Educação, filosofia, Humano, sociedade

Arte, Entretenimento e “Alienação”


Acho que todos nós já tivemos um professor comunista chato de galochas, daqueles que acham que toda e qualquer obra de arte que visa o entretenimento é errada de alguma maneira, e talvez nem mereça ser chamada de arte. “Novela?! Alienação, para imbecilizar o povo!”, “Esses Transformers e Batmans e Esquadrões Suicidas: pura propaganda imperialista estadunidense…” Aliás, quer uma dica para pegar um cinéfilo falso, poser? Pergunta o que ele acha do cinema americano. Da forma mais genérica possível, “cinema americano, você gosta?”. Se vier com papinho de que é tudo filme comercial, e arte comercial não é arte de verdade, que só filme argentino que passa em mostra de cinema no Memorial da América Latina é que é arte de verdade…. Nem dê trela pro sujeito. Ou ainda, se quiser embaraça-lo um pouco, lembre-o que O Poderoso Chefão é cinema americano também.

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Educação, filosofia, Humano

Qualia 2.2 Ferramentas de Navegação Padrão: Linguagem

 

4.002 O homem possui a capacidade de construir linguagens com as quais se pode exprimir todo sentido, sem fazer ideia de como e do que cada palavra significa – como também falamos sem saber como se produzem os sons particulares. Assim se fala sem saber como os sons singulares são produzidos.

A linguagem corrente é parte do organismo humano, e não é menos complicada do que ele.

É humanamente impossível extrair dela, de modo imediato, a lógica da linguagem.

A linguagem é um traje que disfarça o pensamento. E, na verdade, de um modo tal que não se pode inferir, da forma exterior do traje, a forma do pensamento trajado; isso porque a forma exterior do traje foi constituída segundo fins inteiramente diferentes de tornar reconhecível a forma do corpo.

Os acordos tácitos que permitem o entendimento da linguagem corrente são enormemente complicados

4.014 O disco gramofônico, a ideia musical, a escrita musical, as ondas sonoras, todos mantêm entre si a mesma relação interna afiguradora que existe entre a linguagem e o mundo.

A construção lógica é comum a todos.

Ludwig Wittgenstein: Tractatus Logico-Philosophicus

Nada tão humano quanto a linguagem. Todos os povos conhecidos, por mais primitivos que sejam, têm linguagem, não necessariamente escrita, mas todo os povos falam. Todo humano saudável possui a capacidade do falar, e só os humanos a possuem. Não que o homem sempre tenha tido a linguagem, que não tenha sido homem antes da linguagem, nada disso: Esta capacidade mental, com circuitos cerebrais dedicados, é uma novidade bem recente em termos evolutivos, e sua forma escrita, recentíssima. Mas desde então este novo poder, o poder da língua, absolutamente idiossincrático, confere ao homem um lugar especial no reino animal. Só os homens pensam e falam em símbolos, e de símbolos fazemos línguas. Como melhor definir em uma frase o que faz do homem moderno diferente dos outros animais? Animal racional? Não serve bem. Outros animais têm uma racionalidade mais limitada, mas têm, os outros primatas também podem ser adestrados para tarefas racionais, assim como os famosos pombos de Skinner, e os ratos que todo aluno de psicologia em algum momento de seu curso precisa ensinar a passar por um labirinto e lembrar o caminho, tarefa impossível sem racionalidade alguma. E que tal dizer que é o único animal com cultura? O único com história? Nunca ouvimos falar de um movimento impressionista símio, ou de uma reforma política das abelhas, cujas colmeias são monárquicas desde sempre, sem sinais de revoltas burguesas até o momento. Mas há algo mais primordial: Temos cultura e temos história porque temos linguagem. Nós falamos, moldamos nossos pensamentos em palavras e expressamos aos demais com palavras, que vocalizamos ou escrevemos.

