ceticismo, farsas, filosofia, Humano

Pós-Modernismo: Para quem ainda não entendeu

Meus colegas do Universo Racionalista fizeram um novo post excelente alertando sobre este movimento “filosófico” embusteiro:

http://www.universoracionalista.org/a-farsa-intelectual-dos-pos-modernos/

Só tenho a lhes parabenizar pelo ótimo serviço. Vou trazer mais uma vez uma de minhas citações favoritas de filme, do Lucy: “Conhecimento não leva ao caos, ignorância leva.” Os charlatões pós-modernos aproveitam-se de da ignorância generalizada sobre ciência para tecer suas teorias obscurantistas que só causam ainda mais confusão. Aproveitar-se da ignorância alheia para obter vantagem (são todos contra o capitalismo, mas lucram horrores com seus livros e palestras) é a definição legal de estelionato, e em ciências, chama-se isso de má-fé ou desonestidade intelectual.

Recomendadíssimo também:

https://www.universoracionalista.org/a-quem-incomoda-o-atual-criticismo-ao-pos-modernismo-simples-a-quem-tem-medo-da-ciencia-da-razao-e-do-cientificismo/

https://www.universoracionalista.org/anticiencia-do-seculo-xv-aos-pos-modernos/

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farsas, saúde

Glúten

pao

Uma dica para você, e eu consultei uma médica antes de escrever, e uma médica que se preocupa muito com nutrição, diga-se de passagem:

Dieta “gluten free” ou livre de glúten é útil APENAS se você for alérgico a glúten. Apenas neste caso, começa e acaba aí. Glúten não faz mal algum para quem não é alérgico, a história de que faz mal e deve ser evitado por todos é mito.

Se for fazer uma dieta para melhorar sua saúde ou emagrecer, faça outra.

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Farsas – Mensagens Subliminares

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Esta farsa foi uma certa histeria coletiva na década passada,
quando circularam incontáveis histórias na internet sobre mensagens
subliminares em propagandas, filmes (especialmente da Disney) e videogame (o
grande corruptor da juventude) entretendo adolescentes desocupados e facilmente
impressionáveis (como eu era) e deixando pais, religiosos e outros grupos de escandalizados
profissionais de cabelos em pé. Quem não lembra dos vídeos do bizarro pastor
Josué Yrion, com seu idioma indefinível, falando dos “males de los Nintendos”?
Até que foi divertido, mas está na hora de tirar a história a limpo. A maior
parte do que você já leu sobre mensagens subliminares é pseudociência,
superstição e moralismo barato.

Sim, existe um fundo de verdade, como em quase qualquer pseudociência.
É possível o seu olho captar uma imagem muito rápida que não é percebida pela
sua consciência. O que absolutamente não vai mudar o seu comportamento de
maneira relevante, como toda pesquisa científica honesta e com rigor
metodológico provou ao testar este fenômeno.

Tudo começou um suposto experimento feito nos anos 50 em um
cinema dos EUA, em que mensagens mandando as pessoas comprarem pipoca e
refrigerante eram exibidas na tela durante o filme por um milésimo de segundo –
com um projetor especial só para as mensagens, porque o projetor normal usado
para o filme só é capaz de exibir 24 quadros por segundo – e, disse James
Vicary, o pesquisador de marketing que conduziu o experimento, as vendas de
pipoca e refrigerante aumentaram expressivamente. Aliás, quem compra pipoca e
refrigerante depois do filme?

Seria um experimento para lá de antiético, sendo que as
pessoas que foram ao cinema só queriam ver um filme, não consentiram em
participar de experimento algum. Seria, porque o próprio James Vicary foi
obrigado a confessar que nunca o realizou, e forjou os dados para agradar
investidores, e lucrar com a patente do método. Ele chegou até a abrir uma
empresa de publicidade especializada em aplicar este método. Deu polêmica, e as
“ligas pela temperança” (as mesmas organizações que pressionaram pela infame
lei seca) começaram a acusar as indústrias de bebida a usarem propagandas
subliminares para encorajarem as pessoas a beber. Não usaram. Foi muito barulho
por nada.

