geek, internet, Segurança e Privacidade

FichaCoin: Aprenda como funciona o BitCoin e o blockchain com uma fábula didática

Adaptado livremente do texto do blog do Kaspersky: https://www.kaspersky.com/blog/bitcoin-easy-explanation/12915/

Em uma escola muito moderna, começa um experimento lúdico para ensinar matemática e noções básicas de economia para as crianças: Em uma sala de 50 alunos, coordenados pela professora, ao invés de trocarem dinheiro entre si com notas e moedas de real, os alunos aproveitam uma segunda lousa na sala (que normalmente não é usada) e anotam nesta lousa o nome de cada aluno e a quantidade de dinheiro que cada um tem no início do experimento. Joãozinho: R$25, Marilena: R$10, Hugo, R$50, e assim por diante. As moedas são convertidas em fichas, pedacinhos de papel com o carimbo da professora, e o preço de cada ficha fica estabelecido em X reais, sendo X fixado como preço de uma coxinha na cantina. As fichas podem ser divididas em unidades menores, como centavos da ficha, o que a professora usa para reforçar a prática de contas com números quebrados. Mas os alunos quase nem encostam nas fichas físicas, elas são meramente simbólicas, não têm nenhuma importância real: Todas as transações ocorrem só na lousa, um livro contábil da turma, e como todos os alunos já sabem assinar o próprio nome, cada transação precisa ser assinada por quem está mandando dinheiro, então se algum malandrinho tentar adulterar uma transação no intervalo, por exemplo, João escrevendo que Hugo lhe mandou 20 fichas sem Hugo autorizar, ficará claro que foi uma adulteração, e a transação será cancelada (e João voltará para casa com uma cartinha da professora).

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geek, Segurança e Privacidade

 

http://telegra.ph/Novos-processadores-qu%C3%A2nticos-podem-acabar-com-o-Bitcoin-11-16

Não só o bitcoin, mas toda segurança baseada em criptografia atual, incluindo o protocolo HTTPS e aqueles por trás de aplicativos de mensagens como o WhatsApp e o Telegram…. Se algum dia os computadores quânticos plenamente funcionais forem realidade, o único jeito seguro de mandar suas nudes será tirando-as com máquina Polaroid e entregando em pessoa.

No entanto, o potencial inimaginável do que a ciência poderia fazer com uma máquina de processamento de informação tão poderosa é muito mais importante. Afinal, se por um lado é possível os algoritmos atuais serem quebrados, é possível também criarem um novo algoritmo de criptografia que use a própria computação quântica.

 

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filosofia, Humano

Não tenho boca e preciso gritar

 

Qual seria a punição mais perversa para um ser humano?

A história antiga e recente mostra toda a funesta criatividade humana em criar meios dos mais sofisticados em causar sofrimento ao outro. Quebrar na roda, queimar dentro de um touro de ferro em brasas, fazer um bode lamber as solas dos pés com sua língua áspera, amarrar um cavalo em cada membro e fazer os animais correrem, despedaçando o sujeito…

Mas digamos que você seja um carrasco, encarregado de torturar pelo maior tempo possível um prisioneiro condenado por crimes graves, mas não pode usar de nada disso que foi citado. Por um motivo ou outro – sérias limitações orçamentárias, ou pressão por grupos de direitos humanos – você precisa inventar o castigo mais cruel possível sem sangue, hematomas, mutilações e, na verdade, até mesmo sem gritos. E precisa durar o maior tempo possível, não pode matar a vítima cedo. O que fazer?

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geek, Segurança e Privacidade

O Mito das Regras de Senhas Seguras

Neste atribulado ano de 2017, finalmente caiu um mito de quase 15 anos de existência, que fez todos nós perdermos muito, muito tempo, e tornou nossos dados pessoais menos seguros. As regras de como criar uma senha segura, que você sabe e memorizou como um mantra – de fazê-las mais complicadas e sem sentido possível, e trocá-las com frequência – estão erradas.

Quem disse? O próprio sujeito que as inventou.

