ceticismo, filosofia, sociedade

Os Piores Argumentos (supostamente) Contra o Ateísmo

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Uma grande maioria dos cristãos que conheço sequer tentam explicar crença ou colocá-la em termos racionais. “Sei lá, apenas acredito”, é o que eu costumo ouvir, e eu não debato com eles, principalmente porque eles não querem debater. Eu admito que diversos ateus, especialmente os adolescentes, são extremamente inconvenientes, petulantes, e insistem em debater  sobre existência de deus e assuntos relacionados toda hora, não falam de outra coisa, e teimam em começar debates com quem acha esse assunto chato e não quer debater, uma atitude totalmente inadequada no convívio social, que não beneficia ninguém  e acaba por afastar as pessoas do ateu em questão, além de sujar a imagem dos ateus em geral. Mas eu não respondo por todos os ateus.

Confesso que já  fui mais afoito, hoje eu sou mais reservado, apesar de minha descrença não ter oscilado nem um pouco. Ao meu ver, estes cristãos que sequer tentam colocar sua crença como racional, simplesmente acreditam, são honestos. E não entro mais em debates, não muito, porque, francamente, eu não tenho mais muita paciência para discussões, e porque pra mim o assunto já está resolvido; não há absolutamente nenhum motivo racional para crer em alguma divindade, assim como não há motivo para crer em qualquer personagem fictício. A existência de qualquer deus é desnecessária para qualquer compreensão lúcida da história e do funcionamento do mundo, ponto final. Me interesso mais atualmente por problemas que me parecem mais desafiadores, como a consciência.

Mas infelizmente há também os religiosos petulantes, aqueles que são excepcionalmente ruidosos não só quanto à sua fé mas quanto ao seu desprezo pelos ateus, e defendem seu posicionamento com “argumentos” tão toscos que é de se impressionar que ainda são repetidos, mesmo sendo tão fáceis de derrubar, mas é por serem ainda muito repetidos que eu acho interessante falar sobre eles.

Queda Livre

A predileta destes sujeitos é a história do avião caindo. “Quando o avião começa a cair, todo ateu começa a acreditar em deus”. O problema maior não é sequer a falta de evidências quanto ao que se afirma como sendo uma lei (foi feita alguma perícia em caixas-pretas de acidentes aéreos para concluir que 100% dos passageiros ateus se converteram?). Claro que existem alguns ateus que ainda têm uma centelha de dúvida.  O problema maior é que isto sequer é um argumento contra o ateísmo, ou um argumento para a existência de algum deus. A única coisa que se quer dizer com esse reclame é que os ateus não são sinceros quanto à sua descrença, e voltam a crer em momentos desesperadores. Mesmo que fosse o caso de todo ateu não ser sincero consigo mesmo, isto não significa que eles não deveriam ser sinceros, que eles não teriam razão de serem convictos.

E na verdade, o fato de alguém estar em um momento de pânico, quando já se esgotaram todas as possibilidades de se salvar, regredir para a crença religiosa, não necessariamente significa que esta é sua verdadeira crença. Pessoas em situações limítrofes frequentemente perdem a cabeça e fazem besteiras, fazem a coisa menos racional, inclusive em situações mais prosaicas que a queda de um avião, como em acidentes de carros, assaltos e incêndio. E é especialmente fácil regredir quando não se tem mais nada o que fazer, já está tudo perdido mesmo. Quando o avião está caindo, o piloto não está rezando nem ponderando questões metafísicas, está fazendo tudo que puder para salvar a tripulação, porque só ele e o copiloto realmente estão no controle e podem fazer algo. Para os passageiros, tanto faz. Em uma situação pessoal trágica, mas que permite tempo para pensar, como a descoberta de uma doença grave,  quase todo mundo recorre primeiro aos tratamentos clínicos, científicos, e só vão para o curandeirismo ou a “medicina alternativa” (que na verdade são a mesma coisa) quando já não tem mais o que fazer, ou no máximo como complemento ao tratamento médico de verdade. Inclusive os religiosos.

