeu meu interesse por história, que eventualmente me levou a cursar uma faculdade de história na qual estou, reacendeu também meu gosto pela leitura (praticamente todos os meus gostos estavam mortos quando estava nesse período), não só a ler mais do mesmo autor, mas de outros que escrevem assuntos correlatos. E não seria exagero dizer, Pinker ajudou a moldar meu caráter, mesmo bem depois da maioridade, suas análises desafiaram minhas noções de ética e meu entendimento de mundo, é o tipo de autor que força você a fazer uma reavaliação dos conceitos.

O título é ousado pois a opinião comum é que o mundo nunca esteve tão violento. Balela. “Tempos áureos” é uma ilusão. As chances de qualquer pessoa em qualquer lugar no mundo sofrer uma morte violenta ou sofrer qualquer tipo de violência – como um roubo, um estupro, ser torturado e executado por pequenos crimes ou recrutado para lutar numa guerra – aumenta quanto mais se volta tempo, assim como também é notável que a sociedade era menos sensível à violência e pouco prezava pela paz.

Claro que Pinker foi acusado de ser uma Poliana, ingenuamente otimista, de ver a atualidade de um jeito muito pink (desculpe, não resisti ao trocadilho), de achar que paz equivale a shoppings com ar condicionado… E pode ter certeza que a grande maioria destes críticos não leram o livro, ou leram sem fazer o menor esforço de entender. Criticar é válido, sempre, mas não com total ignorância do que se está falando.

Pinker não é um “positivista”, que acredita num rumo comum que todas as civilizações seguem, um progresso rumo à paz que seria tão inevitável quanto a entropia do universo. Pelo contrário: Sua análise retrata a paz com um fruto conquistado às duras penas pela civilização. Custou um tanto de sorte. E apesar do mundo, como um todo, estar bem menos violento do que no passado, mesmo em relação a 100 anos antes, não é de maneira alguma homogeneamente pacífico, óbvio, e nem é esta tendência irreversível. Nós temos, sim, motivos para temer com revezes como os dessas últimas semanas. Mas não para nos desesperar.

As análises sociológicas de Pinker são embasadas por rigorosos estudos estatísticos, valendo-se de dados sobre homicídios no mundo todo de séculos atrás, elaborando sua teoria também com base em relatos históricos, da literatura, de achados da arqueologia… Ele não dá ponto sem nó. Ao contrário do que outros críticos disseram, fazendo a imortal falácia ad-hominem, Pinker não acha que o mundo se restringe ao seu confortável ambiente acadêmico norte-americano,  ele não ignorou ou menosprezou a violência nos países em desenvolvimento, mas procurou entender o que deu errado neles e o que poderia ser feito para melhorar.

Não se preocupe, o livro não é extremamente complicado, e não precisa ser bom em matemática para entendê-lo, ou eu mesmo não teria entendido, mas precisa de atenção. O mérito do autor é ter se baseado  em ciência. Sim, ele pode ter cometido equívocos (e num estudo desse tamanho, dificilmente não se comete erros), e ninguém jamais deve estar imune à críticas. Mas definitivamente estes possíveis erros não foram por desonestidade, ou por nem estar tentando trabalhar sério, ou seja, por falta de uma metodologia rigorosa. E o que não falta por aí são análises sociais baseadas em achismo. Mas para os rabugentos, achismo é o que vale, só o fato de se basear em números, ainda que parcialmente, já é um erro. Comentou o Pondé :”Mesmo a “estatística do bem” só convence quem crê em estatística aplicada a seres humanos. ” Claro, Pondé, estatísticas são uma besteira, vamos interpretar a sociedade de acordo com a bíblia, como você julga mais correto, isso sim é inteligente.

Recomendado a todos que se interessam por história, psicologia, sociologia… Pensando bem, recomendado a todos  que queiram algum motivo para compreender com lucidez nosso mundo, sem cruzar os braços num cômodo derrotismo, ou tolo de achar que tudo vai se resolver pela bondade de deus.

