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Por Quanto Tempo Uma Mentira Pode Se Manter?

pinoquio

Resposta curta: Por tempo indeterminado.

Resposta longa:

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/eua-determinam-que-homeopaticos-alertem-consumidores-sobre-falta-de-comprovacao-cientifica-20523143

Quando vi esta notícia de que nos EUA será obrigatório os remédios homeopáticos informarem no rótulo que não tem eficácia cientificamente comprovada, só pude pensar “antes tarde do que nunca”.

Homeopatia é pseudociência, pura e simplesmente. Não passam de placebos. A homeopatia se manteve alardeando termos obscuros como “memória da molécula de água” e “igual cura igual”. Fez muito sucesso quando foi inventada por um cientista alemão do século XVIII, uma época em que a medicina era uma coisa horrenda, e médicos frequentemente prescreviam medicamentos com chumbo ou mercúrio, que frequentemente não tinham eficiência nenhuma e faziam a pessoa se sentir muito mal. Os homeopáticos, pelo menos, não fazem as pessoas se sentirem mal. Mas não tem nenhum efeito fisiológico cientificamente comprovado.

Como a “mágica” funciona? As pessoas se sentem bem simplesmente sentindo que estão recebendo atenção e tratamento de um profissional, e querem se sentir bem. O humor e a moral influenciam a saúde. Eu já me tratei com homeopatia no passado. A médica era praticamente uma psicóloga, ouvia detelhadamente os meus problemas e aflições, e a consulta com o homeopata em geral é muito mais longa do que seria com um clínico geral. Quanta gente não se queixa de que foi ao médico, seja pelo SUS ou pelo convênio, e o médico nem olhou para sua cara antes de passar a receita? Não é tão difícil entender a popularidade dos homeopatas. Mas nem por isso deixa de ser um placebo o que eles dão.

Meu conselho é: Se você precisa de um psicólogo, vá a um psicólogo. Você não precisa ser enganado para melhorar o seu estado emocional.

Já houve estudo nos EUA, com pessoas que sofrem de síndrome da bacia irritável, tentando provar que placebos são melhores que tratamento nenhum e surtem efeitos, mesmo quando os pacientes sabem que o que estão tomando é placebo. Pareceu interessantíssimo a princípio, e foi alardeado na mídia e na blogosfera. Mas tinha um pequeno detalhe: Antes dos testes começarem, os pesquisadores conversaram com todos os voluntários a respeito das propriedades “milagrosas” do efeito placebo, exageraram até o limite os supostos efeitos curativos dos placebos, usando e abusando dos termos “interação mente-corpo” e “auto-cura psicossomática” (tradução livre). Mesmo o anúncio para a pesquisa, em folhetos e jornais (nos EUA voluntários de pesquisa podem ser pagos para a tarefa) alardeavam “um novo estudo de gerenciamento de mente-corpo pela IBS”. Some-se isso ao fato de que a melhora dos pacientes que receberam placebo não foram tão superiores assim em relação aos que não tomaram nada, e os critérios foram todos subjetivos, e a tal pesquisa no final não acrescentou nada ao que já se sabe sobe placebos.

Alguém poderia dizer que homeopatia existe e é praticada desde o século XVIII, não podemos dizer que não funciona.O mesmo costuma ser dito a respeito da medicina chinesa, existente há milhares de anos. Claro, a humanidade conhecia várias propriedades medicinais de certas substâncias muito antes da farmacologia moderna, mas quando as pesquisas sérias começaram, os cientistas estudaram estas curas tradicionais e avaliaram quais delas realmente faziam alguma coisa e descobriram como exatamente isto funcionava (por exemplo, no século XIX foi isolado o ácido acetilsalicílico da casca do salgueiro, que desde a antiguidade se sabia que ajuda a curar dores de cabeça) e o resto acabou-se descobrindo que não passavam de crendices.

É, uma mentira pode durar muito tempo, e não só em questões de saúde.

Até hoje ouço comentários antissemitas baseados no fato de que se os judeus eram odiados e frequentemente banidos (pogrons) durante toda a Idade Média, e ainda hoje são odiados por todo o oriente médio, logo eles devem ser ruins mesmo, difícil acreditar que todos os outros é que estavam errados. Argumento idiota. Os judeus sempre viveram em guetos, isolados dos lugares onde viviam os cristãos (mesma coisa no mundo islâmico) e a maioria das pessoas só procuravam um judeu quando precisavam de um médico, ou quando queriam dinheiro emprestado, algumas das maneiras que eles tinham de ganhar a vida não podendo possuir terras. Ou seja, não conviviam com eles, não frequentavam os mesmos ambientes, só conversavam quando muito necessário.

É fácil criar mitos sobre grupos de pessoas quando não se convive com elas, só se conhece caricaturas. estereótipos, dos membros deste grupo; é notável que as pessoas que convivem com pessoas diferentes diariamente são menos preconceituosas. Na Idade Média também acreditavam que os judeus usavam sangue de cristãos para todo tipo de ritual, algo chamado blood libel, até mesmo para se curar, ou seja, eram vistos como vampiros usurários (pessoas que ganham a vida emprestando dinheiro à juros sempre foram detestadas). E, como tinham hábitos higiênicos melhores, poupavam-se dos surtos de cólera tão frequentes na Idade Média, o que as pessoas entendiam como prova de que os judeus tinham pacto com o demônio. A noção da realidade das pessoas é muito mais resultado das crenças de seu grupo do que de fria análise racional.

Portanto sim, existem n maneiras para uma mentira ser mantida indefinidamente. Algumas das que são contadas mais frequentemente são “li e aceito os termos do serviço”, “deus existe” e “os números não mentem”.

Mais referências:

http://falaciasonline.wikidot.com/apelo-a-tradicao

 

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2 comentários sobre “Por Quanto Tempo Uma Mentira Pode Se Manter?

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