Ateus cagões

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Outro discurso clichê é aquele de que os ateus só são corajosos para peitar o cristianismo, mas nunca tem coragem para peitar o islamismo, e jamais se atrevem a fazem piadas sobre esta religião. Sim, ateus fazem piadas com muçulmanos, inclusive no Brasil. E quem não lembra do trágico caso da revista Charlie Hebdo? Como alguém ainda tem a cara de pau de dizer que os ateus não fazem piada do islamismo depois que alguns foram mortos por fazer?!

E além do humor, vários ateus já criticaram seriamente o islamismo. Um deles é Sam Harris, que em seu livro de 2004 The End of Faith (O Fim da Fé) dedica um capítulo a criticar duramente o islã, e duramente é a maneira correta de tratar o assunto, pois se trata da religião mais perigosa do mundo. Danem-se os politicamente corretos que acham que todas as religiões são lindas e fofinhas e merecem ser respeitadas por igual. E principalmente, danem-se os ateus que acham que temos que criticar todas as religiões por igual, democraticamente. O perigo representado pelo islamismo no mundo é desproporcionalmente maior que o das demais religiões.

Os radicais islâmicos não seguem uma “vertente distorcida” do islã, como apresentadores de jornal adoram dizer, quando não usam da velha falácia do escocês de verdade e afirmam que “não são muçulmanos de verdade”. Isto é como dizer que uma velhinha que faz procissão em Aparecida do Norte não é católica de verdade. Eles são os que a seguem mais fielmente os mandamentos de sua religião, e contam com o apoio tácito de uma considerável parcela dos bilhões de seus correligionários “moderados”. Isto não é motivo para hostilizar o sr. Ahmed da esfiharia, ou a Jade, que vai de véu para o escritório. Isto é, não há justificativa para desrespeitar indivíduos muçulmanos que não fazem nada de errado.

Podemos acreditar que alguém segue uma ideia perigosa, e atacar sua ideia, mas não sua pessoa, não enquanto não faz mal a ninguém. Eu também já acreditei e certamente ainda acredito em muita merda, nem por isso mereço levar uma cuspida na cara. Atacar ideias, com humor ou com discurso sério, não significa atacar a pessoa daqueles que acreditam nela.

É verdade que o cristianismo já foi tão violento quanto, e também é verdade que hoje há relativamente pouca violência cometida em seu nome, por fiéis fanáticos. “O cristianismo foi domesticado”. Aqueles valores que os cristãos de hoje chamam de valores cristãos, aparentemente, os cristãos aprenderam com os iluministas secularistas no século XVIII. Felizmente, a bíblia é um texto muito vago, repleto de ambiguidades, e pode ser interpretado de mil e uma maneiras. O Corão e o Hadith (textos sobre a vida do profeta Maomé, também canônicos para os muçulmanos de todas as vertentes) têm uma linguagem muito mais explícita e menos aberta a interpretações. Não é realista querer abolir o islã, mas ele precisa ser reformado, como outras religiões foram. O que é um grande desafio, pois se trata de uma religião quase impermeável a novidades. Os terroristas muçulmanos de hoje são como católicos do século XIV com armas de século XXI. Não é à toa que muitos ateus não têm a coragem de Sam Harris e se privam de criticar ou ridicularizar o islã.

E como no caso do avião, este argumento falha porque também não é um argumento contra o ateísmo. É apenas um insulto aos ateus em geral, chamando-os de covardes; mesmo que seja verdade que muitos ateus se privam de falar do islã por medo, isto não significa que estejam errados em ser ateus. E não é um insulto justo: Você acha que todo mundo tem o dever de morrer pelo que acredita ou não, que quem não arrisca a própria vida inutilmente por suas crenças não merece ser levado em consideração?

Faço uma analogia: Imagine que no seu bairro haja um sério problema com o tráfico, que ameaça a segurança de todos os moradores. Há trocas de tiro, balas perdidas, o barulho à noite não deixa ninguém dormir, os traficantes têm tão pouco respeito pelos moradores que usam suas casas sem permissão para esconder drogas. Então eu digo pra você “Ah, você odeia mesmo o tráfico do bairro? Quero ver ir lá dar dois tapinhas na cara de um deles e colocá-lo em seu devido lugar!”. Martírio é um valor religioso, não ateu, não nos cobre por isso. Eu não consigo deixar de notar que nas palavras dos cristãos que provocam os ateus dessa maneira está implícito um desejo de poder fazer igual aos muçulmanos…

