filosofia, Humano

Não tenho boca e preciso gritar

 

Qual seria a punição mais perversa para um ser humano?

A história antiga e recente mostra toda a funesta criatividade humana em criar meios dos mais sofisticados em causar sofrimento ao outro. Quebrar na roda, queimar dentro de um touro de ferro em brasas, fazer um bode lamber as solas dos pés com sua língua áspera, amarrar um cavalo em cada membro e fazer os animais correrem, despedaçando o sujeito…

Mas digamos que você seja um carrasco, encarregado de torturar pelo maior tempo possível um prisioneiro condenado por crimes graves, mas não pode usar de nada disso que foi citado. Por um motivo ou outro – sérias limitações orçamentárias, ou pressão por grupos de direitos humanos – você precisa inventar o castigo mais cruel possível sem sangue, hematomas, mutilações e, na verdade, até mesmo sem gritos. E precisa durar o maior tempo possível, não pode matar a vítima cedo. O que fazer?

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ceticismo, Educação, filosofia, Humano

I’m Back

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E peço desculpas aos poucos, mas muito valiosos, leitores deste blog, pela minha ausência inexplicada. Parei de escrever por um tempo por questões pessoais, da minha saúde mental bastante debilitada, que me forçou a fazer viagens diárias à outra cidade para tratar minha depressão com a técnica de estimulação magnética transcraniana, o que foi exaustivo e oneroso, mas o saldo final foi inequivocamente positivo. Após 16 sessões, eu estou novamente funcional, e estou feliz em estar, pretendo prosseguir com este blog, cuja escrita sempre foi um deleite para mim, e encabeçar em novos projetos, estudar e escrever obstinadamente. Eu ainda me recuso a usar o termo “resiliência”, por ser um modismo de autoajuda, e porque eu não me alavanquei sozinho para fora de minha condição de inércia patológica, como um barão de Munchausen se puxando para fora do pântano sozinho. Na verdade, pensei muito em morrer, pensei que seria melhor não existir. Mas mudei de ideia. Agradeço à ciência, e agradeço à minha família e aos meus amigos que me forneceram o apoio moral, financeiro e emocional de que tanto necessitei, bem como dos profissionais de saúde mental que me prestaram seus excelentes serviços. Eu não sou, afinal, um lobo solitário, e tão pouco um ídolo objetivista autossuficiente como os protagonistas da literatura de Ayn Rand. Mas meu fardo ainda é meu para carregar, e eu o aceito. Eu não desejo mais morrer, por mais que a ideia pareça tentadora às vezes.

E isto é bom, e não só pra mim, nem só para os meus amigos e família. Eu preciso me lembrar frequentemente que não estou nesta Terra à toa, eu tenho uma missão. E a minha missão é incomodar. Pois bajuladores e conformistas já há em excesso na sociedade, eu quero mesmo é criar problemas, só quero ter intelecto o bastante para ninguém me derrubar, e os livros que leio engrossam minha armadura. Neurótico, eu? Talvez. Mas os neuróticos também são necessários. Alguns homens parecem ter vindo à terra para viver a vida de uma bromélia, e seguir uma cômoda obediência bovina. O que os marxistas não querem admitir é que a maioria dos homens adora ser alienado, quer mesmo saber o mínimo necessário e considera conformismo uma virtude cívica. E não se engane: Não só nas fábricas, não só entre os pobres. Mas não, eu não. Não sou super-homem nietzchiano, nem sou livre de fraquezas, mas eu tenho coragem, e optei por viver e fazer algo que valha a pena neste mundo. E é preciso ter no lugar em que me encontro.

