Educação, filosofia, Humano, sociedade

Arte, Entretenimento e “Alienação”


Acho que todos nós já tivemos um professor comunista chato de galochas, daqueles que acham que toda e qualquer obra de arte que visa o entretenimento é errada de alguma maneira, e talvez nem mereça ser chamada de arte. “Novela?! Alienação, para imbecilizar o povo!”, “Esses Transformers e Batmans e Esquadrões Suicidas: pura propaganda imperialista estadunidense…” Aliás, quer uma dica para pegar um cinéfilo falso, poser? Pergunta o que ele acha do cinema americano. Da forma mais genérica possível, “cinema americano, você gosta?”. Se vier com papinho de que é tudo filme comercial, e arte comercial não é arte de verdade, que só filme argentino que passa em mostra de cinema no Memorial da América Latina é que é arte de verdade…. Nem dê trela pro sujeito. Ou ainda, se quiser embaraça-lo um pouco, lembre-o que O Poderoso Chefão é cinema americano também.

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Explicando Alienação com Beakman (e Lester, o ludita)

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Os anos passam, e os marxistas continuam falando da tal alienação com o mesmo tom tenebroso com o qual os cristãos devotos falam de “pecado”. Geralmente remetendo-se ao filme Tempos Modernos de Chaplin como ilustração do suposto problema, o professor marxista lamenta como os trabalhadores das fábricas, ignorantes, passam o dia a fazer tarefas repetitivas para montar coisas que nem eles sabem o que são…

E não se espante se o tal professor (que aqui apelidarei de “Professor Mexerico”) falar deste assunto auxiliado por uma apresentação de PowerPoint projetada na lousa ou em uma tela com um datashow. Que coisa, não? Quanta tecnologia para criticar a especialização de tarefas que possibilita a tecnologia. Afinal, professor Mexerico, saberia o senhor montar, peça por peça, o computador e o projetor que usas para dar aula? Mesmo que se conforme com uma solução mais low-tech, você também provavelmente não saberia fabricar o giz, o apagador e a lousa,  acabaria colando as mãos enquanto tenta montar a madeira, e martelando o dedo também, e perderia tempo que poderia estar dedicando aos seus queridos livros de Marx e Foulcault….

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Alienação

É comum ouvir que a mídia aliena as pessoas. Será? Acho que
o que está por trás do fato da mídia oferecer tanto entretenimento vazio, como
novelas e futebol, é o bom e velho mecanismo de mercado, entregando às pessoas
o que elas querem, e não parte de uma conspiração para manter as pessoas
alienadas à política e outras coisas importantes.

Acho que informar-se sobre política é uma espécie de hobby
que alguns têm (como eu), e não algo que todo cidadão deveria se sentir
obrigado a fazer. Como eu já disse no meu post sobre o problema da democracia,
participar politicamente não deveria ser nem uma obrigação, nem um direito. E
daí se você chega cansado do trabalho e quer desligar o cérebro, consumir
entretenimento vazio, até ignorante?

Acho muito chato este moralismo barato de querer dizer às
pessoas o que elas podem ou não fazer em seu tempo livre. Dizer que uma pessoa
não tem o direito de se desligar depois de um dia exaustivo de trabalho chega a
ser grosseria, é quase cruel. Similar ao que fazem alguns médicos (não os meus)
que praticamente intimam as pessoas a frequentarem academias depois do
trabalho, ou os nazistas do RH, com seu bicho papão chamado “ponto de conforto”,
dizendo que as pessoas deveriam sair do trabalho exaustas e irem direto fazer
algum curso, querendo ou não. Vão catar coquinho.

A televisão, apesar de ser a mais acusada pelos moralistas
da ciência social de ser a grande força alienadora, nem é a mais querida. Hoje
em dia a TV aberta parece ser a opção de entretenimento apenas da camada mais
pobre da população, de todo mundo que não tem dinheiro para pagar por TV a cabo
ou uma boa conexão com a internet e uma conta do Netflix. Os adolescentes de
classe média e acima já sentem muito mais identificação com YouTubers como
Felipe Castanhari do “Nostalgia” e León do “Coisa de Nerd” do que com qualquer
apresentador de TV. Os intelectualoides que ficam reclamando de baixaria na TV,
no fundo, são uns arrogantes que consideram a classe baixa acéfala, e que por
isso eles, os superiores, deveriam decidir o que esta classe pode ou não
assistir. A vontade de cada indivíduo é um mero detalhe insignificante, que
pode e deve ser sacrificado para cumprir algum grande plano que o
intelectualoide tenha bolado em sua torre de marfim.

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