Vicary foi desmascarado quando redes de TV tentaram replicar
seu experimento. A TV é mais de duas vezes mais rápida que o filme (59 ou 60
quadros por segundos) e não precisaria de equipamento especial para exibir uma
mensagem imperceptível a nível consciente. A emissora WTWO, afiliada da NBC,
exibiu mensagens subliminares pedindo aos espectadores para escreverem à
emissora, mas ninguém escreveu. O próprio Vicary, pressionado por psicólogos sérios,
tentou fazer a experiência em uma TV canadense, a CBC. Desta vez, era pedido
para as pessoas ligarem para o programa. Não só ninguém ligou como, quando
informadas sobre as mensagens subliminares e perguntadas por telefone se tinham
sentido alguma coisa diferente, disseram ter sentido mais fome ou mais sede,
sendo que as mensagens nem mesmo tinham a ver com isso. Memórias falsas sim são
um fenômeno psicológico comprovado.

Mas o que diferencia a pseudociência de simples teorias
científicas refutadas é que elas continuam sendo repetidas e divulgadas mesmo
muito depois de serem provadas falsas. Em 73, uma década após Vicary ter sido
desmascarado, um outro charlatão, Wilson Key, lançou seu livro Subliminal
Seduction, em que procurava mostrar como a publicidade induz desejo sexual nas
pessoas para compeli-las a consumir. Já na
capa do livro é perguntado, sem qualquer ironia
,
se o leitor sentia tesão
ao ver a foto do copo com gelo. Aposto que você clicou no link que eu mandei e
já está descascando banana.

Os experimentos descritos no livro de Key também eram
furados, desonestos, feitos sem metodologia correta (por exemplo, sem grupo de
controle), mas serviu para reavivar a polêmica das mensagens subliminares, e
mais uma vez os escandalizados profissionais começaram a procurar pelo em ovo
para dizer que a mídia estava corrompendo a pureza das crianças, maculando suas
mentes com pornografia e satanismo e tudo o mais. Mas nada deu tanto gás tanto
os caçadores de mensagens subliminares quanto a internet, que ajudou não apenas
a circular livremente as imagens “suspeitas” para que fossem analisadas pelos “experts”,
como também ajudou a divulgar as teorias.

Lendo as teorias conspiratórias sobre mensagens
subliminares, aquelas mesmas que me divertiam na adolescência, não dá para
deixar de pensar que quem escreve essas merdas é uma gente tão tarada que enxerga
safadeza em qualquer coisa, devem pensar o dia todo só nisso. Alegaram ter
visto um pênis ereto
por trás da batina de um padre que aparece no final da Pequena Sereia
(é só
um joelho) e a
palavra SEX numa cena do Rei Leão
em que apenas apareciam por alguns
instantes as letras SFX, que é uma sigla informal para efeitos especiais. Foi
apenas um easter egg deixado pelos animadores, mas algumas pessoas fizeram uma
montagem com o quadro do filme, adicionando uma “perninha” no F para parecer um
E. Mas a pergunta é, e se fosse SEX, e daí? Do jeito que falam esses malucos, é
como se fosse cair os olhos das crianças.

Sinceramente, um dos motivos pelos quais eu realmente não
gostaria de ter filhos é que eu temo ficar igual a uns sujeitos escrotos que
quando viram pais se convertem em puritanos de carteirinha, que acham que seus
filhos são anjinhos inocentes e que o mundo todo tem que se adaptar a eles. E
muitos desses puritanos de carteirinha eram totalmente “porra locas” antes de
terem filhos, ou continuam sendo, o que me irrita mais ainda.

Uma coisa é você proteger as crianças de sofrerem abuso
sexual, e evitar exibi-las a conteúdo sexual explícito que elas não vão
entender por não terem maturidade. Outra é achar que meramente por elas ouvirem
alguma coisa relacionada a sexo, ou verem a foto de um órgão sexual por uma
fração de segundo, ficarão traumatizadas e terão a infância arruinada. O livro
e o filme Clube da Luta brincam com este medo irracional de alguns pais; na
história, o personagem Tyler Durden, fazendo bicos como projecionista num
cinema, inseria alguns trechos de filmes pornôs em filmes de criança. Claro que
se isso fosse feito na vida real, o “bônus” ia ficar tão invisível quanto as inserções
de propagandas da Jequiti e do Carrossel no SBT.

