filosofia, Política, sociedade

Armas: Minha Opinião

 

Eu não tenho problema algum em defender uma posição extrema caso seja esta a posição mais verdadeira. A verdade nem sempre está na opinião mais “diplomática”, que dá um pouco de razão para cada um. Mas na questão das armas – ou melhor, da posse e porte de armas por civis – eu realmente dou um pouco de razão para cada um dos lados da discussão que se inflama sempre que há tragédias como a mais recente, em Las Vegas, em que um homem num quarto de hotel, com uma arma automática, atirou numa multidão em um show, ceifando quase 60 vidas e deixando incontáveis feridos. Eis minha opinião sobre armas, no Brasil e no mundo.

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Alguém me diz como faz pra incluir o Computações Anômalas no paquete?

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Quem Gosta de Liberdade de Expressão?

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Será que alguém gosta de verdade?

Vou começar com uma piada. Cretina, mas serve para ilustrar a  questão, eu prometo:

O pirata novato, em seu primeiro dia na tripulação, pergunta ao outro pirata: “Mas afinal, nós vamos ficar meses em alto-mar, sem nenhuma mulher por perto… Como vocês costumam fazer para aliviar a vontade sexual?” E o outro pirata responde “Ah, é só ir lá naquele barril e enfiar o seu pinto no buraquinho. Experimente, é uma delícia”. O pirata foi, e achou uma sensação deliciosa aquele buraquinho, sensacional, poderia aguentar a viagem numa boa daquele jeito. E foi ao barril novamente no dia seguinte, no outro, e no outro… Até que chegou segunda-feira, e ele acordou sendo carregado pelos outros piratas para o convés. “Ei, o que está acontecendo?” Pergunta o pirata novato. “Hoje é seu dia de ficar no barril”.

E o problema da liberdade de expressão? É que só se é a favor dela até chegar a vez de ficar no barril. É como democracia, no fundo ninguém gosta muito. O cristão, que vive reclamando da mordaça do politicamente correto, só aceita liberdade de expressão enquanto não diz nada desagradável sobre a religião dele, e de preferência que também não ofenda a moral e os bons costumes, porque afinal, liberdade de expressão tem limites, os limites deles. Para parecer razoável, até diz que as outras religiões também tem direito de se expressar. Nossa, quanta gentileza! E os ateus? Ah, tudo bem, contanto que se expressem entre si apenas. Inclusive, são cheios de protestos contra a doutrinação nas escolas, mas são cheios de querer meter a bíblia no meio das apostilas. Professor de biologia dar aula de criacionismo, aí sim é liberdade de expressão. Só que liberdade de expressão por conveniência não merece ser assim chamada. Se nunca é sua vez de ficar no barril, então você não é à favor dela.

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Steven Pinker: Os Anjos Bons da Nossa Natureza

 

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Estamos vivendo tempos tumultuosos, bárbaros, ao menos em relação com o que nos permitimos acostumar no passado recente. Mais um atentado terrorista na Europa, como de costume uma cortesia da “religião da paz”, e dessa vez na Inglaterra. No Brasil, a nauseante sucessão de reviravoltas da crise política culminou em manifestantes comunistas fazendo protestos truculentos em Brasília, pagos por entidades sindicais, depredando ministérios e até mesmo iniciando incêndios, para reclamar depois que a polícia não foi suficientemente delicada. Reacionários idiotas pedem um novo golpe militar, e a CUT trata de providenciar justificativas. É, as pessoas estão perdendo as estribeiras. A violência está voltando à política de nosso país. Para quem quiser manter a sanidade nestes tempos de barbárie e tentar ver algum sentido, resta estudar, e procurar os autores sensatos. Não, o problema no mundo não é falta de amor: Falta no mundo inteligência, falta razão.

O que não falta ao cientista cognitivo norte-americano Steven Pinker, que em 2011 lançou  Os Anjos Bons da Nossa Natureza: Como a violência diminuiu. Este é o livro da minha vida. O deleite que tive ao ler as páginas de Pinker, com seu estilo denso, detalhado e preciso, mas tão claro quanto possível, me auxiliaram tremendamente a lidar com uma das piores e mais longas crises depressivas de minha vida. Os Bons Anjos reacendeu meu interesse por história, que eventualmente me levou a cursar uma faculdade de história na qual estou, reacendeu também meu gosto pela leitura (praticamente todos os meus gostos estavam mortos quando estava nesse período), não só a ler mais do mesmo autor, mas de outros que escrevem assuntos correlatos. E não seria exagero dizer, Pinker ajudou a moldar meu caráter, mesmo bem depois da maioridade, suas análises desafiaram minhas noções de ética e meu entendimento de mundo, é o tipo de autor que força você a fazer uma reavaliação dos conceitos.

