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Assexualidade

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Desde os polêmicos estudos de Alfred Kinsey nos anos 50, muito se estudou e se discutiu sobre sexo e sexualidade humana. Em todo mundo discutiu-se sobre a homossexualidade e o que ela significa, o que faz os gays serem gays, como a sociedade deveria encarar a homossexualidade e como o Estado e a lei deveriam tratar os homossexuais. Eventualmente, homossexualidade deixou de ser crime, na maior parte do mundo (no Texas, só em 2003). E separou-se sexualidade de gênero: O travesti e o transexual mereceram suas próprias letras na sigla do movimento, eventualmente o bissexual ganhou sua letra também, a sigla cresceu, cada vez maior, de GLS para GLBTT, e esta já deve estar desatualizada agora. Em momentos diferentes, todas as minorias sexuais foram ganhando seus merecidos direitos civis, em alguns lugares mais do que outros. Homossexualidade não só deixou de ser crime, como deixou de ser considerada doença (mas transexualidade não). Especialistas sérios e farsantes discutiram e ainda discutem interminavelmente sobre as questões do sexo, o que seria sexo bom, o que torna uma boa trepada, quais as dinâmicas interpessoais entram em jogo na cama, e incontáveis manuais de autoajuda foram redigidos sobre como enlouquecer o parceiro ou parceiro na cama. Falou-se e escreveu-se muito sobre taras, sobre o que se passa na cabeça dos sadomasoquistas, se pessoas com este ou aquele fetiche foram vítimas de mães e pais repressores, se deveríamos tratar pedófilos como doentes ou criminosos … Foram décadas de pesquisa, debate, e militância. Mas um grupo ficou de fora, como se não existisse: O daqueles que não têm interesse em fazer sexo com ninguém. O próprio Kinsey reconheceu a existência deste grupo, os assexuais, marcados com um X em sua famosa escala da sexualidade humana, mas todo mundo que falou e escreveu sobre sexo no restante do século XX praticamente ignorou a existência desta minoria, que só começou a ser reconhecida no século XXI, e eventualmente surgiu até um pequeno movimento, com cores, uma bandeira e com seus símbolos, como o bolo.

Como definimos assexualidade?

Apesar de eu mesmo ser assexual, meu intuito aqui não é fazer uma crônica pessoal, narrando minhas experiências subjetivas com minha sexualidade, ou ausência dela, e sequer afirmo ter autoridade especial para falar do assunto simplesmente por ser assexual. Relatos pessoais de assexuais você encontra aos montes na internet. Posso fazer um comentário aqui ou ali sobre mim mesmo, mas o que pretendo neste post é fazer uma análise rigorosa que chegue a uma conclusão satisfatória sobre o que define assexualidade e suas implicações, afastando julgamentos e preconcepções errôneas.

Assexualidade é uma condição puramente negativa. Mas isto não é nenhum julgamento de valor. Negativo aqui não significa ruim, eu uso o termo negativo no sentido lógico apenas: Isto é: Denota algo que a pessoa não é, ou melhor dizendo, o que ela não quer, não tem desejo de fazer. Pode comparar com o termo ateu, que também é uma condição negativa, que diz respeito a algo que a pessoa não acredita.

Sexualidade é uma relação intencional, na qual sujeito tem predisposição a querer realizar certos atos, atos sexuais, com certos tipos de outros, os seus “objetos sexuais”, que possuem certas qualidades, que provocam sensações em sua mente e em seu corpo, que o levam a ter desejos. Para a maioria dos homens, por exemplo, seios grandes possuem uma qualidade erótica muito forte, e são uma característica mais conducente ao desejo do ato sexual, enquanto idade, quanto mais avançada (mantendo tudo mais constante), pior, e atenua sentimentos eróticos, que eventualmente poderiam conduzir ao ato sexual. Nos assexuais, os outros não possuem este tipo de qualidade, ou possuem mas elas não lhes provocam desejo de consumar um ato sexual, nada provoca.