Justiça seja feita, uma teoria conspiratória desse tipo foi verdade:
Em 1997, descobriram que em algumas cópias VHS do filme Bernardo e Bianca, que
eram vendidas na Inglaterra, aparecia em dois quadros uma foto de uma mulher com
os seios de fora. A própria Disney admitiu publicamente o vacilo, explicou que
provavelmente quem inseriu as fotos foi alguém da pós-produção, não os próprios
animadores que fizeram o filme, e fez o recall das fitas. O que aconteceu com
as crianças expostas às cópias “premiadas”? Exatamente, porra nenhuma.

Uma das modalidades mais idiotas de teorias de mensagens
subliminares, e que também fez sucesso entre os moralistas, são as mensagens de
áudio escondidas em músicas, principalmente de rock, que supostamente levavam
os jovens a adorarem o diabo, ou a cometerem suicídio. Sobre a indução ao
satanismo, acho que não é preciso comentar nada, mas a coisa da mensagem ao
contrário (famigerado disco da Xuxa) é mais idiota ainda, porque uma mensagem
ao contrário está essencialmente criptografada, e vai fazer tanto sentido para
o seu cérebro quanto faria ler um livro em chinês ou klingon, supondo que você
não conhece estes idiomas. Ou seja, não dá para te induzir a nada, porque o seu
cérebro não entende nada, é apenas ruído sem sentido, consciente ou
inconscientemente.

A banda Judas Priest já foi acusada de provocar o suicídio
de dois jovens com a música “Better By You, Better Than Me”, do álbum Stained
Class (que eu tenho em vinil, uma de minhas preciosidades). Alegaram os
promotores, ela tinha escondida a mensagem “do it”. Mal dá para acreditar, mas
esta besteira chegou ao tribunal, e a banda foi obrigada a ir se explicar
perante um júri. Pois é, uma teoria falsa vai longe.

Só me pergunto por que esses promotores também não acusaram
a corporação Nike de ter colaborado com o suicídio dos dois jovens.

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Meu Problema com o Espiritismo

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Os espíritas, em especial os de religiões de matriz africana, e os ateus, possuem uma espécie de “aliança estratégica” no Brasil: Ambos os grupos deixam os cristãos fanáticos putos. Para eles, somos “crias do demônio” do mesmo saco. Admito que é uma das religiões que menos causam problemas hoje em dia, mas nem por isso é perfeita, e não deveria ser imune à críticas. Aliás, absolutamente nenhuma ideia, boa ou ruim, deveria ser imune à críticas em uma sociedade livre. As pessoas deveriam ter maturidade para entender a diferença de atacar uma ideia em que alguém acredita e atacar a própria pessoa.

O problema começa no próprio conceito de alma, que é absolutamente improvável. Quando dizem que você tem “energias”, isto é verdade, mas estas energias não possuem absolutamente nada de místico ou sobrenatural, e não é mistério algum para onde elas vão depois da sua morte: Para os vermes. “Tudo se perderá como lágrimas na chuva”, como dizia o replicante Roy no magnífico filme Blade Runner (androide é a sua mãe). O fato das minhas energias continuarem não significa que a minha consciência continuará, a consicência é um fenômeno bioquímico que se encerra com a morte do indivíduo (esta é a origem da brincadeira que faço na descrição deste blog)

“Alma” era mais ou menos como povos antigos entendiam a mente humana antes de compreendermos o funcionamento do cérebro. E isto faz pouco tempo: No tempo de Aristóteles, nem se sabia que o pensamento se processava no cérebro (Aristóteles pensava que sua função era de resfriar o sangue). Somente do início do século XX descobriu-se o neurônio, graças ao trabalho do cientista espanhol
Santiago Ramón y Cajal. Até então, a doutrina do dualismo (corpo e alma) era amplamente aceita, a alma sendo como um motorista e o corpo um veículo. O dualismo é a base de praticamente todas as religiões, atuais e extintas.