Título original: THE BETTER ANGELS OF OUR NATURE
Tradução: Bernardo Joffily
Laura Teixeira Motta
Capa: Kiko Farkas / Máquina Estúdio
Adriano Guarnieri / Máquina Estúdio
Páginas: 1088
Formato: 16.00 x 23.00 cm
Peso: 1.380 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 28/03/2013
ISBN: 9788535922325
Selo: Companhia das Letras

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13271

 

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Amo livros, odeio bibliófilos

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Eu gosto bastante de ler e passo boa parte do meu tempo lendo. Não tenho muitas regras, leio ficção, não-ficção, filosofia, história, política, informática, psicologia… Começo um livro, paro, vou pra outro, volto, e sou absolutamente incapaz de dormir sem passar pelo menos 30 minutinhos com o meu Kindle em frente aos olhos, deitado no escuro. Sou “guloso”, compro bastante livro.

Ah, mas como eu detesto bibliófilos, tenho verdadeiro repúdio a esses tipinhos, que quando te conhecem te olham de cima a baixo e perguntam quantos livros por semana você lê, depois de dizerem quantos livros por semana eles lêem. Caro leitor deste blog, se alguém te disser “leio x livros por semana”, a única resposta adequada é “foda-se”, qualquer outra coisa é lisonjeira demais.

Eu não sei quantos livros eu já li esta semana, ou este mês, ou este ano, leio porque gosto e porque quero me educar, não preciso prestar contas à ninguém. Bem que o bibliófilo tenta, mas não consegue esconder como ele é parecido com o “pegador” que conta com quantas ficou na balada, ou o playboy que faz selfie no Outback pra por nas redes sociais.

Se você for num dos fóruns de leitura, o covil dessas criaturas vaidosas, não cometa jamais o erro de dizer que tem outro hobbie além de ler. Já cometi este equívoco num tópico de apresentação de novos membros, ao que uma das participantes disse “achei curioso você citar essas outras coisitas mais”. Claro, que absurdo, alguém fazendo algo com o tempo livre além de ler, quem pensaria nisso!

E não serve ler qualquer coisa, nem passa por suas cabeçonas que possa haver textos valiosos na internet, tem que ser livro e em papel, você não é puro o bastante para esses sujeitos se preferir a enorme praticidade dos ebooks.

E não é qualquer livro. Como muitos cinéfilos, os bibliófilos seguem a regra do “quanto mais velho e chato, melhor”. Ou pelo menos, melhor para se gabar na sua rodinha de pseudo-intelectuais… Na verdade, a escola ensina isso, que literatura que presta é só Machado de Assis e José de Alencar. E os poucos que gostarem dessa tralha velha vão fazer letras, virar tias gordas de português, e continuar o ciclo, ensinando que “literatura é isso”.
E depois vêm se queixar que “o brasileiro não lê”. Não, seu arrogante, só não lê o que você quer, a sua lista obrigatória. Harry Potter fez mais para ensinar o valor da leitura aos jovens do que qualquer professor de literatura jamais sonhou, assim como Diário de Um Banana, Sr. dos Anéis, Crepúsculo, os livros baseados em games, como os do Assassins Creed…

Se quer uma dica, eu gosto bastante dos livros da série Risoli & Isles, da escritora americana Tess Gueritsen, série policial, o primeiro da lista é O Cirurgião. E não, não é uma literatura fútil e vazia. Em Busca de Wondla também é uma ótima pedida. Eu pretendo dar dicas literárias aqui. As minhas dicas você pode até achar legais, mas, um aviso, podem não te fazer popular naquela rodinha de “caras cabeça” reunidos no Memorial da América Latina (podem até te fazer popular na rodinha de maconha, mas não da fefelech).

Por fim, uma confissão: Ler é uma forma de escapismo. Não lute com isso, você sabe. Pode ser proveitoso, pode te deixar inspirado, provocar reflexão… Mas aquelas páginas podem te deixar desligado por horas. Mas tudo bem, todos merecem…

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