Funcionalmente, portanto, podemos entender a assexualidade como ausência de desejo de manter relações sexuais com qualquer pessoa, a não disposição ao sexo. Isto é, a maioria dos homens heterossexuais sentem desejo sexual facilmente, podendo sem problemas ter relações sexuais com uma mulher desconhecida, e se abstendo ao ser convidado (por um mulher num bar dando mole, para dar um exemplo perfeito) apenas por circunstâncias especiais, tais como: Estar comprometido em um relacionamento monogâmico, e ser muito fiel, não ter um local privado para fazê-lo, não ter preservativos, ser celibatário, ou a mulher que o convidou ser muito feia. Já o assexual não terá relações sexuais mesmo tendo um convite perfeito e não possuindo nenhum compromisso que o impeça, e provavelmente nem irá atrás disso. Na verdade, em seu caso, é o contrário: Para fazer sexo ele precisa de circunstâncias especiais: Por exemplo, ele pode estar confuso, não saber ou não aceitar ser assexual, e fazer sexo mesmo sem vontade, na esperança de que será bom, e se  frustrar, ou estar em um relacionamento romântico e querer agradar a parceira, ou desejar ter filhos. Isto não significa que o assexual em questão seja falso. Significa que o ato sexual, caso seja possível (para alguns sequer é possível conseguir uma ereção), é apenas um meio para um fim, não algo que desejaria em si próprio. Assim como vários homossexuais acabam se casando e tendo relações sexuais com mulheres, mesmo sem gostar, para se passarem por heterossexuais.

As mulheres, por motivos hormonais, evolutivos, psicológicos e outros, possuem menos desejo sexual que os homens, e são mais seletivas com parceiros. Ou seja, existem menos “exemplos perfeitos” como o que dei acima. Mas as mulheres assexuais não têm prazer mesmo fazendo sexo com um parceiro estável de quem gostam muito, em um relacionamento saudável, ou seja, em condições ideais para uma mulher heterossexual. Ou seja, nem o executivo Christian Grey da série 50 Tons de Cinza daria satisfação à uma mulher assexual. Mas podem fazer sexo mesmo assim, pelos mesmos motivos que os homens assexuais.

Compreendendo que assexualidade é uma condição negativa, fica mais fácil esclarecer algumas coisas: Primeiro, por que este grupo se manteve tão silencioso e esquecido por tanto tempo: Condições negativas despertam muito menos o deseja nas pessoas a procurarem semelhantes e formarem organizações do que condições positivas. Para que formar um clube de pessoas que não gostam de futebol? Para não jogarmos futebol juntos? Claro que podem haver bons motivos que não são óbvios, pensando mais afundo, mas a maioria das pessoas não sentem este desejo de agremiação por coisas que não acreditam ou não desejam. Veja que apesar de haver várias organizações ateias, como a Atea no Brasil, que têm sua importância, assim como as organizações assexuais têm importância também, a  maioria dos ateus não fazem questão de ligar-se à organização alguma. Gays sempre procuraram lugares em que pudessem se encontrar para encontrar pares românticos e  transar, mesmo quando isso era ilegal. Ficar no armário sempre foi difícil. Isto porque a homossexualidade tem um aspecto positivo, algo que eles têm que a maioria dos homens não têm, isto é, desejo sexual por outros homens, e isto os leva a fazer coisas, procurarem outros gays, formarem associações para defenderem seus direitos de fazerem o que gostam, e também faz com que seja mais difícil se esconderem (é mais fácil ser flagrado fazendo algo do que não fazendo algo). E a homossexualidade também tem um aspecto negativo, algo que eles não têm que a maioria dos outros homens têm: O desejo por mulheres.

Isto é importante porque o aspecto da homossexualidade que mais causa asco nos homofóbicos, levando às vezes até à violência, é o positivo. Por isso, infelizmente, pouco adianta tentar convencer um homofóbico de que ele não deveria se incomodar com gays pois, afinal, assim há menos concorrência por mulheres. Para ele isto não importa: A simples ideia de dois homens se beijando já lhe causa repúdio, e os bissexuais sofrem praticamente o mesmo preconceito que os gays, o fato deles não terem o aspecto negativo da homossexualidade não importa aos preconceituosos. Por isto eu desconfio seriamente das estatísticas que dizem que os assexuais sofrem mais preconceitos que os gays, é bem provável que as pessoas que respondem às enquetes nem saibam o que é assexual,  esta é a orientação sexual menos conhecida, e considere que são simplesmente “umas bichas enrustidas”. Um assexual possui apenas o aspecto negativo da homossexualidade. Isto pode importar mais para a família, especialmente para os pais, que normalmente sonham com netos, mas acho que para a maioria das pessoas, quando devidamente informadas, um assexual é simplesmente alguém que não transa, é capaz de perguntarem “igual ao vovô?”.

Variações

Como eu espero ter deixado claro em minha definição, a assexualidade diz respeito ao aspecto funcional do indivíduo em relação à aceitação e procura de relações sexuais. E eu quero aqui defender a posição de que, falando de sexualidade ou orientação sexual, a descrição funcional é o que importa (não necessariamente uma análise funcional vai bastar para todo e qualquer conceito). No entanto, assim como é necessário separar desejo sexual de identidade de gênero (há travestis que não são gays) é necessário separar desejo sexual de desejo romântico.