Mas os estudos do cérebro explicaram relativamente bem este órgão formidável, e a psicologia moderna se encarregou de detalhar o funcionamento do software, e de qualquer forma o conceito de alma não faz muito sentido, não explica, por exemplo, como algo imaterial pode mover algo material, a não ser com explicações que são igualmente improváveis, em todos os sentidos. A própria existência de algo como um “além” ou “o mundo de lá”, como dizem popularmente no Brasil, ainda carece de ser provada empiricamente. O próprio conceito de “eu” (que seria o motorista) é provavelmente uma ilusão. Como diria o peso pesado da ciência cognitiva Daniel Dennet “é difícil achar o presidente na sala oval da mente”. Sam Harris, outro peso pesado, também afirma que o “eu” é uma ilusão cognitiva, e aperfeiçoando muito a técnica da meditação, pode-se vivenciar as sensações da consciência sem a ilusão do eu.

O que mais espanta no espiritismo é que ele também se baseia em afirmações que não seriam impossíveis de provar se fossem verdadeiras. Não apenas eles acreditam em alma, mas acreditam que as almas dos mortos, de alguma forma, podem prever o futuro, ou ver o que se passa em qualquer lugar do mundo, e comunicar isto ao médium. Mande um médium ou pai de santo ficar numa sala isolada, vigiada por câmeras, enquanto um pesquisador em outra sala igualmente isolada escreve algo aleatório num papel, e peça para ele adivinhar o que está sendo escrito. O mágico James Randi já ofereceu um prêmio de um milhão de dólares para qualquer um que provasse poderes sobrenaturais. Durante todo o tempo que o prêmio foi oferecido, não apareceu um único paranormal que pudesse provar seus poderes, e não ser apenas um charlatão. Também já ouvi falar de pais de santo que adivinharam os números da loteria para clientes. Por que não adivinharam para eles mesmos?!

“Ouvi falar” é a frase que mais se escuta. A famosa evidência anedótica não tem valor nenhum quando se trata de assuntos de extrema importância como a existência ou não de um mundo do além. Se eu precisar de alguma defesa contra uma evidência anedótica, direi apenas “ontem Donald Trump me ligou e disse que provou que alma não existe”. Você não pode provar que estou mentindo, pode? O conceito de homeopatia também possuem um excesso de evidência anedótica e uma completa falta de evidência científica de que possa curar qualquer coisa melhor que um placebo. Assim como a infame fosfoetanolamina. A lista é longa. Até papagaio fala. A forma como você se sente em um terreiro ou em um centro espírita também não é prova de nada, é possível ter sensações provocadas por todo tipo de coisa.

Os espíritas, como outros religiosos, também partem do pressuposto de que existe um código moral universal, que a moral possui uma realidade objetiva, por isto quando você morre, a sua alma será julgada por uma espécie de tribunal metafísico e punida ou recompensada de acordo.

Primeiramente, a moral é um conceito maleável, que se modificou muito ao longo da história. Eu não estou querendo dizer que deveríamos abandonar qualquer tentativa de diferenciar códigos morais em melhores ou piores, mas o fato é que moral é um conceito humano, surgiu no contexto de sociedades humanas que precisavam de limites para que a convivência fosse possível. Qualquer moral só faz sentido no contexto de indivíduos vivos tendo que conviver juntos. Também não faz sentido uma punição que só passa a valer depois da sua morte, e que ninguém pode com certeza ver alguém que foi punido, sendo que os malfeitores podem simplesmente não acreditar. Por isto mesmo necessitamos de sistemas judiciários com punições que existem além de qualquer dúvida. Acho que não dá pra duvidar da existência de cadeias.

Eu até entendo porque as pessoas acreditam nisso: Porque dá a elas uma certa satisfação. Parece insuportável a ideia de que um ser tão maléfico quanto o Dr. Mengele tenha fugido para a América do Sul após a segunda guerra e morrido idoso por causas naturais. É mais confortável acreditar que ele teve algum tipo de punição no além túmulo. Mas não teve.

Se por um lado a doutrina espírita oferece este tipo de conforto, por outro ela faz a pressuposição, pra lá de insensível, que pessoas que hoje estão sofrendo de alguma forma mereceram aquilo, como se a população da Coréia do Norte ou os famintos da África tivessem alguma culpa pela situação desgraçada em que se encontram.

