Educação, filosofia, Humano, sociedade

Arte, Entretenimento e “Alienação”


Acho que todos nós já tivemos um professor comunista chato de galochas, daqueles que acham que toda e qualquer obra de arte que visa o entretenimento é errada de alguma maneira, e talvez nem mereça ser chamada de arte. “Novela?! Alienação, para imbecilizar o povo!”, “Esses Transformers e Batmans e Esquadrões Suicidas: pura propaganda imperialista estadunidense…” Aliás, quer uma dica para pegar um cinéfilo falso, poser? Pergunta o que ele acha do cinema americano. Da forma mais genérica possível, “cinema americano, você gosta?”. Se vier com papinho de que é tudo filme comercial, e arte comercial não é arte de verdade, que só filme argentino que passa em mostra de cinema no Memorial da América Latina é que é arte de verdade…. Nem dê trela pro sujeito. Ou ainda, se quiser embaraça-lo um pouco, lembre-o que O Poderoso Chefão é cinema americano também.

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filosofia, Humano, Política, sociedade

“Arte” Moderna: Um Infiltrado Entre As Bacantes

bacantes pepe

Como já narrei, agora faço um curso de história em uma universidade brasileira (que por aqui chamo Universidade de Gothan). O curso não é sem prazeres, mas também não é sem moléstias, e uma delas é a cota de horas de atividades complementares que todo aluno é obrigado a fazer até a graduação, atividades que podem incluir peças teatrais.

Vi que estava em cartaz a peça Bacantes de Eurípedes no Teatro Oficina em São Paulo. Cinco horas e meia de peça. Eu já esperava ser uma merda, mas cinco horas e meia me ajuda bastante a bater a minha cota. Fui à peça. E não me enganei, é uma bosta retardada mesmo. Mas não me arrependi, valeu pelas horas. E por este post.

O meu integrador acadêmico, o Lamar, é um esquerdista pós-modernista e já se disse fã do Zé Celso. Então é claro que não serei louco de falar mal da peça no relatório. Mas tenho vontade de falar mal. Então, farei uma espécie de caixa-dois: Aqui no blog, vai minha verdadeira opinião. Para o senhor Lamar, vou escrever o que ele quiser ler. E ainda vou escrever completamente bêbado.

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ética, filosofia

Arte comercial: Eu sou a favor

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Antes de mais nada, um aviso de como pegar um falso cinéfilo: Pergunte a ele o que ele pensa sobre arte que é feita visando o lucro. Se o sujeito desconsiderar completamente esta forma de arte, e disser que filmes iranianos (ou brasileiros, ou qualquer nicho) é que são arte de verdade, enquanto filmes “hollywoodianos” são só comércio, por favor, não dê bola para o sujeito, é só um pós-modernista esnobe. A maioria das críticas que se ouve sobre englobar games ou séries de TV no conceito de arte também são neste sentido, não esclarecem nada sobre o conceito de arte, é apenas a velha ladainha anticapitalista dos pós-modernistas.

Não importa o que você, ou eu, ou a academia pensemos sobre o real significado de arte, ou se ela deve agradar ou não, aliás, eu duvido que você encontre duas pessoas com a mesma definição. O fato é que se a sua definição de arte descartar tudo que foi feito com fins lucrativos, o problema não é da indústria, é seu. Sim, porque você estaria desprezando até mesmo clássicos de todos os tempos como Laranja Mecânica, O Poderoso Chefão, e tantos outros.

Eu não penso que arte tenha que ser algo 100% independente, que para ser arte de verdade o artista tenha que estar se lixando para o público, e fazer algo tão incompreensível que só alguém com pós-doutorado possa compreender. Parece que, para certas pessoas, arte só pode dar dinheiro sem querer.

Meu caro, pegue uma bela produção de Hollywood, e ela irá tocar os seus sentimentos de diversas maneiras, você pode chorar, você pode ficar com raiva, medo, e se não lhe faltar o senso de empatia, pode sentir-se mal pelos personagens em suas dificuldade. Hollywood (e outros locais em que se produz cinema) está cheia de artistas talentosos que sabem contar uma boa história, rica em detalhes, intrincada, mas não incompreensível. A maioria dos filmes que vêm logo à cabeça quando se pensa em cinema comercial e arte comercial em geral, como Saga Crepúsculo, filmes da DC e Marvel e Transformes, são feitos para o público adolescente, que em média querem só besteirol mesmo. Felizmente o público do cinema não é apenas de adolescentes.

Mas não existe um único tipo de pessoa que vai ao cinema, que compra livros, ou que ouve música, e também não existe um só tipo de pessoa que compra games, de forma que o artista pode ser autêntico sem necessariamente agradar a todos. Pegue um filme recente como A Bruxa, que é bastante “parado” e veja o quão pouco em comum ele tem com outro sucesso recente, Deadpool além do fato de que alguém teve que convencer um estúdio a comprar a ideia, e conseguiu. Há muita variedade no cinema comercial. Não sei como um ramo de produção artística que permite expressão de tantas formas possa ser falso. Nos games também.  Esta mídia – que tem conseguido abarcar um público muito maior do que nos anos 90 – também está experimentando mais, vide o sucesso de jogos esquisitos no Steam e PSN, como Goat Simulator, sem falar dos mais jogos mais cabeça como a série Metal Gear Solid, com suas densas narrativas, e Silent Hill, cheios de simbologias.