Falo do ambiente acadêmico. Eu vejo que há um excesso de “doutores” em besteirol por aí. Hoje mesmo, em uma emética palestra de direitos humanos na faculdade (na qual, estranhamente, quase não se falou de direitos humanos) a velha ladainha: As doutoras (de merda) discursando seus refrões enlatados de justiça social. Meu amigo, que sentava ao lado, comentou: “Parece que em toda palestra eles querem nos fazer sentir vergonha de sermos brancos.”. E é verdade. Quando vemos episódios lastimáveis como o que ocorreu recentemente em Virgínia, nos EUA, de manifestações de neonazistas, que chegaram até a matar uma pessoa, não nos esqueçamos que muito do combustível destes movimentos é o tal “efeito mola”, de radicalismo de um lado levando a radicalismo do outro, também conhecido como a “ferradura”. A histeria das SJWs piradas alimentam a ira dos neonazistas e vice-versa, num círculo vicioso boçal.

As doutoras de merda que tive o desprazer de assistir hoje, foram daquelas que querem a todo custo impor a já há muito desprovada teoria da tábula rasa: Tudo é construção social para estes loucos. Em nome da tal justiça social, toda verdade científica pode e deve ser sacrificada. Toda opção que a mulher toma, nesta visão deturpada,  considerada é fruto de uma grande conspiração do patriarcado. Céus, eu juro, em dado momento, se disseram indignadas por terem procurado “brinquedos de menina” no Google e visto só bonecas e coisas cor-de-rosa. Quem diria, não? Ah sim, todo o discurso vitimista convenientemente se esquivando da questão do islamismo, a religião mais misógina (no sentido estrito do termo) do mundo, mas que o politicamente correto decretou imune à crítica. Quando terroristas invadiram a redação do Charlie Hebdo e assassinaram os cartunistas, Glenn Greenwald foi logo dizer que a culpa foi dos cartunistas. Aliás, após tomar coragem de pegar o microfone na sessão de perguntar e comentários e expor minha opinião, me chamaram de indelicado por ter dito que as teorias das palestrantes são anticientíficas. Falei foi pouco. Fui delicado demais.

Enfim, sem entrar em detalhes desnecessários, eu preciso continuar vivo, para ter meu doutorado também, e o meu não será em “justiçagem social” embasada em pseudo-ciência, não senhor. Minha ideologia é a razão. Estamos num país em que homeopatia é especialidade médica, um congresso supostamente laico tem espaço para uma bancada evangélica, um ex-presidente condenado por crimes graves é adorado por multidões que o consideram vítima independente das montanhas de evidências de sua canalhice, criacionismo corre o risco de entrar no currículo de biologia como alternativa à evolução, e falando em educação,a questão educacional virou uma espécie de cabo de guerra de fanáticos religiosos contra pós-modernistas e marxistas por quem tem direito a impor sua agenda ideológica nas escolas. Ideologia de gênero vs. cristianismo. Que tal nenhum deles? Que tal a ideologia da razão?

Minha personalidade não é nada comedida, nada moderada, como alguém poderia associar imediatamente ao apreço pessoal à racionalidade. Não, pelo contrário, eu tenho um emocional complicado, e sou bravo. E acho que preciso ser bravo. Eu sou dos que admiram a razão e a ciência legítima, que acham que academia é lugar para esta, e não para politicagem, a verdade não é relativa ou socialmente construída e jamais deve ser condicionada aos interesses da ideologia da moda, e só a verdade liberta. Sou também daqueles que querem uma economia verdadeiramente livre e próspera, e sabem que isto só se faz com estímulo ao empreendedorismo, com redução de entraves burocráticos e fiscais, e acima de tudo com mérito ao estudo e ao trabalho, com mérito aos feitos do indivíduo, o indivíduo, sim senhor, que não é um mero ponto acéfalo em uma massa chamada sociedade, cujos interesses podem ser sacrificados aleatoriamente para atender alguma agenda escusa de um ideólogo idiota.

Não sou objetivista, nem me considero bem libertário, mas definitivamente não sou socialista. Cada indivíduo é um universo, seu ser é determinado antes de mais nada por sua condição biológica, e esta determina várias de suas facetas, mas além desta, é a somatória de fatores únicos que se passam em sua vida que o tornam singular, que fazem de sua mente idiossincrática. O potencial de um ser humano não é infinito, mas é único. Este ser não é derradeiramente livre, não no sentido teológico, ilógico, que viola as leis da causalidade, como se o cérebro fosse uma quarta dimensão independente das leis da física. Mas é livre no sentido de seguir seus anseios, suas paixões, seus impulsos, e estes estarem em alguma medida mediados por seu conhecimento e sua capacidade racional. Livre-arbítrio? Corte o arbítrio. Por que não apenas “livre”?

