trivialidades

Pula Pirata

satander

Não posto há algum tempo, mas desta vez não é por nenhum problema pessoal ou coisa do tipo, não estou de férias do Computações Anômalas, na verdade, estou trabalhando num novo post especial, da série Qualia, que está sendo escrito com muito esmero, e quero fazer mais um pouco de pesquisa antes de concluí-lo.

Ah, mas quanto à polêmica do Queer Museum, da “exposição pornográfica” patrocinada pelo Santander, com apoio da Lei Rouanet… Só vou dizer duas coisas:

  1. O que eu vejo com a repercussão é um monte de pirata pulando do navio quando chega a vez deles entrarem no barril.
  2. Esse Queer Museum é fichinha perto de uma peça do Zé Celso. Pelo menos algumas das obras faziam sentido.

 

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ética, Educação, filosofia, Humano, Política, sociedade

Quem Gosta de Liberdade de Expressão?

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Será que alguém gosta de verdade?

Vou começar com uma piada. Cretina, mas serve para ilustrar a  questão, eu prometo:

O pirata novato, em seu primeiro dia na tripulação, pergunta ao outro pirata: “Mas afinal, nós vamos ficar meses em alto-mar, sem nenhuma mulher por perto… Como vocês costumam fazer para aliviar a vontade sexual?” E o outro pirata responde “Ah, é só ir lá naquele barril e enfiar o seu pinto no buraquinho. Experimente, é uma delícia”. O pirata foi, e achou uma sensação deliciosa aquele buraquinho, sensacional, poderia aguentar a viagem numa boa daquele jeito. E foi ao barril novamente no dia seguinte, no outro, e no outro… Até que chegou segunda-feira, e ele acordou sendo carregado pelos outros piratas para o convés. “Ei, o que está acontecendo?” Pergunta o pirata novato. “Hoje é seu dia de ficar no barril”.

E o problema da liberdade de expressão? É que só se é a favor dela até chegar a vez de ficar no barril. É como democracia, no fundo ninguém gosta muito. O cristão, que vive reclamando da mordaça do politicamente correto, só aceita liberdade de expressão enquanto não diz nada desagradável sobre a religião dele, e de preferência que também não ofenda a moral e os bons costumes, porque afinal, liberdade de expressão tem limites, os limites deles. Para parecer razoável, até diz que as outras religiões também tem direito de se expressar. Nossa, quanta gentileza! E os ateus? Ah, tudo bem, contanto que se expressem entre si apenas. Inclusive, são cheios de protestos contra a doutrinação nas escolas, mas são cheios de querer meter a bíblia no meio das apostilas. Professor de biologia dar aula de criacionismo, aí sim é liberdade de expressão. Só que liberdade de expressão por conveniência não merece ser assim chamada. Se nunca é sua vez de ficar no barril, então você não é à favor dela.

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Para quem quiser uma análise bastante detalhada desta recente polêmica, recomendo este vídeo. Já escrevi bastante sobre estes assuntos em alguns posts, linkados abaixo, e não vou me aprofundar nesta polêmica específica. O que vou dizer apenas é que é abominável demitir uma pessoa por ela ter expressado sua opinião sincera no âmbito desta empresa, por ter feito uma crítica, ainda que possa haver equívocos em tal opinião, punir alguém por ter expressado uma opinião diferente ou mesmo uma opinião equivocada é um exemplo crasso de intolerância. Liberdade de expressão não é falar só o que a sua organização ou a sua sociedade julga adequado.


Preconceito Pode Ser Bom? E a Tolerância?

Feminismo – Três Lados da Moeda

ceticismo, farsas, filosofia, história, Humano, política, sociedade

Pós-Verdade é uma Nova Mentira

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Ou será tão nova? A palavra composta certamente é, junto do termo “fatos alternativos” empregado pelo departamento de marketing de Trump para tentar justificar sua visão das coisas, por exemplo, a posse de Trump, que segundo estatísticas confiáveis, teve muito pouco público, mas para Trump, teve muito, e isto é um fato alternativo, não uma mentira. Mas o meme para mim é velho, com eufemismo novo.

Primeiramente, gostaria de deixar claro que escrevo este post, e todos os demais, partindo de uma premissa que julgo razoável, necessária, e auto evidente:

“Existem fatos que todas ou quase todas as pessoas mentalmente sãs e inteligentes concordam, quando julgando de maneira fria, impessoal e desinteressada. Estes fatos são verdadeiros, são verdades objetivas, e apesar de não ser fácil, não é impossível obter estas verdades, julgando de maneira fria, impessoal e desinteressada, no interesse apenas da verdade.”

Para mim isto é uma obviedade. Se você não concorda, então por gentileza saia do meu blog e volte a entulhar sua mente com Foulcault, Baudrillard e seus asseclas.

Os eventos políticos mais importantes de 2016, o Brexit e a eleição de Trump, vistos como exemplos tragicamente explícitos da irracionalidade das massas, fizeram muitos se perguntarem se acabou a era da objetividade e da razão, se agora já não entramos numa era em que cada um tem sua verdade particular condizente ao próprio gosto, e o mercado, sempre atento aos caprichos de seus clientes, vende fatos que a clientela quer, como sintetiza William Davies, um colunista do The New York Times, falando sobre os institutos de pesquisas, sempre apresentando as estatísticas que o cliente quer. William Davies deixa claro que tendência já começou há muito tempo, apesar de ter se intensificado tremendamente com a anarquia das redes sociais. O “vendedor de estatísticas” mais infame do Brasil provavelmente é o Datafolha, também conhecido como Datafalha, por suas estimativas estapafúrdias sobre números de participantes em manifestações. O número da PM é sempre muito diferente. Então, em quem acreditar? Se eu tiver um relógio em cada pulso, cada um marcando um horário diferente, eu jamais saberei dizer que horas são.

A enxurrada de informações que escoam diariamente das redes sociais (e escoam sem muito tratamento de esgoto), a montanha cada vez mais crescente de informações com pouco ou nenhum embasamento, e a alta seletividade (mas não do tipo bom, cético) das pessoas, que cada vez mais se fecham em bolhas de opiniões similares às próprias, estariam nos levando rapidamente a um mundo sem verdades e sem mentiras, somente com “fatos” de valor puramente subjetivo, vendidos à granel? Como naquela citação atribuída a Nietzsche, “não existem fatos, somente interpretações”.  Terá o jogo Metal Gear Solid 2 (de 2001, quando redes sociais ainda eram praticamente irrelevantes) sido realmente profético ao prever que a ampla oferta de informação de má qualidade é uma conspiração para fazer o mundo cada vez mais burro?

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