Nos heterossexuais, homossexuais e bissexuais, as duas coisas normalmente andam juntas. Só quando os assexuais começaram a ganhar mais visibilidade passou a ser válido distinguir desejo sexual de desejo romântico e afetivo. Muitos assexuais são totalmente arromânticos, isto é, não possuem desejo entrarem em relacionamentos afetivos como namoros e muito menos casamentos, nem de gestos românticos como beijos ou abraço. Já outros (como eu) têm sentimentos românticos, e podem até namorar, e eventualmente fazer sexo na expectativa de agradar a parceira ou parceiro. Isto não é contraditório, pois relacionamentos amorosos envolvem mais do que sexo, é uma dinâmica bem complexa, e não é de se admirar que alguém possa ter o “circuito” do desejo sexual desligado, mas ter vários outros relacionados ao envolvimento amoroso ligados.

Alguns assexuais relatam ter libido, que seria um desejo erótico “puro”, sem um objeto intencional (uma representação de um outro), ou mesmo com um objeto intencional, mas sem que este motive um desejo de fazer sexo, e vários assexuais se masturbam, enquanto outros não se masturbam e não têm libido nenhuma. Aqui é onde a coisa fica mais espinhosa, isto é, onde a questão de desejo e libido são diferenciadas, e onde as pessoas se perguntam se assexualidade não seria uma doença ou transtorno psicológico.

O que é válido ou não excluir da assexualidade?

A única definição que é realmente ponto pacífico é que assexualidade é diferente de celibato, ou abstenção sexual por decisão, seja religiosa ou não, bem como não é a falta de sexo por falta de oportunidade. Minha análise é funcionalista, mas não simplesmente comportamentalista (behaviorista), pois eu acho que não podemos caracterizar uma orientação sexual sem lançar mão de conceitos “mentalistas”, como crenças e desejos. Sim, um celibatário muito controlado pode ser aparentemente idêntico à um assexual, mesmo que contratemos um detetive particular para segui-lo e anotar tudo que faz por meses. Mas internamente não podia ser diferente: O celibatário apenas se abstêm de sexo por estar tomado por crenças normalmente religiosas, de que sexo é algo impuro ou pecaminoso, a crença interfere no desejo, mas o desejo não deixa de existir. No fundo ele morre de vontade, fosse convertido ao ateísmo (eu já tentei, mas é muito difícil) certamente instalaria o Tinder no mesmo dia. Mesma coisa que o cara que não pode transar. Ele deseja, mas não tem sucesso em obter, ou não surgem oportunidades, ou… Você deve estar entendendo. A minha linha demarcatória é desejo de fazer sexo, se você não tem, se não tem nenhuma predisposição que o leva a gastar tempo e recursos com a busca do sexo, ou se as suas tentativas de fazer sexo não trouxeram praticamente nenhum prazer, você é assexual.

Eu rejeito definições ridículas de autoajuda, de “você é se você está feliz assim”, como se verdade fosse aquilo que deixa as pessoas contentes. Acho que o assunto merece ser tratado com rigor. Mesmo que você seja feliz acreditando que é um unicórnio, o máximo que eu posso fazer é deixar você em paz acreditando que é um unicórnio, só não me peça pra entrar na brincadeira e dizer “sim, claro que você é, você é o que quiser!”, e mesmo se eu entrasse, isso não mudaria o fato de que você não é unicórnio.

Dito isso, eu rechaço também as definições sem fundamento de que pessoas com baixos níveis hormonais (“hipogonadismo”, “desejo sexual hipoativo”, ou coisa que o valha), que causam baixa libido, não possam ser chamadas de assexuais, como o canal Mínutos Psíquicos faz no final do seu vídeo, em que chegou ao cúmulo de afirmar que você precisa ver um médico ou psicólogo pra se certificar que é assexual de verdade. Que desserviço. Vão catar coquinho. Imagina como teria sido a reação do público se o Minutos Psíquicos tivesse dito em um vídeo sobre homossexualidade “se você acha que é gay, melhor ir procurar um psiquiatra ou psicólogo pra ver se está tudo bem”.

Defendo o funcionalismo e o conceito de múltipla implementação (multiple realization), em especial para orientação sexual. Em poucas palavras, o software é o que importa! Ao contrário do que alguns acreditam, o conceito de funcionalismo não nega o fisicalismo necessariamente, isto é, não nega que estados mentais, incluindo dores, sentimentos, aflições, e o que nos interessa aqui, desejos, tenham estados cerebrais correspondentes (“e neste slide, podemos ver o padrão de ativação do cérebro de um assexual ao ver uma pessoa pelada, como podem ver, a região do hipotálamo…”), e muitas regiões do cérebro são específicas para certas coisas. Mas ao definir uma orientação sexual, ou sexualidade, o que importa é apenas o que ela faz, como ela influencia ações do sujeito no mundo externo e como interage com outros elementos de seu mundo interior. Perguntaria aos “gênios” dos Minutos Psíquicos, se alguém com baixos hormônios não é assexual de verdade, o que é então que faz um assexual verdadeiro? Será preciso detectar uma ausência de “essência sexual” emanando da alma do sujeito?