E ideologia? Eu acredito em razão, esta é minha ideologia, e isto me faz membro de uma minoria, uma de verdade, não uma minoria do PSOL, uma pequena minoria, mas não calada.

Eu não sou um gênio, e nem estou certo de ser muito inteligente, apenas subo no ombro de gigantes, não de anões, como é o caso dos doutores e doutoras em baboseiras, e procurarei meu lugar ao sol assim. Estou vivo. E é bom estar vivo. Quem não está contente… Bem, como disse, posso ser racionalista, mas tenho um temperamento intempestivo, então mais uma vez tomo aquela frase atribuída ao também intempestivo (e como!) Marquês deSade. Não admiro em nada sua irracionalidade e perversidade, mas sim sua coragem em desafiar o convencional e jamais disfarçar quem é, em desafiar, sempre desafiar, ainda que acabasse preso antes e depois da Revolução, pois não foi capaz de se adequar à mentalidade nem da monarquia, nem do Império de Napoleão. Nem a monarquia nem Napoleão calaram Sade, e nem o politicamente correto (e nem a depressão) me calarão, se quiserem combater minhas ideias, melhor terem ideias melhores, pois não me calarei por delicadeza.

“…repito: matem-me ou aceitem-me assim, porque eu jamais mudarei.”

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filosofia, Humano, saúde

Vamos Falar Sobre Depressão

depression

Já faz um tempo que eu quero fazer um post sobre o assunto. Eu sofro dessa doença há muito tempo, e apenas recentemente obtive remissão, que inclusive é um dos motivos desse blog existir. Várias pessoas acreditam haver um elo entre depressão e criatividade. Não sei não, comigo é o contrário, depressão não me deixa com vontade de fazer nada, me deixa completamente apático, eu não crio nada pois tudo me parece desinteressante. Isto é o que depressão normalmente faz: Te faz um nada.

Primeiramente, um apelo: Quando não se sabe nada sobre um assunto, não dizer nada é uma alternativa perfeitamente válida e honesta. Se algum amigo lhe disser que tem depressão, e você não souber o que falar, não fale nada. Às vezes, as pessoas compartilham os problemas com os amigos pois se sentem melhor assim, não porque exigem uma solução imediata. O melhor que você pode fazer é continuar sendo amigo, conversando com frequência, e convidando ele para eventos sociais, até sendo um pouco insistente, pois pessoas com depressão frequentemente perdem a vontade de sair de casa. Mas por favor, só não seja babaca.

Babaquice e negação da ciência são algumas das maiores ameaças aos deprimidos. Há um grande tabu sobre a ciência interferir na mente, como se a mente, e o órgão que a abriga, fosse uma espécie de território proibido para a ciência; tratam o cérebro não como se fosse um órgão do corpo humano como os demais, sujeito a disfunções bioquímicas, mas como uma espécie de dimensão paralela dentro do crânio, independente da realidade física (fantasma na máquina) e, pra piorar, a educação sobre saúde mental no Brasil é praticamente nenhuma. Quando muito, nas aulas de biologia do colégio aprendemos sobre mal de Parkinson e Alzheimer. E as pessoas, ignorantes,  ao invés de ajudarem, ou ao menos não atrapalharem, dão todo tipo de conselho babaca para os amigos e parentes deprimidos. Falam que é falta de sexo, que isso é só preguiça, que é uma fase que vai passar, que só o que precisa querer ficar melhor (mais ou menos como dizer a um paraplégico que só o que ele precisa é ter vontade de levantar da cadeira de rodas e sair correndo) ou de tirar umas férias, isso se não vierem com alguma teoria conspiratória de que a depressão foi uma doença inventada pela indústria farmacêutica para vender remédios para pessoas tristes… Vou repetir, se não tiver nada útil a dizer, não diga nada.

