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Feminismo – Três Lados da Moeda

Por acaso encontrei esse debate no YouTube, e gostaria de fazer algumas observações sobre ele. Recomendo assisti-lo todo antes de ler o post. O comecinho do vídeo não tem som mesmo, os primeiros segundos. E seria bom se no resto do vídeo o áudio da loira continuasse mudo.

As duas participantes, Nádia, a morena à esquerda, e Taís, a loira, à direita, têm suas respectivas páginas no Facebook; a de Nádia é a Moça, não sou obrigada a ser feminista e a página da Taís é Sem Censuras por Favor (que eu me recuso a linkar aqui). A Jovem Pan dificilmente encontraria figuras mais antagônicas para debater o assunto, e nessa meia hora de debate podemos ver não apenas uma mera diferença de opinião, mas uma diferença de maturidade intelectual entre as participantes: Nádia fala sempre de forma clara, pragmática, reconhecendo problemas sociais de forma realista e imparcial. Ela não aparenta em seu discurso nenhuma neura nem fanatismo ideológico de qualquer tipo. Já a Taís…. Que dó. Tão bonita, mas defeca tanto pela boca. Só papagaiou discursinhos prontos politicamente corretos do começo ao fim.

Primeiramente, deveríamos pensar por que existe um movimento antifemista em que participam mulheres: Estas mulheres, como a Nádia, se odeiam? Gostam de serem tratadas como escravas, confinadas à casa e aos serviços do lar apenas, proibidas de trabalhar no que tem aptidão? Aceitam de bom grado casarem-se e ter filhos por decisão alheia? É claro que não, e não apenas as antifeministas autodeclaradas e militantes, como Nádia, mas também mulheres que simplesmente não fazem caso do feminismo ou nunca acharam um movimento interessante para se juntar, são mulheres que encontram-se em alguma profissão de sua escolha, casam (ou não) quando julgam melhor, e fazem sexo por vontade e com os companheiros que as atraem, não por coerção. Se sofrem violência ou preconceito de qualquer forma, sabem procurar ajuda como qualquer cidadão procuraria, independente de sexo. O que de certa forma significa que o feminismo já não é mais necessário, ou não tão necessário quanto foi antes, e as mulheres que são contra o feminismo sentem a mesma coisa, não estão sendo oprimidas por ninguém e se sentem perfeitamente aptas a viverem bem em nossa sociedade, não precisam de uma bandeira ideológica para defender seus interesses, e não precisam ser “empoderadas” por ninguém.

No mundo ocidental desenvolvido, feminismo, que começou como uma luta por causas perfeitamente válidas, acabou virando um movimento neurótico, de um bando de loucas, intoxicadas por certos venenos ideológicos como o pós-modernismo, que buscam muito mais privilégios do que direitos iguais (sendo que, legalmente, eles já são praticamente iguais), e enxergam opressão, estupro e machismo em tudo, até em comportamentos corriqueiros, situações cotidianas, e tendências psicológicas naturais das pessoas, uma espécie de macarthismo moderno: Se Joseph McCarthy olhava embaixo da cama antes de dormir para ver se não havia comunistas escondidos, e suspeitava de tendências marxistas até em desenhos animados, as feministas olham embaixo da cama para ver se não tem algum misógino esperando para atacá-las, e traduzem até mesmo um mero olhar para um decote ou uma piada banal entre amigos em um bar como machismo, misoginia e opressão patriarcal. Não à toa surgiu um apelido apropriado para esta seara de feministas: Feminazistas, ou feminazis.

Não que as desigualdades não existam, e que a mulher não padeça mais de certos tipos de violência do que os homens, sabemos que isso ainda é verdade, infelizmente, mas mulheres mais racionais como Nádia entendem que outros grupos também sofrem da violência com muita frequência, e que cada vítima de um tipo de violência, como estupro, merece atenção, não apenas mulheres. Provavelmente, em um país em que as mulheres ainda sofrem muito mais injustiça do que qualquer outro grupo (como em países islâmicos) uma mulher com a personalidade de Nádia seria uma feminista, ainda que corresse o risco de morrer por isto. Mas não parece ser o nosso caso. Nádia também entende o fato óbvio de que não existe cultura de estupro no Brasil, as pessoas odeiam estupros, e mesmo os piores criminosos nas cadeias não toleram estupradores. Nossa lei exagera bastante, tendo recentemente (cerca de 2009) extinguido o crime de “atentado violento ao pudor” e encaixado tudo remotamente relacionado, até mesmo um beijo forçado ou uma “encoxada”, na categoria estupro. A reforma pecou pelo excesso, mas foi necessária, pois, pela lei anterior, estupro era apenas sexo vaginal forçado, e um homem, estrito senso, não poderia ser estuprado de verdade, e nem uma mulher seria tida como vítima de estupro se o sexo fosse anal (apesar das penas serem parecidas mesmo antes da reforma). Taís parece não saber disso, pois, ao mesmo tempo que estende o conceito de estupro para declarar que ele acontece o tempo todo e que todas as suas antepassadas foram vítimas dele, defende que uma mulher é incapaz de estuprar por ser fisicamente incapaz, e que quando uma mulher abusa sexualmente de uma criança isto não é estupro. Lamento, mas pela lei, é sim, e basta usar a imaginação para ver como uma mulher pode estuprar um homem. E, independentemente de ser exceção ou regra, toda vítima de estupro merece ajuda e justiça, uma mulher que abusa de uma criança é tão errada quanto um homem que faz o mesmo, e nossa lei (corretamente) pune de igual maneira.