E também cuidado quando tentam pegar o conceito de evolução biológica para exemplificar seu conceito de seres menos evoluídos tornando-se mais evoluídos. Isto é falácia: A evolução se dá de indivíduo para prole, por pequenas mutações genéticas que são selecionadas pelo meio: Um único indivíduo não evolui infinitamente, muito menos depois da morte. Parece injusto que um ser que nasceu como genes ruins esteja fadado a ser varrido pelo meio sem jamais ter a chance de melhorar? É porque a justiça é um conceito humano, não natural. Se quisermos justiça, é melhor a implementarmos no aqui e agora.

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Filosofia Bovina e a Loto

Desculpe o humor aqui, estive tentando instalar Mac OS num PC (propositalmente). Enfim,

A figura mais patética que já apareceu travestida de “filósofo” é Mário Sérgio Cortella. Sempre com seus eloquentes discursos para entregar a velha ladainha moralista redeglobense, pra deixar o povo quieto e bem comportado. Aliás, fica a dica, citar frases em latim gratuitamente é prova incontestável de mau-caratismo.

Mas como estou com pressa, pois preciso dormir, vou expor apenas uma de suas pérolas: O bilhete de loteria. Em um de seus patéticos livros de autoajuda para peão (existe outro tipo de autoajuda?) ele diz que a atitude de quem ganha na loteria e deseja “sumir” é  egoísta e condenável. Claro, sr. Cortella! No dia que eu ganhar na loteria, a primeira coisa que eu vou pensar é em como vou usar aquele dinheiro para atender as necessidades daquele meu parente do interior que só lembra que eu existo no natal! isso sem falar daquele meu colega de classe ou do trabalho que ficou fofocando pelas minhas costas o ano todo, esse vai ganhar até carro importado! E só um monstro esqueceria de deixar uma boa grana pro porteiro que normalmente só te diz “bom dia” sem nem olhar na sua cara!

Aliás, se algum dia ganhar na loteria, me avisa que eu passo o número da minha conta em Liechtenstein, assim você pode ser ético como manda o Cortella . Boa noite.

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farsas, filosofia, internet, sociedade

Farsas – Esquema de Pirâmide/Marketing Multinível

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Este post é absolutamente necessário, pois eu acho que, apesar de haver bastante informação sobre esquema de pirâmide (o blogueiro e youtuber Izzy Nobre fez um ótimo trabalho em informar o público sobre essa farsa) ainda não é suficiente, visto que os esquemas de pirâmide ainda existem, movimentam milhões de dólares e levam pessoas à ruína.

O que é esquema de pirâmide

Pirâmide é um esquema fraudulento em que uma organização ganha dinheiro exclusivamente ou principalmente com pagamentos de membros novos. Nada de valor é criado. Sob qualquer interpretação, é uma atividade econômica não produtiva. O dinheiro flui verticalmente, com membros novos (base da pirâmide) pagando membros antigos, que pagam membros mais antigos… Os golpistas que fundam a organização são o topo da pirâmide. Estes recrutam (o verbo é este mesmo) novos membros, que pagam uma taxa de adesão, e têm obrigação de pagar uma parte do que ganham para os do topo da pirâmide. E como ganham? Esta segunda geração de membros recruta novos membros, subordinados, que pagam a eles, que pagam uma parte para o topo…

Notou um problema? É, vou repetir, nada de valor é criado, nenhum produto ou serviço novo é criado, o dinheiro simplesmente flui de baixo para cima. Apenas os fundadores e os primeiros membros recrutados se dão bem. Quando este esquema começou, normalmente era anunciado como uma espécie de clube de investimento milagroso; uma mentira, nada é investido, o dinheiro simplesmente troca de mãos até o topo, e cada camada é mais pobre do que a anterior. A esmagadora maioria das pessoas que entram no esquema acabam mais pobres do que quando começaram.

E não é preciso ser gênio da matemática para notar que o esquema está  fadado a quebrar, pois vai chegar um ponto em que não tem mais gente para entrar na base e sustentar os de cima, é uma progressão geométrica, depois que a pirâmide chega a certo ponto, são necessárias mais pessoas na base do que habitantes do planeta Terra. E quando quebra, o pessoal do topo, que se deu bem, vai “sumir”. É um modelo de negócios não sustentável.