O filósofo Albert Camus, que tratou muito do tema suicídio (segundo ele, o problema filosófico mais importante de todos) já avisava: Às vezes, uma pessoa pode passar meses ou anos com sintomas depressivos mas não se matar, mas aí algo acontece, como um amigo o tratar com indiferença, e ele comete suicídio. Quando você fala pro seu amigo com depressão que ele é só um preguiçoso fracassado que tem que tomar vergonha na cara, você pode estar sendo este gatilho.

Depressão é doença séria, e trata-se com remédios.  A causa é bioquímica, um déficit de neurotransmissores que regulam o estado emocional, em especial a serotonina, norepinefrina ou noradrenalina, e dopamina. Há várias classes de medicamentos, como os SSRI, inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como o famoso Prozac (fluoxetina), e também o Zoloft (sertralina) e Escitalopram, além dos SNRI, que também inibem a recaptação de noradrenalina (isto é, impede que o organismo “recicle” este neurotransmissor, aumentando a concentração dele na fenda sináptica) como o Efexor e o Cymbalta, e os antidepressivos atípicos, como o Wellbutrin (bupropiona) e Remeron (mirtazepina), este último ainda tem a vantagem de ajudar no sono e estimular o apetite (o que pode ser bom ou ruim, dependendo do paciente), e funciona muito bem quando tomada junto do Efexor: O coquetel, nos EUA, foi até apelidado pela comunidade médica de California Rocket Fuel. Muitos destes remédios citados tem genéricos disponíveis, e alguns são fornecidos pelo SUS. Se você não tiver convênio, nem dinheiro para pagar o particular, procure um médico do SUS, mas procure.

Não é raro o primeiro ou o segundo remédio não dar certo, seja como for, não desista do tratamento, volte ao médico e tente de novo, ele pode aumentar a dose, tentar um remédio novo, ou tentar adicionar um outro remédio para aumentar o efeito do antidepressivo (efeito sinérgico), como um estabilizador de humor, ou mesmo um estimulante, destes usados para tratar déficit de atenção, como o Venvanse (lisdexanfetamina). As diferenças do corpo e mente de uma pessoa para outra significam que nem sempre um remédio ou coquetel vai funcionar bem para todo mundo. Mas ignore os teóricos da conspiração: Todos os antidepressivos no mercado passaram por testes clínicos e se provaram superiores em eficiência ao placebo, em proporção clinicamente significativa. Algumas pessoas, especialmente aquelas com depressão mais branda, conseguem melhorar sem medicação, apenas com psicoterapia (que é bom como complemento) ou “medicina alternativa”. Isto é questão de sorte. Eu recomendo não perder tempo. Não brinque com uma doença que está sugando a sua vida e pode levá-lo ao suicídio.

Existe, é verdade, depressões de diferentes tipos, dois em especial: A exógena, que é causada (ou seja, o que provoca o desequilíbrio químico em primeiro lugar) por algum fator externo identificável, como um trauma muito grande (a morte de alguém muito próximo, um estupro, um sequestro), condições de vida muito estressantes, ou uma mentalidade muito negativa; e a endógena, que surge sem nenhuma explicação. Também acontece da mulher ter uma crise depressiva logo após dar a luz, a depressão pós-parto. As mais difíceis de tratar são aquelas ligadas a outro problema psiquiátrico, como um transtorno de personalidade, ou uma esquizofrenia. Comorbidade com ansiedade é extremamente comum. Todos os casos devem ser tratados, principalmente, com medicação. Idealmente, o psiquiatra, além de prescrever remédios, deve pedir um exame de sangue para ver se os sintomas depressivos não são causados por outro problema físico, como falta de vitamina D, hipotireoidismo ou baixa testosterona. Mas geralmente é desequilíbrio de monoaminas (neurotransmissores) mesmo.