Antes de sair a notícia, eu nem sabia que o guia de regras tinha um autor conhecido. Mas tem. Bill Burr, que em 2003 trabalhava para a agência americana NIST, Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (similar à brasileira ABNT), elaborou um documento – NIST Special Publication 800-63 Appendix A – em que recomendava fazer senhas contendo números e caracteres especiais, e trocá-las com frequência. E o meme se alastrou rapidamente pelo mundo todo, adotado como regra em diversos sistemas e organizações. Mas desde então, várias evidências surgiram de que fazer a senha parecida com um palavrão de histórias em quadrinhos não a protege de ser descoberta. E falando em quadrinhos, o mito foi desafiado publicamente já em 2011, quando o quadrinista Randall Munroe demonstrou matematicamente que uma senha com uma simples série de 4 palavras comuns da língua inglesa, “correct horse battery staple”, com 25 caracteres no total (sem espaços) demoraria 550 anos para ser descoberta pelo método de força bruta (em que um computador tenta todas as combinações possíveis até achar a correta) enquanto uma senha curta que segue o dogma dos caracteres especiais, “Tr0ub4dor&3”, demoraria apenas 3 dias para ser desvendada. Especialistas em segurança deram crédito ao cálculo de Munroe. Neste caso, os números não mentem, comprimento é mais importante que complexidade, muito mais.

Para quem conhece o conceito de progressão geométrica (ilustrado pela famosa lenda dos grãos de arroz no tabuleiro de xadrez) não é um mistério as senhas longas serem mais difícies. Mistério é como durou tanto tempo o mito tão fácil de desprovar; só neste ano de 2017 Bill Burr, já aposentado, e profundamente arrependido de sua criação, confessou ao Wall Street Journal: Elaborou o fatídico documento de 2003 na pressa, sem se basear em dados confiáveis.

Senhas são uma merda. Um sistema de verificação de identidade primitivo, ainda usado porque infelizmente leitores de impressão digital e outras ferramentas de biometria ainda não se popularizaram. Todo mundo tem um monte delas, do Google e do Facebook, do wi-fi, do sistema do escritório… É humanamente impossível lembrar todas, principalmente se forem ao mesmo tempo longas e complicadas. O que todo mundo acaba fazendo é anotar num papel ou criar senhas curtas, com a falsa segurança psicológica dos caracteres especiais em combinações sem sentido, quase sempre seguindo o famigerado padrão leet. Bom para os hackers, que se serviram da abundância de combinações curtas e manjadas como “P@55w0rd” e “Football123”. E atualmente, pelas novas diretrizes do próprio NIST, não só caiu a regra de caracteres especiais, como não se recomenda trocar de senha a não ser que haja um motivo para crer que já foi comprometida.

É frustrante lembrar quanto tempo já perdemos com senhas, quantas vezes não as esquecemos, quando na verdade quatro palavras escolhidas aleatoriamente do dicionário, ou uma frase longa, dariam uma senha muito forte e fácil de lembrar. Meu conselho é usar um gerenciador de senhas como o LastPass. Extremamente seguro, e você só precisará memorizar uma senha. Além disso, também é imprescindível ativar segurança em duas etapas para todos os serviços que a disponibilizam, e praticamente todos os serviços da web(incluindo o WordPress) oferecem esta proteção, desta forma, mesmo a senha sendo comprometida, o invasor não conseguirá fazer nada.

https://hypescience.com/o-cara-que-inventou-as-regras-irritantes-para-senhas-pede-desculpas-por-te-fazer-perder-tempo/

https://www.wsj.com/articles/the-man-who-wrote-those-password-rules-has-a-new-tip-n3v-r-m1-d-1502124118

https://www.theverge.com/2017/8/7/16107966/password-tips-bill-burr-regrets-advice-nits-cybersecurity

 

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Educação, filosofia, Humano, sociedade

Arte, Entretenimento e “Alienação”


Acho que todos nós já tivemos um professor comunista chato de galochas, daqueles que acham que toda e qualquer obra de arte que visa o entretenimento é errada de alguma maneira, e talvez nem mereça ser chamada de arte. “Novela?! Alienação, para imbecilizar o povo!”, “Esses Transformers e Batmans e Esquadrões Suicidas: pura propaganda imperialista estadunidense…” Aliás, quer uma dica para pegar um cinéfilo falso, poser? Pergunta o que ele acha do cinema americano. Da forma mais genérica possível, “cinema americano, você gosta?”. Se vier com papinho de que é tudo filme comercial, e arte comercial não é arte de verdade, que só filme argentino que passa em mostra de cinema no Memorial da América Latina é que é arte de verdade…. Nem dê trela pro sujeito. Ou ainda, se quiser embaraça-lo um pouco, lembre-o que O Poderoso Chefão é cinema americano também.

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filosofia, Política, sociedade

Armas: Minha Opinião

 

Eu não tenho problema algum em defender uma posição extrema caso seja esta a posição mais verdadeira. A verdade nem sempre está na opinião mais “diplomática”, que dá um pouco de razão para cada um. Mas na questão das armas – ou melhor, da posse e porte de armas por civis – eu realmente dou um pouco de razão para cada um dos lados da discussão que se inflama sempre que há tragédias como a mais recente, em Las Vegas, em que um homem num quarto de hotel, com uma arma automática, atirou numa multidão em um show, ceifando quase 60 vidas e deixando incontáveis feridos. Eis minha opinião sobre armas, no Brasil e no mundo.

