ceticismo, Educação, filosofia, Humano

I’m Back

maxresdefault

E peço desculpas aos poucos, mas muito valiosos, leitores deste blog, pela minha ausência inexplicada. Parei de escrever por um tempo por questões pessoais, da minha saúde mental bastante debilitada, que me forçou a fazer viagens diárias à outra cidade para tratar minha depressão com a técnica de estimulação magnética transcraniana, o que foi exaustivo e oneroso, mas o saldo final foi inequivocamente positivo. Após 16 sessões, eu estou novamente funcional, e estou feliz em estar, pretendo prosseguir com este blog, cuja escrita sempre foi um deleite para mim, e encabeçar em novos projetos, estudar e escrever obstinadamente. Eu ainda me recuso a usar o termo “resiliência”, por ser um modismo de autoajuda, e porque eu não me alavanquei sozinho para fora de minha condição de inércia patológica, como um barão de Munchausen se puxando para fora do pântano sozinho. Na verdade, pensei muito em morrer, pensei que seria melhor não existir. Mas mudei de ideia. Agradeço à ciência, e agradeço à minha família e aos meus amigos que me forneceram o apoio moral, financeiro e emocional de que tanto necessitei, bem como dos profissionais de saúde mental que me prestaram seus excelentes serviços. Eu não sou, afinal, um lobo solitário, e tão pouco um ídolo objetivista autossuficiente como os protagonistas da literatura de Ayn Rand. Mas meu fardo ainda é meu para carregar, e eu o aceito. Eu não desejo mais morrer, por mais que a ideia pareça tentadora às vezes.

E isto é bom, e não só pra mim, nem só para os meus amigos e família. Eu preciso me lembrar frequentemente que não estou nesta Terra à toa, eu tenho uma missão. E a minha missão é incomodar. Pois bajuladores e conformistas já há em excesso na sociedade, eu quero mesmo é criar problemas, só quero ter intelecto o bastante para ninguém me derrubar, e os livros que leio engrossam minha armadura. Neurótico, eu? Talvez. Mas os neuróticos também são necessários. Alguns homens parecem ter vindo à terra para viver a vida de uma bromélia, e seguir uma cômoda obediência bovina. O que os marxistas não querem admitir é que a maioria dos homens adora ser alienado, quer mesmo saber o mínimo necessário e considera conformismo uma virtude cívica. E não se engane: Não só nas fábricas, não só entre os pobres. Mas não, eu não. Não sou super-homem nietzchiano, nem sou livre de fraquezas, mas eu tenho coragem, e optei por viver e fazer algo que valha a pena neste mundo. E é preciso ter no lugar em que me encontro.

Falo do ambiente acadêmico. Eu vejo que há um excesso de “doutores” em besteirol por aí. Hoje mesmo, em uma emética palestra de direitos humanos na faculdade (na qual, estranhamente, quase não se falou de direitos humanos) a velha ladainha: As doutoras (de merda) discursando seus refrões enlatados de justiça social. Meu amigo, que sentava ao lado, comentou: “Parece que em toda palestra eles querem nos fazer sentir vergonha de sermos brancos.”. E é verdade. Quando vemos episódios lastimáveis como o que ocorreu recentemente em Virgínia, nos EUA, de manifestações de neonazistas, que chegaram até a matar uma pessoa, não nos esqueçamos que muito do combustível destes movimentos é o tal “efeito mola”, de radicalismo de um lado levando a radicalismo do outro, também conhecido como a “ferradura”. A histeria das SJWs piradas alimentam a ira dos neonazistas e vice-versa, num círculo vicioso boçal.

As doutoras de merda que tive o desprazer de assistir hoje, foram daquelas que querem a todo custo impor a já há muito desprovada teoria da tábula rasa: Tudo é construção social para estes loucos. Em nome da tal justiça social, toda verdade científica pode e deve ser sacrificada. Toda opção que a mulher toma, nesta visão deturpada,  considerada é fruto de uma grande conspiração do patriarcado. Céus, eu juro, em dado momento, se disseram indignadas por terem procurado “brinquedos de menina” no Google e visto só bonecas e coisas cor-de-rosa. Quem diria, não? Ah sim, todo o discurso vitimista convenientemente se esquivando da questão do islamismo, a religião mais misógina (no sentido estrito do termo) do mundo, mas que o politicamente correto decretou imune à crítica. Quando terroristas invadiram a redação do Charlie Hebdo e assassinaram os cartunistas, Glenn Greenwald foi logo dizer que a culpa foi dos cartunistas. Aliás, após tomar coragem de pegar o microfone na sessão de perguntar e comentários e expor minha opinião, me chamaram de indelicado por ter dito que as teorias das palestrantes são anticientíficas. Falei foi pouco. Fui delicado demais.