Acho que o sucesso destas obras de arte é serem apreciáveis pelo grande público, mas ao mesmo tempo oferecerem algo mais para quem gosta de usar a cabeça. Você pode até ter saído do cinema após assistir Inception (A Origem) ou Interstelar sem entender muita coisa, mas você com certeza saiu com a sensação de ter visto um “filmão”. E como negar a genialidade dos filmes de Tarantino? Que são filmes relativamente fáceis. Ser incognoscível não é sinônimo de ser inteligente, ou mesmo de ser profundo. Os pós-modernos insistem em tratar o cinema comercial e arte comercial em geral como se fosse tudo a mesma coisa, que é mais ou menos como dizer que todo restaurante é fast-food.

Pior ainda é o que estes sujeitos, com os quais eu não simpatizo nem um pouco, sugerem como substituto para a arte comercial: A arte “engajada”, ou seja, o que os intelectuais politicamente corretos, em sua arrogância, acham que o público deveria assistir para ser educado, porque ele é burro demais para escolher o que é bom para si próprio, está apenas sendo enganado para pensar que quer aquilo, como ensinava Foulcault (mais ou menos). Quando você ouve falar de noções de “cidadania” em novelas da Globo (porque as pessoas são tão estúpidas que vão fazer tudo o que aparece na novela, alguns pensam), aí você vê como estes sujeitinho são preconceituosos, ainda que publicamente abominem o preconceito. Isso sim é uma arte escrava, a “arte politicamente correta cidadã” feita para realizar um plano de engenharia social.

Uma grande parte da arte feita com recursos públicos, incluindo aí peças de teatro e shows, não são feitas para o agrado do público, são feitas por intelectualoides pós-modernistas em suas torres de marfim, que passam o dia cogitando o que a massa deveria assistir para ser mais “consciente”, ou seja, para seguir sua agenda ideológica. Daí vemos o excesso de filmes e peças para retratar a miséria do povo, documentários sobre a cultura do grafite e etc. Sem falar da “sacanagem em nome da arte”: Apenas busque no Google pela peça “Macaquinhos” e você entenderá porque as pessoas ficaram nervosas ao saber que o dinheiro dos seus impostos estava financiando aquilo.

Falando em arte subversiva, ela sempre existiu e foi perfeitamente possível sem qualquer apoio governamental, como foi o caso dos romances do Marquês de Sade, ou, para usar um exemplo mais moderno, os filmes de John Waters como Pink Flamingos. Basta que não esteja sendo financiado publicamente que ninguém tem nada a ver com isso, problema é de quem compra o ingresso. Em lugar nenhum é preciso que o governo “fomente” a arte, ou ajude o público a consumir arte. Quando as pessoas querem, elas conseguem.

Seria sim muito bom se mais pessoas pudessem apreciar conteúdo mais inteligente, o que pode acontecer com a melhoria das condições de educação, algo que eu não sei se vai acontecer. Até lá, eu só posso ficar feliz por maravilhas como De Olhos Bem Fechados e Taxi Driver poderem ter sido comercialmente viáveis.

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Incarnação do Mal 2 e Cinefilia

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Se você ainda não assistiu, vá. Eu fui ao cinema ontem à noite assistir este filme, que me proporcionou uma experiência estética completa. Difícil descrever em palavras. Fiquei pasmo, boquiaberto, nem pisquei. O 1º já foi muito bom, mas este é uma verdadeira obra prima. Na minha frente, na fila, tinha um grupo de três meninos que pareciam ter uns treze anos no máximo, o funcionário do cinema, depois de conferir seus documentos, disse-lhes: “não vão fazer bagunça”. E não fizeram, ainda bem. Mas estou convicto de que não dormiram esta noite. Este é um filme seríssimo, vá e não converse nada durante o filme, por favor, nem mexa no celular, não olhe no relógio, não faça nada, foque no filme. Na verdade nesta noite, depois de já ter saído de casa, percebi que meu relógio tinha parado, que bom. Mas pode gritar nas cenas de sustos, ninguém é de ferro, soltei vários “puta que pariu”. Meu amigo que foi comigo não gritou, ele é de ferro.

O motivo pelo qual os cinéfilos, na média, são bem menos arrogantes que os bibliófilos (ou nem são arrogantes) é que eles não conseguem simplesmente desprezar o cinema mainstream, aquele que todo mundo assiste. Os gênios do cinema conseguem fazer um filme que seja ao mesmo tempo comercialmente viável e inteligente, belo, intrigante, algo que se pode chamar de arte sem pensar duas vezes, por mais que dizer o que é arte seja difícil. Ainda não nasceu um cinéfilo capaz de dizer que O Poderoso Chefão não é arte. Quem diz que “filme de Hollywood” é um lixo, alienante, capitalista, imperialista e etc. não é cinéfilo.

Update: Essa estrelinha que o Adoro Cinema não deu pro filme, eles que enfiem no cu http://www.adorocinema.com/filmes/filme-222796/criticas-adorocinema/

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