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Marketing multinível é o mesmo que esquema de pirâmide

Não demorou muito para que esquemas de pirâmide fossem proibidos por lei. Mas os malandros usaram a tática mais antiga do mundo para divulgar uma mentira quando ela já se tornou conhecida: Mudaram algum detalhe e trocaram de nome. Não é diferente dos cretinos que insistem em divulgar criacionismo com o nome pomposo “design inteligente”, que é o mesmo criacionismo, mas travestido de ciência.

A tática foi inserir um produto para legitimar a atividade, e, portanto, eles estão gerando uma coisa de valor e não são um esquema de pirâmide. Só que não.

Quando você for ver, o valor vindo da venda de produtos para pessoas que não pertencem à organização é insignificante. A grande parte do lucro vem do pagamento de membros novos aos membros antigos. O produto é um engodo, e quase todas as vendas são feitas entre os próprios membros. Quando o cara entra no esquema, compra um kit do recrutador, que deverá tentar vender, e quase nunca consegue vender.

É notável também que os tais produtos fatalmente são coisas esquisitas que ninguém precisa, e por isso mesmo é tão difícil vender, e o único jeito do cara ganhar dinheiro é recrutando. O exemplo que ficou mais famoso aqui no Brasil é o Telexfree (que é mais ou menos um Skype ligado a um esquema de pirâmide). Quando a Telexfree foi interditada no Brasil, por ordem judicial, ninguém, simplesmente ninguém, reclamou que ficou sem poder usar o tal programa. Porque ninguém usava.

Outro exemplo famoso é o shake diet da Herbalife. Essa dieta é praticamente o mesmo que um jejum, o sofrimento é idêntico, mas com o mínimo de nutrientes necessário para ficar vivo. Também é digno de nota que produtos similares são encontrados à venda em qualquer loja de produtos “natureba”, vegan e em farmácias de manipulação, mas à preços muito mais baratos, porque os fabricantes não são MMN.

Zumbis

Se você leu os meus posts sobre o que é um culto, verá que as empresas de marketing multinível encaixam muito bem na definição. Que fique claro, participar de MMN não é o mesmo que estar em um emprego mal-pago: Mesmo que você trabalhe por um salário mínimo, você está ganhando alguma coisa, ninguém trabalharia de caixa do Mac Donalds pra perder dinheiro, ganha pouco, mas ganha. Só que quase todo mundo no MMN perde, e continua no esquema só pra tentar recuperar o prejuízo, algo similar com o que acontece com jogadores compulsivos que não saem da mesa porque ainda tem a esperança de recuperar o que foi apostado.

E as empresas de MMN investem pesado em palestras motivacionais, material de autoajuda e coisas similares para fazer dos membros verdadeiros zumbis que defendem a organização que os explora com unhas e dentes, e se tornam pessoas insuportáveis para seus amigos e familiares, pois estão o tempo todo tentando recrutar todo mundo para o esquema.

Por regra geral, as empresas não ganham dinheiro pelo número de funcionários, mas pelo valor que estes funcionários geram. Qualquer organização que tente desesperadamente ganhar o maior número possível de membros é fraudulenta. Bandeira vermelha se eles tentarem desesperadamente te “recrutar” mesmo você não possuindo nenhuma qualificação e nem experiência no ramo.

Os zumbis adoram apontar que várias pessoas se deram bem participando da sua organização, que ficaram ricas. Como eu disse, algumas pessoas, uma minoria, fica rica, o que absolutamente não diz nada sobre a legitimidade da organização. O meu pai tem 67 anos e fuma desde os 15, nunca teve câncer nem infartou. O que não muda absolutamente nada o consenso científico de que fumar faz mal.