A Aposta de Pascal

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Esta foi uma famosa apologia ao valor da crença religiosa, elaborado pelo pensador Blaise Pascal. Pascal foi um pensador de genialidade indiscutível, tendo feito contribuições, dentre outras coisas, para a teoria das probabilidades em matemática, e para a mecânica de fluídos em física. Mas, assim como vários cientistas no decorrer da história, ele empregava sua racionalidade plenamente quando estava trabalhando com ciência, e a deixava de folga quando pensava em questões metafísicas caras a si mesmo. Seu argumento contra o ateísmo, como resume a Wikipédia, é o seguinte:

  • se você acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho infinito;
  • se você acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda finita;
  • se você não acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho finito;
  • se você não acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda infinita.

É mais vantajoso acreditar em deus. Sem dúvida um argumento mais “elegante” que os outros dois, e um que pelo menos dá pra chamar de argumento sem aspas. Mas ainda está errado, e ainda não é um argumento que defende que os ateus estão errados. Desde quando a vantagem em acreditar em alguma coisa é argumento para a verdade desta coisa? Pode ser mais vantajoso acreditar em Deus, mas isto continuar sendo uma ilusão. Aliás, como eu posso simplesmente passar acreditar em algo que atualmente não acredito por conveniência? Se eu achasse que seria muito bom para mim acreditar na teoria da Terra plana, eu poderia? Aliás, o que significa possuir uma crença? Bem, isto já é assunto para outro post…

Mas a aposta de Pascal também falha ao fazer uma falsa dicotomia. Um devoto católico, Pascal neste argumento parece levar em conta que existem apenas duas possibilidades: Ou se é ateu, ou se acredita em Deus, que seria a possibilidade totalmente segura. Em qual dos incontáveis deuses que já foram inventados? E de qual das incontáveis maneiras de se adorar a deus se teria esta garantia de ganho infinito? Os muçulmanos – do tempo de Pascal e do nosso – são igualmente convictos em sua ideia de deus e suas leis, e não há nenhum parâmetro confiável para ver quem está certo. E se eles estiverem, e neste caso Pascal foi para o inferno por ter sido católico? Existem muitas crenças religiosas no mercado, algumas inclusive com muita história e tradição atrás de si, e todas oferecendo alguma recompensa no além túmulo para os seguidores fiéis, e a maioria prevendo algum castigo para os seguidores de outras religiões. mas seus dogmas não são mutuamente compatíveis. Todas possuem exatamente o mesmo grau de credibilidade, isto é, nenhum. Viva como se deus ou qualquer ordem metafísica não existisse, esta é a única aposta razoável.

Mas se você acredita de todo jeito, “porque sim”, tudo bem. Eu tenho minhas dúvidas quanto à essa coisa de “liberdade religiosa”. Não sou contra uma pessoa ter o direito de seguir acreditando no que quiser sem ser importunada, de forma alguma. Só sou cético quanto a tratar a suposta escolha de religião como se fosse a mesma coisa que escolher comprar um Xbox ou um PlayStation, pensando nos prós e contras de cada um. A maioria das pessoas seguem a religião da família em que cresceram, e continuam seguindo por inércia, porque nunca se deram ao trabalho ou nunca se permitiram considerar que ela pode estar errada.

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Amo de coração o periódico Charlie Hebdo. E olhe que não sou de esquerda, muito pelo contrário. Mas sou radicalmente anti-religioso. Todas as religiões são ruins. Mas a pior delas sem dúvida alguma é o Islã. O Charlie faz parte da ala dos “liberals” que tem cabeça, que sabe reconhecer uma ameaça e tratá-la como tal, e já foi vítima direta dela e, sendo assim, não pode se vender para o espetáculo ridículo do multiculturalismo, essa mania de achar que temos de respeitar até ss culturas mais grotescas. Neste editorial eles derrubaram o mito de que a maioria dos muçulmanos é inofensiva. Não há como ser inofensivo sendo mantenedor de uma cultura corrosiva. Liberais que defendem o Islã são como crianças que entram na jaula pra fazer cócegas no focinho do leão.