Mas Nádia infelizmente não é imune aos modismos pseudo-intelectuais contemporâneos (nobody’s perfect), e comete o pecadilho de concordar com Taís que “sexo não tem nada a ver com estupro”, e chega a declarar que isto é um ponto pacífico. E baseada nesta crença, Taís também chega à “brilhante” conclusão de que castração química não é eficaz (contrariando pilhas de evidências de que é) porque, afinal, não adianta tirar o libido se o estuprador não é movido por libido.

É sim. E estupro não se trata apenas de opressão pura ou sadismo puro; a priori, é sexo mesmo, é movido por simples tesão. Que tal um pouco de ciência para elucidar a confusão? Trarei novamente um de meus autores favoritos, Steven Pinker, cientista cognitivista canadense-americano, e uma das mentes mais brilhantes de nosso tempo. Pinker já escreveu sobre sexualidade humana, e especificamente sobre o assunto estupro, em seus livros Como a Mente FuncionaTábula Rasa e Os Bons Anjos da Nossa Natureza. No Tábula Rasa ele deixa claro: Dizer que estupro não tem nada a ver com sexo é como dizer que assalto a banco não tem nada a ver com ganância, e profetiza que o ditame “estupro não tem nada a ver com sexo”, do qual as debatedoras (nenhuma delas cientistas) estavam tão seguras, será lembrada na história como “um exemplo de delírios populares extraordinários e da loucura das massas” Sexo é algo tão sagrado que jamais poderia estar relacionado a algo ruim? Claro que não. Como Pinker explica (e não é preciso ser gênio como ele para entender), não é nem sagrado, nem profano: Sexo é apenas uma das muitas coisas que as pessoas desejam muito, e como tudo que é muito desejado, algumas pessoas, incapazes de obtê-lo por vias legais, e sem escrúpulos, vão tentar obter pela violência. A ideia de que os homens estupram em respeito à um “patriarcado” (essa mística confraria dos misóginos de todo mundo mancomunados contra as mulheres, uma espécie de Illuminati das feminazis) ou por obediência à uma “cultura do estupro” também é patética. Estupradores correm enormes riscos ao cometer seu crime. Mesmo em sociedades primitivas, corriam o risco de ser agredidos fisicamente pelas vítimas, e de sofrerem retaliação dos membros do sexo masculino de sua família. Nas sociedades modernas, o estuprador corre o risco de ser preso por um longo tempo, e dele mesmo ser estuprado, e possivelmente morto. Quem está disposto a arriscar a vida (e o cu) pelo tal patriarcado? Vamos cair na real: O estuprador é tão egoísta quanto um estelionatário ou um ladrão de carros, sua motivação (se foi sexo ou dominação) é o que menos importa.

Quanto à questão da representação política, mais uma vez, Nádia foi a voz da razão: Não importa o sexo, a cor, a etnia: Ser ministro é um cargo de altíssima responsabilidade e demanda competência e honestidade, o critério deveria ser meritocrático, limitado apenas pelo caráter do indivíduo (não é boa ideia colocar alguém que é genial mas também corrupto até a medula, como “doutor Paulo Maluf”) não há espaço para cotas na alta cúpula de um governo, em que cada deslize significa deixar o povo ainda mais na merda. Temer fez decisões execráveis na escolha de seus ministros (Kassab nas comunicações, meu Zeus, o desgraçado tentou até ressuscitar o limite na internet fixa) mas o simples fato de não haver membros de minorias, inclusive mulheres, não é um fato relevante para quem não se importa com ideologias. O ministro não está lá para ser representante da cor de pele ou do sexo dele, mas para trabalhar para melhorar o país, e ainda que isso não aconteça, não é com menos meritocracia que se resolve o problema, é com mais.

Mas as mulheres são menos competentes, ou menos inteligentes, que os homens? Não, e mais uma vez, citarei Tábula Rasa, em que Pinker cita numerosos estudos estatísticos de testes de QI que mostram que as mulheres não são menos inteligentes que os homens em inteligência geral, e olhe que não faltou quem tentasse provar o contrário. Homens e mulheres, no entanto, diferem mais em capacidades cognitivas específicas: Homens em média são melhores em girar objetos 3D mentalmente, demonstram desde cedo mais interesse por objetos que por rostos, mulheres em média têm mais empatia. Isto explica em grande parte o porquê de certas carreiras serem mais buscadas por um sexo do que por outro.