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Educação, filosofia, Humano

Qualia 2.2 Ferramentas de Navegação Padrão: Linguagem

 

4.002 O homem possui a capacidade de construir linguagens com as quais se pode exprimir todo sentido, sem fazer ideia de como e do que cada palavra significa – como também falamos sem saber como se produzem os sons particulares. Assim se fala sem saber como os sons singulares são produzidos.

A linguagem corrente é parte do organismo humano, e não é menos complicada do que ele.

É humanamente impossível extrair dela, de modo imediato, a lógica da linguagem.

A linguagem é um traje que disfarça o pensamento. E, na verdade, de um modo tal que não se pode inferir, da forma exterior do traje, a forma do pensamento trajado; isso porque a forma exterior do traje foi constituída segundo fins inteiramente diferentes de tornar reconhecível a forma do corpo.

Os acordos tácitos que permitem o entendimento da linguagem corrente são enormemente complicados

4.014 O disco gramofônico, a ideia musical, a escrita musical, as ondas sonoras, todos mantêm entre si a mesma relação interna afiguradora que existe entre a linguagem e o mundo.

A construção lógica é comum a todos.

Ludwig Wittgenstein: Tractatus Logico-Philosophicus

Nada tão humano quanto a linguagem. Todos os povos conhecidos, por mais primitivos que sejam, têm linguagem, não necessariamente escrita, mas todo os povos falam. Todo humano saudável possui a capacidade do falar, e só os humanos a possuem. Não que o homem sempre tenha tido a linguagem, que não tenha sido homem antes da linguagem, nada disso: Esta capacidade mental, com circuitos cerebrais dedicados, é uma novidade bem recente em termos evolutivos, e sua forma escrita, recentíssima. Mas desde então este novo poder, o poder da língua, absolutamente idiossincrático, confere ao homem um lugar especial no reino animal. Só os homens pensam e falam em símbolos, e de símbolos fazemos línguas. Como melhor definir em uma frase o que faz do homem moderno diferente dos outros animais? Animal racional? Não serve bem. Outros animais têm uma racionalidade mais limitada, mas têm, os outros primatas também podem ser adestrados para tarefas racionais, assim como os famosos pombos de Skinner, e os ratos que todo aluno de psicologia em algum momento de seu curso precisa ensinar a passar por um labirinto e lembrar o caminho, tarefa impossível sem racionalidade alguma. E que tal dizer que é o único animal com cultura? O único com história? Nunca ouvimos falar de um movimento impressionista símio, ou de uma reforma política das abelhas, cujas colmeias são monárquicas desde sempre, sem sinais de revoltas burguesas até o momento. Mas há algo mais primordial: Temos cultura e temos história porque temos linguagem. Nós falamos, moldamos nossos pensamentos em palavras e expressamos aos demais com palavras, que vocalizamos ou escrevemos.

Papagaios e outros pássaros que falam, como araras e cacatuas até mesmo corvos, procure no YouTube apenas repetem sons, como um gravador. Reproduzem, mas não sabem o que significam, nem sabem interpretá-los para aprender as palavras e a sintaxe e aprender alguma coisa. E nossos amigos de 4 patas? O cachorrinho e o gatinho podem expressar seus estados mentais, de diversas maneiras, por exemplo, ele pode expressar seu desejo de comer pegando sua tigela de comida com a boca e levando até você, e fitá-lo com aqueles olhinhos irresistíveis. O que o felpudo não pode fazer é relatar seu estado mental, como colocou David Rosenthal, citado por Dennett1. Você pode não só relatar seus próprios estados mentais, como pode relatar o de outros seres. Só se faz relatos de forma verbal. Você pode expressar seu amor por uma pessoa abraçando-a, beijando-a, mas só pode relatar o que sente para seu crush por palavras, gravando seus nomes na casca de uma árvore com um estilete, mandando uma mensagem no WhatsApp bêbado às 3h da manhã, pilotando um avião e escrevendo a declaração no céu com a fumaça, relatos são sempre verbais. Ora, mas faz diferença? Toda. O que significam palavras, símbolos? O que eles têm de especial e por que só humanos possuem esta faculdade, o que há de diferente em seus cérebros que possibilita tal forma de comunicação? E principalmente, o qualia tem algo a ver com isso?

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