Papagaios e outros pássaros que falam, como araras e cacatuas até mesmo corvos, procure no YouTube apenas repetem sons, como um gravador. Reproduzem, mas não sabem o que significam, nem sabem interpretá-los para aprender as palavras e a sintaxe e aprender alguma coisa. E nossos amigos de 4 patas? O cachorrinho e o gatinho podem expressar seus estados mentais, de diversas maneiras, por exemplo, ele pode expressar seu desejo de comer pegando sua tigela de comida com a boca e levando até você, e fitá-lo com aqueles olhinhos irresistíveis. O que o felpudo não pode fazer é relatar seu estado mental, como colocou David Rosenthal, citado por Dennett1. Você pode não só relatar seus próprios estados mentais, como pode relatar o de outros seres. Só se faz relatos de forma verbal. Você pode expressar seu amor por uma pessoa abraçando-a, beijando-a, mas só pode relatar o que sente para seu crush por palavras, gravando seus nomes na casca de uma árvore com um estilete, mandando uma mensagem no WhatsApp bêbado às 3h da manhã, pilotando um avião e escrevendo a declaração no céu com a fumaça, relatos são sempre verbais. Ora, mas faz diferença? Toda. O que significam palavras, símbolos? O que eles têm de especial e por que só humanos possuem esta faculdade, o que há de diferente em seus cérebros que possibilita tal forma de comunicação? E principalmente, o qualia tem algo a ver com isso?

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Quem Gosta de Liberdade de Expressão?

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Será que alguém gosta de verdade?

Vou começar com uma piada. Cretina, mas serve para ilustrar a  questão, eu prometo:

O pirata novato, em seu primeiro dia na tripulação, pergunta ao outro pirata: “Mas afinal, nós vamos ficar meses em alto-mar, sem nenhuma mulher por perto… Como vocês costumam fazer para aliviar a vontade sexual?” E o outro pirata responde “Ah, é só ir lá naquele barril e enfiar o seu pinto no buraquinho. Experimente, é uma delícia”. O pirata foi, e achou uma sensação deliciosa aquele buraquinho, sensacional, poderia aguentar a viagem numa boa daquele jeito. E foi ao barril novamente no dia seguinte, no outro, e no outro… Até que chegou segunda-feira, e ele acordou sendo carregado pelos outros piratas para o convés. “Ei, o que está acontecendo?” Pergunta o pirata novato. “Hoje é seu dia de ficar no barril”.

E o problema da liberdade de expressão? É que só se é a favor dela até chegar a vez de ficar no barril. É como democracia, no fundo ninguém gosta muito. O cristão, que vive reclamando da mordaça do politicamente correto, só aceita liberdade de expressão enquanto não diz nada desagradável sobre a religião dele, e de preferência que também não ofenda a moral e os bons costumes, porque afinal, liberdade de expressão tem limites, os limites deles. Para parecer razoável, até diz que as outras religiões também tem direito de se expressar. Nossa, quanta gentileza! E os ateus? Ah, tudo bem, contanto que se expressem entre si apenas. Inclusive, são cheios de protestos contra a doutrinação nas escolas, mas são cheios de querer meter a bíblia no meio das apostilas. Professor de biologia dar aula de criacionismo, aí sim é liberdade de expressão. Só que liberdade de expressão por conveniência não merece ser assim chamada. Se nunca é sua vez de ficar no barril, então você não é à favor dela.

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I’m Back

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E peço desculpas aos poucos, mas muito valiosos, leitores deste blog, pela minha ausência inexplicada. Parei de escrever por um tempo por questões pessoais, da minha saúde mental bastante debilitada, que me forçou a fazer viagens diárias à outra cidade para tratar minha depressão com a técnica de estimulação magnética transcraniana, o que foi exaustivo e oneroso, mas o saldo final foi inequivocamente positivo. Após 16 sessões, eu estou novamente funcional, e estou feliz em estar, pretendo prosseguir com este blog, cuja escrita sempre foi um deleite para mim, e encabeçar em novos projetos, estudar e escrever obstinadamente. Eu ainda me recuso a usar o termo “resiliência”, por ser um modismo de autoajuda, e porque eu não me alavanquei sozinho para fora de minha condição de inércia patológica, como um barão de Munchausen se puxando para fora do pântano sozinho. Na verdade, pensei muito em morrer, pensei que seria melhor não existir. Mas mudei de ideia. Agradeço à ciência, e agradeço à minha família e aos meus amigos que me forneceram o apoio moral, financeiro e emocional de que tanto necessitei, bem como dos profissionais de saúde mental que me prestaram seus excelentes serviços. Eu não sou, afinal, um lobo solitário, e tão pouco um ídolo objetivista autossuficiente como os protagonistas da literatura de Ayn Rand. Mas meu fardo ainda é meu para carregar, e eu o aceito. Eu não desejo mais morrer, por mais que a ideia pareça tentadora às vezes.