O fato é que pirâmides são um bilhete de loteria muito caro. E ao contrário dos bilhetes de loteria, a maioria das pessoas já entram sem chance nenhuma de ganhar. A regra sagrada de Las Vegas – mais do que “o que acontece em Vegas fica em Vegas – é “a casa sempre ganha”. E no caso das pirâmides, a casa são os malandros que começaram o esquema.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_em_pir%C3%A2mide

http://hbdia.com/dossie-hbd/perca-dinheiro-ja-pergunte-me-como/

https://youtu.be/Ne6p_gGlgcM

https://youtu.be/dyuN-xUdCG4

https://youtu.be/ByLaIrLzUJE

UPDATE:

Escrevi este post meses atrás. Hoje o Izzy Nobre postou mais um vídeo sobre o assunto, visto que todo dia perguntam pra ele se x é esquema de pirâmide. Se nem com o meu post você entendeu, fica a dica:

Resumo do vídeo: Se parece pirâmide, é porque é pirâmide, cai fora.

Sério, os esquemas de pirâmide/MMN são tão convincentes como oportunidades de negócio legítima quanto um travesti de esquina é convincente como mulher.

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Farsas – J.J. Rousseau e a pureza do homem primitivo (e merthiolate)

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Não importa o que disse o seu professor de história/sociologia/filosofia: Não há qualquer justificativa razoável para esta veneração à Rousseau da academia brasileira. Talvez um dos pecados das ciências humanas, ao menos do Brasil, é que elas, contaminados pelo pós-modernismo, desprezaram o conceito de verdade, rebaixado a mero “constructo social”, não se pode mais dizer que nada é verdade, tudo é relativo e a acuidade dos fatos pouco importa.

O “homem em estado de natureza” de que Rousseau falou é um homem que nunca existiu, portanto não faz sentido usá-lo de exemplo para a vida de homens de verdade. Pilhas e pilhas de vestígios arqueológicos já encontrados provam, só para começo de conversa, que o homem nunca foi solitário. Primatas sempre foram seres sociáveis que vivem em bandos, definem hierarquias de poder, e se apropriam de  território, isto inclui os primatas que vivem hoje, além do homem. A estrutura da mente humana é formada inatamente para a vida em sociedade. Nada disto, portanto, é construção cultural e muito menos corrupção.

A natureza, inclusive, não é como você conheceu no desenho da Branca de Neve (que parece ter sido a inspiração de Rousseau), ela não é abundante e não provê o bastante para todos sem que seja preciso brigar. Escassez é a regra na natureza, os animais brigam por comida em natureza o tempo todo. Estupro é só mais um meio de reprodução, para quem não teve sorte de ser o macho alfa. Fome, frio, medo e violência, isso é o dia a dia na natureza. Não haveria nem seleção natural se não houvesse escassez. A maioria desses doutores em Rousseau não suportariam passar um dia em estado de natureza, a não ser é claro com instrutores e todo equipamento necessário, em uma aventura de férias, e logo depois iriam se recuperar em um chalé quentinho, com wi-fi, escrevendo sobre a aventura num laptop. Para que continuar dizendo que um estilo de vida que você mesmo não suportaria ter é o ideal?

A vida civilizada, junto do livre comércio e da globalização, não trouxe só pequenos confortos materiais. Mesmo coisas que você hoje considera absolutamente trivial, como um analgésico para dor de cabeça ou canetas bic, só surgiram após muito estudo e trabalho que só foram possíveis em um ambiente civilizado, com paz e propriedade privada assegurados. As pessoas tendem a esquecer que muito do que elas tem hoje como básico e barato não existiu desde sempre e não surgiu espontaneamente. Até mesmo hábitos como o de escovar os dentes e tomar banho só foram possíveis num contexto em que as pessoas se preocupavam mais com a aparência, porque faziam mais comércio e era preciso ser mais sociável do que antes, e em que bens de consumo necessários para estes hábitos (a escova de dentes e a banheira) se tornaram acessíveis. E antes da nobreza, foi a burguesia, esta grande vilã do rousseaunianos e cia. limitada, que adquiriu hábitos civilizatórios que nem fariam sentido num mundo do cada um por si, ou num mundo primitivo de pequenas tribos, mais próximo do que Rousseau descrevia, apesar de jamais ter sido igual.