O que absolutamente não significa que haja algo de errado em uma mulher ter jeito para números, gostar de máquinas e querer ser engenheira, ou que um homem tenha algo errado por procurar carreira em psicologia ou letras. O “em média” eu não escrevi de enfeite. O fato dos homens serem, em média, mais altos que as mulheres, não significa que haja algo de errado no mundo se você vir uma mulher mais alta que um homem, nem que a estatística está errada. E também não é justo tratar alguém com preconceito numa entrevista de emprego por isso. Os entrevistadores selecionam candidatos, não “médias”, e têm muitos meios melhores de aferir a capacidade do profissional do que o sexo do candidato. Mas o simples fato de vermos salas de aula dos cursos de análise de sistemas e engenharia quase completamente povoadas por homens, por si só, não demonstra nenhuma injustiça no mundo, parece ser um mero demonstrativo das tendências psicológicas mais típicas de cada sexo. E não são só os homens que têm predominância em certos ramos profissionais: Quantos “tios” você teve na escola na pré-escola e Ensino Fundamental I? Provavelmente só o de educação física, e olhe lá.

Taís solta no final da entrevista (ou “lacra”, no linguajar de sua trupe) que a visão de Nádia (de que mulheres e homens são naturalmente propensos a procurarem interesses diferentes, comprovada cientificamente) é uma visão que “biologiza” o homem, e que preferências específicas de determinados sexos são meras “construções sociais”. Eu grifei os termos e coloquei entre aspas pois este é exatamente o tipo de chavão que me faz imediatamente deixar de levar a sério uma pessoa e desconsiderar tudo que ela falar em seguida, recomendo a você fazer o mesmo, apesar de que no caso da loirinha, já tinha deixado de levar a sério muito antes. “Cientificismo“, uma espécie de palavrão no jargão pós-modernista, é outro alerta vermelho. A “visão biológica” do homem também é conhecida como a visão realista do homem (e da mulher), embasada em fatos. O pensamento é o que o cérebro faz, e as estruturas do cérebro, várias já formadas antes do nascimento, codificadas no DNA, vão determinar traços de personalidade, inteligência, e preferências como as de carreira. Os cérebros masculinos e femininos têm diferenças inquestionáveis (apesar de não tão absurdas quanto nas ridículas piadas e anedotas do tipo “mulher é tudo isso e homem tudo aquilo”). Já recomendei a literatura para quem quiser averiguar, procure em outras se preferir, mas cuidado com suas fontes, sempre. Fuja de textos que tenham viés anticientífico (com ceticismo gratuíto contra estatísticas, números e metodologias científicas), repletos de chavões pós-modernistas, assim você poupa sua mente de virar um penico foucaultiano.

Estudo após estudo de gêmeos separados após o nascimento mostram que, no final das contas, eles acabam, em média, quase tão parecidos como são os gêmeos criados juntos, e se assemelham até mesmo em hábitos como entrar na piscina de frente ou de costas e deixar bilhetinhos amorosos para o cônjuge pela casa. Irmãos adotados também acabam se parecendo tão pouco na idade adulta quanto qualquer par de adultos escolhido ao acaso na mesma população. Isto é o que a ciência diz. O que as feministas “lacradoras” têm em sua defesa? Ah é, o “Instituto Data Vivência”, fonte de informação principal das ideologias baseadas em pós-modernismo. Aliás, parece que conseguiram derrubar o site (essa turma do Sem Censura contanto que não discorde de mim), mas eu achei e linkei uma cópia.

instituto-data-vivencia

E fica a dica desse ótimo pacote de stickers para Telegram, clique na imagem para baixar

O meu parecer final sobre o feminismo: A maior lástima da história é que os lugares do mundo que mais precisam de feminismo são os que menos têm. Nos países islâmicos, líderes disparados em violência e discriminação contra mulheres, não se vê movimentos feministas, por óbvios motivos, e mesmo as feministas aqui do ocidente secularizado são cheias de dedos para tocar no assunto, não atacam o tratamento desumano da mulher em países do Oriente Médio, onde ele é pior, porque, pelos mesmos vapores foulcaultianos que as levaram a ser feminazis, aprenderam que a cultura de um povo, mais ainda quando é religiosa, é algo absolutamente intocável e incriticável, e todo julgamento de valor é relativo, assim como a moral em si é relativa. Então, sinto muito para a mulher que está enterrada até o pescoço em um campo de futebol esperando para ser apedrejada até a morte pelas pessoas na arquibancada como entretenimento no intervalo de jogo, para as feministas o seu sofrimento é indiferente e insignificante frente à intocável cultura daquele povo, estão mais preocupadas com os horrores da opressão dos comerciais com mulheres bonitas dos países decentes.

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