E isto é bom, e não só pra mim, nem só para os meus amigos e família. Eu preciso me lembrar frequentemente que não estou nesta Terra à toa, eu tenho uma missão. E a minha missão é incomodar. Pois bajuladores e conformistas já há em excesso na sociedade, eu quero mesmo é criar problemas, só quero ter intelecto o bastante para ninguém me derrubar, e os livros que leio engrossam minha armadura. Neurótico, eu? Talvez. Mas os neuróticos também são necessários. Alguns homens parecem ter vindo à terra para viver a vida de uma bromélia, e seguir uma cômoda obediência bovina. O que os marxistas não querem admitir é que a maioria dos homens adora ser alienado, quer mesmo saber o mínimo necessário e considera conformismo uma virtude cívica. E não se engane: Não só nas fábricas, não só entre os pobres. Mas não, eu não. Não sou super-homem nietzchiano, nem sou livre de fraquezas, mas eu tenho coragem, e optei por viver e fazer algo que valha a pena neste mundo. E é preciso ter no lugar em que me encontro.

Falo do ambiente acadêmico. Eu vejo que há um excesso de “doutores” em besteirol por aí. Hoje mesmo, em uma emética palestra de direitos humanos na faculdade (na qual, estranhamente, quase não se falou de direitos humanos) a velha ladainha: As doutoras (de merda) discursando seus refrões enlatados de justiça social. Meu amigo, que sentava ao lado, comentou: “Parece que em toda palestra eles querem nos fazer sentir vergonha de sermos brancos.”. E é verdade. Quando vemos episódios lastimáveis como o que ocorreu recentemente em Virgínia, nos EUA, de manifestações de neonazistas, que chegaram até a matar uma pessoa, não nos esqueçamos que muito do combustível destes movimentos é o tal “efeito mola”, de radicalismo de um lado levando a radicalismo do outro, também conhecido como a “ferradura”. A histeria das SJWs piradas alimentam a ira dos neonazistas e vice-versa, num círculo vicioso boçal.

As doutoras de merda que tive o desprazer de assistir hoje, foram daquelas que querem a todo custo impor a já há muito desprovada teoria da tábula rasa: Tudo é construção social para estes loucos. Em nome da tal justiça social, toda verdade científica pode e deve ser sacrificada. Toda opção que a mulher toma, nesta visão deturpada,  considerada é fruto de uma grande conspiração do patriarcado. Céus, eu juro, em dado momento, se disseram indignadas por terem procurado “brinquedos de menina” no Google e visto só bonecas e coisas cor-de-rosa. Quem diria, não? Ah sim, todo o discurso vitimista convenientemente se esquivando da questão do islamismo, a religião mais misógina (no sentido estrito do termo) do mundo, mas que o politicamente correto decretou imune à crítica. Quando terroristas invadiram a redação do Charlie Hebdo e assassinaram os cartunistas, Glenn Greenwald foi logo dizer que a culpa foi dos cartunistas. Aliás, após tomar coragem de pegar o microfone na sessão de perguntar e comentários e expor minha opinião, me chamaram de indelicado por ter dito que as teorias das palestrantes são anticientíficas. Falei foi pouco. Fui delicado demais.