Ao contrário do que muitos pensam, depressão não é algo muito relativo nem é “patologização do cotidiano”, existem critérios objetivos para avaliar se uma pessoa tem ou não depressão, ou se ela não está “apenas” triste. Aliás, nem sempre depressão se manifesta como tristeza, às vezes o comportamento que mais se nota no deprimido é irritabilidade (especialmente em crianças, mas não apenas) ou, no meu caso, completa apatia. Isto é, eu, deprimido, me sinto um verdadeiro zumbi, uma casca vazia, que quer apenas deitar na cama e esperar para morrer.

Tempo é um critério importante no diagnóstico: Ficar triste porque o seu amigo morreu num acidente de carro, ou porque a sua namorada te deixou, é normal. Continuar pra baixo, sem vontade de fazer nada, meses ou até anos depois do evento, não é. Existem escalas para medir a gravidade da depressão, e alguns testes são feitos para o próprio paciente responder, inclusive testes online, se você tiver alguma suspeita. Os testes existem e são usados até hoje não porque são infalíveis, mas porque acertam mais do que erram, e são uma ótima coisa a se fazer se você  estiver em dúvida e quiser saber se está na hora de procurar ajuda. Um deles é  este, o MDI, Major Depressive Inventory, que é e recomendado pela organização mundial da saúde, mas está em inglês. Mais alguns testes que você pode tentar, em português:

https://www.psiquiatrajoinville.com.br/como-identificar/inventario-de-depressao-de-beck/

http://psico-online.net/consultorio/teste_ava_depressao.htm

Psicoterapia é interessante, se você puder fazer, além da terapia medicamentosa, e costuma aumentar as chances de sucesso no tratamento, mais do que apenas remédios, além de prevenirem a volta dos sintomas, após a remissão (cura). Psicólogos não são todos iguais, e a abordagem que comprovadamente tem maior sucesso para ajudar no tratamento de depressão, e evitar remissão, é a terapia cognitivo-comportamental (TCC). O psicólogo ajuda, principalmente, a identificar padrões de pensamentos automáticos negativos que fomentam a depressão (pensamentos do tipo “eu sou um lixo”, “eu não valho nada”, “o mundo é horrível”,”o ser humano é podre”), além de ajudar o paciente a organizar a vida, ser mais disciplinado, mas sem deixar de fazer as coisas que gosta, e ter melhor relacionamento com as pessoas. A TCC é uma abordagem voltada à resultados, e interativa, em que o paciente não apenas fala, mas recebe tarefas, que podem ser coisas simples que evitam hábitos ruins, como fazer listas de coisas para fazer. Não é recomendada apenas para deprimidos.

Uma última coisa, algo que eu quero deixar bem claro: Depressão não é “parte da personalidade” de ninguém, e não é nada chique, e nem um indicativo de uma visão de mundo mais madura e desenganada, e eu vejo claramente uma tendência de glamorizar a depressão, ou torná-la algo típico de gênios, mais ou menos como era com a tuberculose no século XIX. Existiram pessoas geniais que tiveram depressão, o mais famoso no mundo das artes é o pintor Van Gogh, assim como os filósofos Nietzsche e Schopenhauer, e é claro que devemos admirar estas pessoas por seu sucesso, mas o que há de se admirar nelas é exatamente que conseguiram ser tão produtivas apesar da depressão, não por causa dela, e tratar depressão não torna ninguém medíocre. Na verdade, acho que nunca fui tão medíocre quanto quando estava em profunda depressão.

Muitas das visões de mundo de Schopenhauer, como a de que prazer nada mais é que uma mera supressão de necessidades, a vida é um episódio não lucrativo (ou seja: não vale a pena viver) e de que socialização é perda de tempo, são exemplos típicos de tentativas um deprimido extremamente inteligente  racionalizar seu sentimento em pensamentos equivocados, ainda que bem escritos, mas mesmo assim equivocados. Uma opinião não é certa só porque é trágica. Se você tem depressão, fuja deste tipo de coisa.


Mais referências:

http://folha.com/no1838728

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