O título é ousado pois a opinião comum é que o mundo nunca esteve tão violento. Balela. “Tempos áureos” é uma ilusão. As chances de qualquer pessoa em qualquer lugar no mundo sofrer uma morte violenta ou sofrer qualquer tipo de violência – como um roubo, um estupro, ser torturado e executado por pequenos crimes ou recrutado para lutar numa guerra – aumenta quanto mais se volta tempo, assim como também é notável que a sociedade era menos sensível à violência e pouco prezava pela paz.

Claro que Pinker foi acusado de ser uma Poliana, ingenuamente otimista, de ver a atualidade de um jeito muito pink (desculpe, não resisti ao trocadilho), de achar que paz equivale a shoppings com ar condicionado… E pode ter certeza que a grande maioria destes críticos não leram o livro, ou leram sem fazer o menor esforço de entender. Criticar é válido, sempre, mas não com total ignorância do que se está falando.

Pinker não é um “positivista”, que acredita num rumo comum que todas as civilizações seguem, um progresso rumo à paz que seria tão inevitável quanto a entropia do universo. Pelo contrário: Sua análise retrata a paz com um fruto conquistado às duras penas pela civilização. Custou um tanto de sorte. E apesar do mundo, como um todo, estar bem menos violento do que no passado, mesmo em relação a 100 anos antes, não é de maneira alguma homogeneamente pacífico, óbvio, e nem é esta tendência irreversível. Nós temos, sim, motivos para temer com revezes como os dessas últimas semanas. Mas não para nos desesperar.

As análises sociológicas de Pinker são embasadas por rigorosos estudos estatísticos, valendo-se de dados sobre homicídios no mundo todo de séculos atrás, elaborando sua teoria também com base em relatos históricos, da literatura, de achados da arqueologia… Ele não dá ponto sem nó. Ao contrário do que outros críticos disseram, fazendo a imortal falácia ad-hominem, Pinker não acha que o mundo se restringe ao seu confortável ambiente acadêmico norte-americano,  ele não ignorou ou menosprezou a violência nos países em desenvolvimento, mas procurou entender o que deu errado neles e o que poderia ser feito para melhorar.

Não se preocupe, o livro não é extremamente complicado, e não precisa ser bom em matemática para entendê-lo, ou eu mesmo não teria entendido, mas precisa de atenção. O mérito do autor é ter se baseado  em ciência. Sim, ele pode ter cometido equívocos (e num estudo desse tamanho, dificilmente não se comete erros), e ninguém jamais deve estar imune à críticas. Mas definitivamente estes possíveis erros não foram por desonestidade, ou por nem estar tentando trabalhar sério, ou seja, por falta de uma metodologia rigorosa. E o que não falta por aí são análises sociais baseadas em achismo. Mas para os rabugentos, achismo é o que vale, só o fato de se basear em números, ainda que parcialmente, já é um erro. Comentou o Pondé :”Mesmo a “estatística do bem” só convence quem crê em estatística aplicada a seres humanos. ” Claro, Pondé, estatísticas são uma besteira, vamos interpretar a sociedade de acordo com a bíblia, como você julga mais correto, isso sim é inteligente.

Recomendado a todos que se interessam por história, psicologia, sociologia… Pensando bem, recomendado a todos  que queiram algum motivo para compreender com lucidez nosso mundo, sem cruzar os braços num cômodo derrotismo, ou tolo de achar que tudo vai se resolver pela bondade de deus.

Título original: THE BETTER ANGELS OF OUR NATURE
Tradução: Bernardo Joffily
Laura Teixeira Motta
Capa: Kiko Farkas / Máquina Estúdio
Adriano Guarnieri / Máquina Estúdio
Páginas: 1088
Formato: 16.00 x 23.00 cm
Peso: 1.380 kg
Acabamento: Brochura
Lançamento: 28/03/2013
ISBN: 9788535922325
Selo: Companhia das Letras

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13271

 

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Insensatez

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Eu tenho uma pior: Vamos resolver a crise política derrubando o governo e começando do zero

Desculpe, o post de hoje será sem muito estilo, no calor do momento, não estou muito inspirado. Não é um bom momento. Nem para mim, nem para ninguém. Não há motivo para comemorar nada, e nada bom virá para este país no futuro próximo.