Enfim, sem entrar em detalhes desnecessários, eu preciso continuar vivo, para ter meu doutorado também, e o meu não será em “justiçagem social” embasada em pseudo-ciência, não senhor. Minha ideologia é a razão. Estamos num país em que homeopatia é especialidade médica, um congresso supostamente laico tem espaço para uma bancada evangélica, um ex-presidente condenado por crimes graves é adorado por multidões que o consideram vítima independente das montanhas de evidências de sua canalhice, criacionismo corre o risco de entrar no currículo de biologia como alternativa à evolução, e falando em educação,a questão educacional virou uma espécie de cabo de guerra de fanáticos religiosos contra pós-modernistas e marxistas por quem tem direito a impor sua agenda ideológica nas escolas. Ideologia de gênero vs. cristianismo. Que tal nenhum deles? Que tal a ideologia da razão?

Minha personalidade não é nada comedida, nada moderada, como alguém poderia associar imediatamente ao apreço pessoal à racionalidade. Não, pelo contrário, eu tenho um emocional complicado, e sou bravo. E acho que preciso ser bravo. Eu sou dos que admiram a razão e a ciência legítima, que acham que academia é lugar para esta, e não para politicagem, a verdade não é relativa ou socialmente construída e jamais deve ser condicionada aos interesses da ideologia da moda, e só a verdade liberta. Sou também daqueles que querem uma economia verdadeiramente livre e próspera, e sabem que isto só se faz com estímulo ao empreendedorismo, com redução de entraves burocráticos e fiscais, e acima de tudo com mérito ao estudo e ao trabalho, com mérito aos feitos do indivíduo, o indivíduo, sim senhor, que não é um mero ponto acéfalo em uma massa chamada sociedade, cujos interesses podem ser sacrificados aleatoriamente para atender alguma agenda escusa de um ideólogo idiota.

Não sou objetivista, nem me considero bem libertário, mas definitivamente não sou socialista. Cada indivíduo é um universo, seu ser é determinado antes de mais nada por sua condição biológica, e esta determina várias de suas facetas, mas além desta, é a somatória de fatores únicos que se passam em sua vida que o tornam singular, que fazem de sua mente idiossincrática. O potencial de um ser humano não é infinito, mas é único. Este ser não é derradeiramente livre, não no sentido teológico, ilógico, que viola as leis da causalidade, como se o cérebro fosse uma quarta dimensão independente das leis da física. Mas é livre no sentido de seguir seus anseios, suas paixões, seus impulsos, e estes estarem em alguma medida mediados por seu conhecimento e sua capacidade racional. Livre-arbítrio? Corte o arbítrio. Por que não apenas “livre”?

E ideologia? Eu acredito em razão, esta é minha ideologia, e isto me faz membro de uma minoria, uma de verdade, não uma minoria do PSOL, uma pequena minoria, mas não calada.

Eu não sou um gênio, e nem estou certo de ser muito inteligente, apenas subo no ombro de gigantes, não de anões, como é o caso dos doutores e doutoras em baboseiras, e procurarei meu lugar ao sol assim. Estou vivo. E é bom estar vivo. Quem não está contente… Bem, como disse, posso ser racionalista, mas tenho um temperamento intempestivo, então mais uma vez tomo aquela frase atribuída ao também intempestivo (e como!) Marquês deSade. Não admiro em nada sua irracionalidade e perversidade, mas sim sua coragem em desafiar o convencional e jamais disfarçar quem é, em desafiar, sempre desafiar, ainda que acabasse preso antes e depois da Revolução, pois não foi capaz de se adequar à mentalidade nem da monarquia, nem do Império de Napoleão. Nem a monarquia nem Napoleão calaram Sade, e nem o politicamente correto (e nem a depressão) me calarão, se quiserem combater minhas ideias, melhor terem ideias melhores, pois não me calarei por delicadeza.

“…repito: matem-me ou aceitem-me assim, porque eu jamais mudarei.”