Charlie e o Islã

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… Mas, mas, o Islã de verdade não prega a violência, são só as pessoas que deturpam…

Uma pinoia. Na verdade, quem segue uma versão deturpada do islamismo são os muçulmanos moderados, que são algo como os católicos não praticantes.. E nós devemos nos sentir muito felizes por eles serem assim. O radical islâmico é um religioso devoto, não diferente da velhinha que vai fazer procissão em Aparecida e põe água benta em cima da TV para abençoar, é exatamente a mesma coisa, só que a velhinha não precisa matar.

“Pois vós praticardes vossas luxúrias sobre homens em preferência a
mulheres: vós sois de fato um povo cheio de iniquidade. E atiramos sobre
vós uma chuva de pedras.”
Corão  (7:80-84)              

Se um homem solteiro for flagrado cometendo sodomia, ele será apedrejado até a morte.


Abu Dawood 

– Livro 38, Hadith 4448

O apóstolo de Alá amaldiçoou o homem que se veste de mulher, e a mulher que se veste de homem.

Abu Dawood – Livro 32, Hadith 4087

“Quem quer que você encontre fazendo como o povo de Ló (homossexualidade), mate aquele que faz e aquele a que é feito.”

Ibn Majah – Livro 20, Hadith
2561

“O profeta amaldiçoou homens afeminados (aqueles homens que tem semelhança e assumem as maneiras das mulheres) e as mulheres que assumem as maneiras dos homens, e ele disse ‘Joguem-nos das suas casas’“

Bukhari (72:774)

Sim, tem mais: https://islamreligionofwar.wordpress.com/homosexuality/

https://www.thereligionofpeace.com/pages/quran/homosexuality.aspx

Aí você pode dizer, “mas a bíblia também manda punir os homossexuais”. Bom, eu não sou defensor da Bíblia, que também é um livro estúpido (todos os livros religiosos são), mas algo de diferente deve haver, se os cristãos devotos não estão matando gays. Tem muito menos passagens na bíblia prescrevendo a punição de homossexuais, e estas estão num tom muito menos claro e mais “enigmático”, como aliás são todas as passagens da bíblia, e é exatamente por isso que ela é inútil como guia moral. Intolerância a homossexuais é apenas uma das inúmeras práticas de ódio explicitamente incentivadas pelos textos sagrados do islamismo.

Este sujeito, um clérigo islâmico, não está pregando em alguma cidade empoeirada no Oriente Médio, mas na Flórida, precisamente onde aconteceu o atentado a tiros mais mortífero da história dos EUA. Aliás, os textos do Islã dizem que você deve obediência ao Islã antes da lei do país em que você vive, então é perfeitamente possível se radicalizar mesmo num país secular.

Chega de mentiras, chega de hipocrisia. O Islã é uma religião que não sofreu influência do iluminismo, e que explicitamente prescreve a guerra e subjugo de outros povos, e glorifica o martírio, além da intolerância aos “infiéis”. Veja novamente a tradução que eu fiz sobre os sinais de que uma organização é um culto, o islamismo atende a quase todos os quesitos, inclusive o de proibir membros de saírem. Apostasia (deixar a religião) é considerado um crime passível de morte no islamismo.

Se algum “politicamente correto” começar com essa conversinha mole de que “o Estado Islâmico não é islâmico de verdade”, por favor, interrompa-o e corrija imediatamente, já enjoei de mentira. É verdade que muitas pessoas usam desse fato como desculpa para atacar pessoas inocentes (muçulmanos que não são envolvido com atos de violência), o que é lastimável, mas não é aceitável manter mentiras por este ou qualquer outro motivo.

O instituto Pew Research fez pesquisas em países do Oriente Médio (clique) para saber a opinião destas pessoas sobre o terrorismo e a Sharia (infame código legal que prescreve o apedrejamento a mulheres adúlteras e a amputação das mãos de ladrões, dentre outras barbaridades), se você olhar os números, começará a cair por água abaixo o mito de que “a maioria dos muçulmanos é moderado”. É verdade, uma minoria percentual de fato pega em armas e entra na luta contra os “infiéis”, mas a torcida é grande. O vídeo abaixo traz um bom resumo das estatísticas

Por último, mas não menos importante: Estava eu pesquisando no Google para escrever este post, e olha o anúncio que me apareceu:

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É mole?

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