geek, Segurança e Privacidade

O Mito das Regras de Senhas Seguras

Neste atribulado ano de 2017, finalmente caiu um mito de quase 15 anos de existência, que fez todos nós perdermos muito, muito tempo, e tornou nossos dados pessoais menos seguros. As regras de como criar uma senha segura, que você sabe e memorizou como um mantra – de fazê-las mais complicadas e sem sentido possível, e trocá-las com frequência – estão erradas.

Quem disse? O próprio sujeito que as inventou.

Antes de sair a notícia, eu nem sabia que o guia de regras tinha um autor conhecido. Mas tem. Bill Burr, que em 2003 trabalhava para a agência americana NIST, Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (similar à brasileira ABNT), elaborou um documento – NIST Special Publication 800-63 Appendix A – em que recomendava fazer senhas contendo números e caracteres especiais, e trocá-las com frequência. E o meme se alastrou rapidamente pelo mundo todo, adotado como regra em diversos sistemas e organizações. Mas desde então, várias evidências surgiram de que fazer a senha parecida com um palavrão de histórias em quadrinhos não a protege de ser descoberta. E falando em quadrinhos, o mito foi desafiado publicamente já em 2011, quando o quadrinista Randall Munroe demonstrou matematicamente que uma senha com uma simples série de 4 palavras comuns da língua inglesa, “correct horse battery staple”, com 25 caracteres no total (sem espaços) demoraria 550 anos para ser descoberta pelo método de força bruta (em que um computador tenta todas as combinações possíveis até achar a correta) enquanto uma senha curta que segue o dogma dos caracteres especiais, “Tr0ub4dor&3”, demoraria apenas 3 dias para ser desvendada. Especialistas em segurança deram crédito ao cálculo de Munroe. Neste caso, os números não mentem, comprimento é mais importante que complexidade, muito mais.

Para quem conhece o conceito de progressão geométrica (ilustrado pela famosa lenda dos grãos de arroz no tabuleiro de xadrez) não é um mistério as senhas longas serem mais difícies. Mistério é como durou tanto tempo o mito tão fácil de desprovar; só neste ano de 2017 Bill Burr, já aposentado, e profundamente arrependido de sua criação, confessou ao Wall Street Journal: Elaborou o fatídico documento de 2003 na pressa, sem se basear em dados confiáveis.

Senhas são uma merda. Um sistema de verificação de identidade primitivo, ainda usado porque infelizmente leitores de impressão digital e outras ferramentas de biometria ainda não se popularizaram. Todo mundo tem um monte delas, do Google e do Facebook, do wi-fi, do sistema do escritório… É humanamente impossível lembrar todas, principalmente se forem ao mesmo tempo longas e complicadas. O que todo mundo acaba fazendo é anotar num papel ou criar senhas curtas, com a falsa segurança psicológica dos caracteres especiais em combinações sem sentido, quase sempre seguindo o famigerado padrão leet. Bom para os hackers, que se serviram da abundância de combinações curtas e manjadas como “P@55w0rd” e “Football123”. E atualmente, pelas novas diretrizes do próprio NIST, não só caiu a regra de caracteres especiais, como não se recomenda trocar de senha a não ser que haja um motivo para crer que já foi comprometida.

É frustrante lembrar quanto tempo já perdemos com senhas, quantas vezes não as esquecemos, quando na verdade quatro palavras escolhidas aleatoriamente do dicionário, ou uma frase longa, dariam uma senha muito forte e fácil de lembrar. Meu conselho é usar um gerenciador de senhas como o LastPass. Extremamente seguro, e você só precisará memorizar uma senha. Além disso, também é imprescindível ativar segurança em duas etapas para todos os serviços que a disponibilizam, e praticamente todos os serviços da web(incluindo o WordPress) oferecem esta proteção, desta forma, mesmo a senha sendo comprometida, o invasor não conseguirá fazer nada.

https://hypescience.com/o-cara-que-inventou-as-regras-irritantes-para-senhas-pede-desculpas-por-te-fazer-perder-tempo/

https://www.wsj.com/articles/the-man-who-wrote-those-password-rules-has-a-new-tip-n3v-r-m1-d-1502124118

https://www.theverge.com/2017/8/7/16107966/password-tips-bill-burr-regrets-advice-nits-cybersecurity

 

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Educação, filosofia, Humano, sociedade

Arte, Entretenimento e “Alienação”


Acho que todos nós já tivemos um professor comunista chato de galochas, daqueles que acham que toda e qualquer obra de arte que visa o entretenimento é errada de alguma maneira, e talvez nem mereça ser chamada de arte. “Novela?! Alienação, para imbecilizar o povo!”, “Esses Transformers e Batmans e Esquadrões Suicidas: pura propaganda imperialista estadunidense…” Aliás, quer uma dica para pegar um cinéfilo falso, poser? Pergunta o que ele acha do cinema americano. Da forma mais genérica possível, “cinema americano, você gosta?”. Se vier com papinho de que é tudo filme comercial, e arte comercial não é arte de verdade, que só filme argentino que passa em mostra de cinema no Memorial da América Latina é que é arte de verdade…. Nem dê trela pro sujeito. Ou ainda, se quiser embaraça-lo um pouco, lembre-o que O Poderoso Chefão é cinema americano também.

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filosofia, Política, sociedade

Armas: Minha Opinião

 

Eu não tenho problema algum em defender uma posição extrema caso seja esta a posição mais verdadeira. A verdade nem sempre está na opinião mais “diplomática”, que dá um pouco de razão para cada um. Mas na questão das armas – ou melhor, da posse e porte de armas por civis – eu realmente dou um pouco de razão para cada um dos lados da discussão que se inflama sempre que há tragédias como a mais recente, em Las Vegas, em que um homem num quarto de hotel, com uma arma automática, atirou numa multidão em um show, ceifando quase 60 vidas e deixando incontáveis feridos. Eis minha opinião sobre armas, no Brasil e no mundo.

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