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Sci-Hub, as publicações acadêmicas, e aprendendo a citar

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Sci-hub foi uma das descobertas mais quentes que eu fiz este ano. Comentei no final do meu post sobre o Kindle, mas o assunto merece um post próprio. É um site de distribuição gratuita – “pirataria” – de artigos acadêmicos, que fez a alegria de estudantes e pesquisadores de todo mundo, que não podiam acessar artigos que precisavam pelo alto custo e burocracia. Mas antes, acho que convém falar o que exatamente é um artigo acadêmico e como funcionam as publicações e a divulgação científica… Neste post, também vou dar algumas dicas básicas para você que é estudante e precisa fazer citações no seu trabalho, aprenda a fazer bonito. E com o sci-hub, fontes não vão faltar…

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Qualia 2.1 – Ferramentas Padrão de Navegação: Intuição

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Qual a medida do verossímil?

Toda obra de ficção é uma espécie de truque de mágica. Tal como o ilusionismo de palco, ela suprime alguns elementos da realidade, mas tudo bem, contato que até o final do ato o espectador permaneça entretido. Ele desconsidera estas pequenas fugas e permite-se imergir naquele universo, na famosa suspensão voluntária de descrença. Pela licença artística, podemos perdoar alguns detalhes inverossímeis, podemos nem perceber, ou perceber e desconsiderar: Por que os romanos falam inglês? Como aquelas crianças dos filmes do Spielberg conseguem percorrer tão grandes distâncias de bicicleta? Por que os astronautas têm iluminação dentro do capacete? Como Nathan Drake consegue tomar tantos tiros durante o jogo Uncharted e não morrer? E como os personagens de Streets of Rage conseguem se recuperar de ferimentos, e não morrer de intoxicação alimentar, comendo sanduíches e maçãs do lixo? Por que Tony Montana não teve uma overdose no final de Scarface?

Ficção não é realidade, afinal, e certas convenções são necessárias para contar histórias em qualquer mídia. Algumas destas quebras da realidade só os chatos nerds percebem, mas outras saltam aos olhos de qualquer um. A qualidade geral da obra parece influenciar mais no que vamos perdoar. Quando o filme/game/livro é bom, só os nerds se dão ao trabalho de encontrar defeitos, ainda que seja para por defeito e mesmo assim continuar dando valor para a obra, ou mesmo pensar em teorias para justificar a falha. Podemos admitir e ignorar alguns elementos fantásticos, mas exigimos coerência interna: Ok, eu admito que no universo deste game, você pode ser salvo da morte por um item mágico. Mas então por que no Final Fantasy VII Aeris morre definitivamente no final do disco 1? Os outros não poderiam ter dado um phoenix down para ela?

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E peço desculpas pelo spoiler.

Mesmo em uma série tão “maluca” quanto Hora da Aventura, maluca em comparação com o nosso mundo, existe uma coerência interna muito grande, uma vez que se vai a fundo, você sabe que os personagens são capazes de fazer algumas coisas mas não outras. Em Gravity Falls, o sobrenatural funciona de uma forma tão precisa que é praticamente ciência.

Mesmo os apreciadores mais casuais não perdoam tudo em nome da liberdade artística, não senhor, suspensão voluntária de descrença é criteriosa, e certos absurdos fazem a obra parecer tosca. Aceitamos o irreal, mas não o inverossímil. Então, mesmo dentro de um universo fantasioso, existe algum critério que determina como o mundo deve funcionar, qual o lugar de cada coisa e como elas devem interagir. Nossa capacidade de distinguir o que vale e o que não vale, e no fundo é a mesma que usamos para interpretar e prever a nossa realidade. Às vezes a realidade pode até parecer irreal.

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Devo Fazer Um Curso de Humanas?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares, principalmente para adolescentes que estão fazendo o ensino médio. E se eu tivesse uma resposta perfeita, certeira para todo mundo, eu talvez tivesse um milhão de dólares. Acho que não chego a isto, mas posso desfazer algumas confusões das pessoas sobre cursos de humanas, não só para adolescentes que querem fazer seu primeiro curso superior, mas para profissionais que já se formaram em outra coisa e pensam em uma segunda graduação, que é meu caso.

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