Eu vou até fazer uma única concessão aos Minutos Psíquicos: O cara que é assexual, e cuja assexualidade é causada por fatores hormonais, pode até estar doente, mas, eu quero frisar, isto não faz sua assexualidade menos verdadeira, e eu pergunto: E se ele não quiser ser tratado? Aqui, diferente do cara que acha que é unicórnio, ninguém está pedindo nenhum faz de conta, pode-se perfeitamente admitir que há algo errado consigo, clinicamente falando, mas julgar mais vantajoso deixar como está.

É bom ser assexual?

Na verdade, fora, talvez, o caso do assexual por baixo nível de testosterona, uma vez que você descobre ser de uma orientação sexual, pouco importa se é bom ou não, pois não dá para fazer muito para mudar. Mas desde quando eu me preocupei com utilidade para divagar sobre temas? Certamente, um assexual pode se frustrar por não ter este magnífico prazer que todos dizem que é ter sexo, mesmo pagando para isso. Não tem como não ser um pouco frustrante: Imagine que você descobre que não pode e nem precisa comer. Ou até pode, mas toda comida vai ter gosto de isopor, e não vai mudar nada em seu corpo. Cada vez que passar um comercial do McDonalds ou do Burguer King, você fica sem saber o que há de tão apelativo naquelas coisas, mas imagina que deva ser muito bom para as pessoas comerem mesmo sabendo que os lanches de verdade são muito menores e menos vistosos. Você vai se lamentar, sem dúvida, de não poder se deliciar em churrascos com seus amigos, não sabe o que há de tão bom em degustar uma picanha ou uma fraldinha; nos jantares, vai ficar só bebendo água e conversando enquanto os outros fatiam filés e sugam espaguetes, e você fica se perguntando o que eles veem de bom de por essas coisas na boca, e como seria interessante sentir o que eles sentem, pois todas as vezes que tentou, mesmo sem vontade nenhuma, tudo tinha gosto de isopor.

Por outro lado, você tem muito mais dinheiro sobrando para outras coisas, as contas estão sempre em dia e você ainda pode comprar vários produtos que jamais poderia se tivesse que gastar centenas de reais com comida no supermercado. E tem muito mais tempo para estudar, cuidar da casa, se dedicar a um hobbie e mesmo curtir com seus amigos, visto que não tem que parar o dia para almoçar e jantar, e ainda pode passar um tempo de manhã jogando videogame antes de sair, já que também não tem que tomar café da manhã. E nunca vai ter que se preocupar com obesidade, intoxicação alimentar, ou outros problemas de saúde relativos à comida.

Acho que este exemplo deixou claro: Até que não é nada mal.

https://asexuality.org/

https://plato.stanford.edu/entries/functionalism/

https://plato.stanford.edu/entries/multiple-realizability/

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2 comentários sobre “Assexualidade

  1. Marcos Pedro disse:

    Ao ler seu artigo fiquei comentando comigo mesmo: ser assexual não é ruim , passava-se 1 segundo pensava o oposto , mas não é a este ponto que queria comentar, eu achei interessante o jeito de pensar do assexual, e imagino que infelizmente eles devem ser “multilados” tanto pelos LGBTT quanto pelos que são a grande maioria mundial os heterossexuais

    Curtido por 1 pessoa

    • “Mutilados” eu não diria, é um termo muito forte. Um dos meus melhores amigos simplesmente nega que eu seja assexual, apesar de eu ter apresentado vários argumentos, acredito que pra maioria dos aces seja assim, as pessoas só acham que você não é ace de verdade, que é só uma fase ou coisa assim, o que é compreensível, pois a maioria das pessoas nem sabe que isso existe.

      Também podem pensar que o assexual é só um homossexual enrustido, e nesse caso ele receberá o mesmo preconceito que os gays. Mas, no geral, ainda é uma orientação sexual desconhecida, quase impossível, e não podemos saber bem como é o preconceito da sociedade. Mas eu até gosto da comunidade ace ser pouco conhecida: Acho que é a única minoria sexual que ainda não foi associada à extrema esquerda, e a menos irritante e histérica.

      Não duvido que os grupos LGBTT tratem os aces com preconceito se nos tornarmos mais conhecidos. Conflitos internos entre as minorias não são novidade, há por exemplo gays que não gostam de travestis, e feministas que não gostam de gays e etc.

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