Eu estava feliz que o país estava melhorando um pouquinho, até o desemprego teve uma leve queda. De leve. Mas já era algo. Pelo menos estava estável, e estabilidade é algo bom por si só. Investidor perde o tesão pra botar dinheiro num país instável, só sobram os loucos. Ninguém tem paz, ninguém dorme. Eu acreditava que o Temer, por mais que não fosse nenhuma maravilha, tivesse pelo menos um pouco mais de cérebro que seus antecessores. Talvez cérebro tenha, mas certamente caráter não, nem manha de queimar todas as evidências como o Lula fez.

E o resultado disso é mais um trauma político para o Brasil, mais uma ruptura. E é diferente do que foi com o impeachment da Dilma: Os petistas estavam se cagando para o tamanho da roubalheira e que país estar indo para a fossa com a incompetência da baranga: O governo sendo de esquerda é o que importa, Dilma foi endeusada, seus opositores demonizados. No meu caso, e de quaisquer outras pessoas sensatas, eu não tenho absolutamente nenhuma simpatia por Temer (alguém, além da Marcela, tem?), mas temo pelo meu país. O Brasil é como uma criança vendo sua mãe se divorciar do segundo marido, desculpe se a comparação é tosca.

Eu apoio o movimento MBL e me considero um liberal de verdade, mas desde que comecei a me engajar com o movimento, devo dizer que estou abismado com o nível de vários dos participantes: Viúvas da ditadura, gente sonhando com um novo golpe militar, gente querendo derrubar o governo com uma revolução e começar tudo de novo, gente querendo derrubar o governo e não colocar nada no lugar, afinal isso deu tão certo na Somália… Minha nossa. Eu não sei por que dividiram o espectro político em quatro se no final na direita são todos os mesmos reaças de sempre. Eu sou liberal de verdade. Quem defende soldado marchando na rua, prendendo gente sem habeas corpus e censurando a imprensa não é liberal, é como puta se chamando de casta. Eu aqui não estou me referindo ao Kim Kataguiri, Fernando Holiday e outros dirigentes, contra os quais eu não tenho nada contra, mas a alguns dos militantes que eu tive o (des)prazer de conhecer. Pra mim de nada adianta liberdade econômica sem liberdade civil. Não adianta eu poder comprar os livros que quiser se “os livros que eu quiser” forem determinados por algum governante, que vai decidir quais são subversivos demais para o gado. Aliás, tão “liberais” os nossos militares que barraram a importação de eletrônicos para obrigar os brasileiros à comprar as tranqueiras da indústria nacional. Acordem, idiotas, os militares teriam proibido o Uber no mesmo dia e mandado prender os motoristas.

Não, o caminho para estabilidade política no Brasil não vai ser fácil, e não há bons candidatos à vista. Não sei em quem vou votar, vou no menos pior. O caminho lento ainda é melhor. Pedir pro exército entrar e fazer uma revolução (ou golpe, chamem do que quiser, foda-se) é uma ideia BURRA. Acreditar que milico vai respeitar um prazo e sair do poder depois dele, deixando a casa arrumada para a democracia, como uma empregada obediente, é uma ideia BURRA. O número de países em que revolução armada deu um bom resultado é infinitamente menor do que o de países em que a revolução só levou o país à mais tragédia. E por favor, não me venham com essa ladainha de “ai, minha vó viveu a ditadura e falou que foi tudo muito bom”. Ok, também tem um monte de gente que diz que o período do governo Lula foi maravilhoso, mas eu não sou tonto pra acreditar.

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“Arte” Moderna: Um Infiltrado Entre As Bacantes

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Como já narrei, agora faço um curso de história em uma universidade brasileira (que por aqui chamo Universidade de Gothan). O curso não é sem prazeres, mas também não é sem moléstias, e uma delas é a cota de horas de atividades complementares que todo aluno é obrigado a fazer até a graduação, atividades que podem incluir peças teatrais.

Vi que estava em cartaz a peça Bacantes de Eurípedes no Teatro Oficina em São Paulo. Cinco horas e meia de peça. Eu já esperava ser uma merda, mas cinco horas e meia me ajuda bastante a bater a minha cota. Fui à peça. E não me enganei, é uma bosta retardada mesmo. Mas não me arrependi, valeu pelas horas. E por este post.

O meu integrador acadêmico, o Lamar, é um esquerdista pós-modernista e já se disse fã do Zé Celso. Então é claro que não serei louco de falar mal da peça no relatório. Mas tenho vontade de falar mal. Então, farei uma espécie de caixa-dois: Aqui no blog, vai minha verdadeira opinião. Para o senhor Lamar, vou escrever o que ele quiser ler. E ainda vou escrever completamente bêbado.

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