Com mais civilidade vieram conceitos como valorização da vida, igualdade de direitos, direito a propriedade… A vida se tornou longa e cara. Mesmo a ideia que temos hoje de infância ideal foi um fruto da melhora das condições de vida que diminuiu a mortalidade infantil que era altíssima antes de evoluções na medicina e na produção de alimentos. As famílias investem mais em seus pequenos quando as chances deles sobreviverem até a idade adulta são grandes. Falando de infância, o fenômeno do bullying já deveria ter desmoronado de uma vez por todas com a falsa noção de que a criança é “pura”. A criança merece sim proteção especial, mas não por ser pura, mas por ser fraca e ingênua, o que não tem nada a ver com pureza.

Portanto, o mundo natural que Rousseau tanto elogiava nunca existiu exatamente daquela forma, e espero que nunca chegue a existir, quanto mais próximo a ele, pior é. A vida em natureza é extremamente desconfortável e extremamente dolorosa, ao que os rousseaunianos apenas respondem que essa dor não importa porque ela é natural. Claro, que besteira se importar morrer com as pernas quebradas no meio da floresta, ruim é ser vítima do mercado de consumo.

Longe de mim dizer que tudo é maravilhoso na vida em sociedade. Na verdade, eu desprezo vários valores modernos, como o excesso de burocracia, e a impessoalidade que passa a se tornar covardia, além de excessos regulatórios do governo, que transformam qualquer liberdade individual em bem sacrificável quando a intenção é mudar estatísticas, e sinceramente não suporto a alienação e repetitividade da vida diária, e me irrita a mediocridade da opinião comum. Trocaria isso tudo por uma vida em natureza próxima ao delírio rousseauniano? Decididamente não. Civilização: ruim com ela, pior sem ela. Vale dizer que o próprio Rousseau não pretendia voltar à vida em seu suposto estado natural, se você for ler o que Rousseau sugeria que deveríamos ter como governo e estrutura social, logo entenderá porque ele é tão amado pela esquerda.

Falando em mediocridade da opinião comum, esta facilmente nos leva de volta a idade das trevas. O mundo civilizado com abundância material formou-se às duras penas, contra todas as probabilidades, e não é realidade no mundo todo, veja como estão as coisas na África e no Oriente Médio. E não se engane: Não há força alguma que nos impeça de regredir. Deixe os escritores de comentários do G1 serem legisladores, deixe deliberarem segundo seu sagrado “senso comum” e “sabedoria popular”, e nós teremos uma legislação à lá Estado Islâmico. Educação é um bem tão mal distribuído quanto comida. Um dos grandes problemas da democracia é que nela ganha quem está em maior número, e estes geralmente são os idiotas.

Essa gente reclama até que merthiolate não arde mais, o que supostamente está deixando as crianças frouxas, um valor que até coincide com as ideias de Rousseau (assumido admirador de Esparta, que ele considerava a civilização menos corrompida) sobre a dor como natural e necessária para enrijecer o caráter, algo que está no cerne do valor da “macheza”. Uma ova. Que bom que não arde mais. Na verdade, aquela coisa só ardia porque tinha mercúrio, altamente tóxico, e aquela pazinha ficava toda contaminada e infectava as crianças, por ser normalmente compartilhada. Com a lei da palmada só se incomoda quem é burro demais para educar sem elas, ou quem no fundo só queria uma desculpa para descontar as frustrações do dia batendo nas crianças. Essas mesmas pessoas bateriam na mulher, na empregada ou no próprio chefe se achassem alguma desculpa. Dor desnecessária pode e deve ser removida da vida.

Você pode atá argumentar que a ignorância de Rousseau sobre o estado do homem em natureza se deve à pouca ciência da época, ao pouco conhecimento arqueológico que tinha ao seu dispor. Mas veja o trabalho de Thomas Hobbes, que viveu antes de Rousseau. Seu ponto de vista é muito, muito mais acertado, é baseado em realidade e não em ideologia, e vale a pena ser estudado até hoje. Sua citação que ficou mais famosa foi aquela de seu livro Leviathan, em que ele descreve a vida natural como sendo “solitária, pobre, sórdida, brutal e curta”. É quase isto, errou por pouco.

Para se informar mais:

https://youtu.be/A-jIUPEqYdw

http://gizmodo.uol.com.br/os-anjos-bons-da-nossa-natureza-steven-pinker-acredita-que-a-violencia-esta-diminuindo/

http://bigthink.com/daylight-atheism/book-review-the-better-angels-of-our-nature

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