Enfim, sem entrar em detalhes desnecessários, eu preciso continuar vivo, para ter meu doutorado também, e o meu não será em “justiçagem social” embasada em pseudo-ciência, não senhor. Minha ideologia é a razão. Estamos num país em que homeopatia é especialidade médica, um congresso supostamente laico tem espaço para uma bancada evangélica, um ex-presidente condenado por crimes graves é adorado por multidões que o consideram vítima independente das montanhas de evidências de sua canalhice, criacionismo corre o risco de entrar no currículo de biologia como alternativa à evolução, e falando em educação,a questão educacional virou uma espécie de cabo de guerra de fanáticos religiosos contra pós-modernistas e marxistas por quem tem direito a impor sua agenda ideológica nas escolas. Ideologia de gênero vs. cristianismo. Que tal nenhum deles? Que tal a ideologia da razão?

Minha personalidade não é nada comedida, nada moderada, como alguém poderia associar imediatamente ao apreço pessoal à racionalidade. Não, pelo contrário, eu tenho um emocional complicado, e sou bravo. E acho que preciso ser bravo. Eu sou dos que admiram a razão e a ciência legítima, que acham que academia é lugar para esta, e não para politicagem, a verdade não é relativa ou socialmente construída e jamais deve ser condicionada aos interesses da ideologia da moda, e só a verdade liberta. Sou também daqueles que querem uma economia verdadeiramente livre e próspera, e sabem que isto só se faz com estímulo ao empreendedorismo, com redução de entraves burocráticos e fiscais, e acima de tudo com mérito ao estudo e ao trabalho, com mérito aos feitos do indivíduo, o indivíduo, sim senhor, que não é um mero ponto acéfalo em uma massa chamada sociedade, cujos interesses podem ser sacrificados aleatoriamente para atender alguma agenda escusa de um ideólogo idiota.

Não sou objetivista, nem me considero bem libertário, mas definitivamente não sou socialista. Cada indivíduo é um universo, seu ser é determinado antes de mais nada por sua condição biológica, e esta determina várias de suas facetas, mas além desta, é a somatória de fatores únicos que se passam em sua vida que o tornam singular, que fazem de sua mente idiossincrática. O potencial de um ser humano não é infinito, mas é único. Este ser não é derradeiramente livre, não no sentido teológico, ilógico, que viola as leis da causalidade, como se o cérebro fosse uma quarta dimensão independente das leis da física. Mas é livre no sentido de seguir seus anseios, suas paixões, seus impulsos, e estes estarem em alguma medida mediados por seu conhecimento e sua capacidade racional. Livre-arbítrio? Corte o arbítrio. Por que não apenas “livre”?

E ideologia? Eu acredito em razão, esta é minha ideologia, e isto me faz membro de uma minoria, uma de verdade, não uma minoria do PSOL, uma pequena minoria, mas não calada.

Eu não sou um gênio, e nem estou certo de ser muito inteligente, apenas subo no ombro de gigantes, não de anões, como é o caso dos doutores e doutoras em baboseiras, e procurarei meu lugar ao sol assim. Estou vivo. E é bom estar vivo. Quem não está contente… Bem, como disse, posso ser racionalista, mas tenho um temperamento intempestivo, então mais uma vez tomo aquela frase atribuída ao também intempestivo (e como!) Marquês deSade. Não admiro em nada sua irracionalidade e perversidade, mas sim sua coragem em desafiar o convencional e jamais disfarçar quem é, em desafiar, sempre desafiar, ainda que acabasse preso antes e depois da Revolução, pois não foi capaz de se adequar à mentalidade nem da monarquia, nem do Império de Napoleão. Nem a monarquia nem Napoleão calaram Sade, e nem o politicamente correto (e nem a depressão) me calarão, se quiserem combater minhas ideias, melhor terem ideias melhores, pois não me calarei por delicadeza.

“…repito: matem-me ou aceitem-me assim, porque eu jamais mudarei.”

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s