geek, internet

https://www.theguardian.com/technology/2016/dec/16/venezuela-bitcoin-economy-digital-currency-bolivars

Sabe o meu post sobre o bitcoin em que eu expliquei as vantagens, mas também disse que é uma moeda muito instável e não é tão seguro quanto guardar num banco? Aparentemente, estas advertências não valem se você vive na Venezuela.

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Aplicativos, geek

Truecaller: Livre-se do incômodo do Telemarketing Ativo

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É quase 2017 e telemarketing ativo ainda existe… Que infortúnio.

Onde mais tem telemarketing ativo é no telefone fixo. Pior de tudo é a insistência, você diz que não está interessado em seja lá o que for, mas eles continuam ligando mesmo assim. Telefone fixo, por mais que seja necessário às vezes, na maior parte do tempo só serve para encher o saco. Infelizmente, quanto a este o melhor que você pode fazer é tirar o fio da tomada, ou, no máximo, informar, polidamente mas com firmeza, que você não quer mais receber ligações deles, solicitar que o seu número seja retirado da lista, e ameaçar processar se eles tornarem a ligar. Sim, você tem esse direito.

Mas se o problema forem ligações de telemarketing no celular, você pode instalar um aplicativo grátis chamado Truecaller. Tem para todos os sistemas operacionais móveis. Todos mesmo, não só para Android e iOS, mas também para Windows Phone, BlackBerry (BB10 e os mais antigos) e até mesmo Symbian e S40.

truecaller

Depois de instalar e configurar para o seu número, na parte de baixo (ver foto acima), uma barra branca com quatro opções, clique em Bloquear (ícone de escudo), depois clique em Bloquear Configurações, e marque a caixinha “Bloquear Spammers”. Pronto. Se quiser, na mesma tela, também pode marcar “Bloquear números ocultos”. Se quiser também bloquear chamadores específicos para eles não te perturbarem (desafetos, parentes inconvenientes, ex-namoradas por exemplo) nas opções do menu de baixo clique em Contatos, ao lado de Bloquear, selecione o chato ou chata, e clique em bloquear.

http://truecaller.com/

Feliz 2017, com menos encheção de saco.

telemarketing

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filosofia, sociedade

Então Já Foi o Natal

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E o ano novo vem aí.

Este ano uma das tretas que acompanhei na internet é a dos reaças vs. “jovens revoltosos” na ceia de natal em família, que não suportam os parentes mais conservadores e religiosos. Um texto que sumariza bem a questão é o do conservador Eric Balbinus do blog O Reacionário:

http://www.oreacionario.blog.br/2016/12/os-textoes-da-extrema-esquerda-sobre-o.html

Achei o posicionamento válido e o texto bem escrito (e ganha um “bônus” por usar uma imagem do Futurama de ilustração para o post, adoro)  mas não concordo com tudo. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que ateísmo, e antiteísmo em geral, não é uma bandeira de esquerda. Certo, muitos ateus são de esquerda, mas definitivamente nem todos, nem a maioria, e eu percebo que hoje uma grande parte do movimento conservador quer forçar a barra para transformar ateísmo em uma bandeira de esquerda, parecem acreditar que todo ateu é esquerdista, e que cristãos são todos de direita. Nem parece que estamos no mesmo continente em que existe esta aberração grotesca chamada Teologia da Libertação, e no país de falastrões como Leonardo Boff e Frei Beto. A América do Sul é um continente com população majoritariamente cristã, acha mesmo que a esquerda teria avançado tanto por aqui, se fosse necessariamente antirreligiosa? Não, eu não acho que exista um perfil do ateu. Tanto Ayn Rand quanto Karl Marx eram ateus convictos, que exemplo melhor você quer? Também não é verdade que esquerdista não trabalha, ainda que muitos dos cabeças do movimentos de esquerda, e que mais aparecem na mídia e nas redes sociais sejam vagabundos mesmo. Um dos comunistas mais convictos que já conheci foi meu chefe numa empresa que trabalhei, que inclusive era muito gente boa. Este senhor Eric tem uma porção de estereótipos nos quais parece acreditar plenamente, o que não pega muito bem para quem critica tanto os fanáticos de causa que não conseguem enxergar as pessoas, nem os próprios parentes, sem ser pelas lentes distorcidas de seu viés ideológico, desculpe se parto de um mal julgamento.

Mas o texto não fala apenas dos ateus, que não suportam a religiosidade de parentes, mas de feministas e outros “istas” que acham os parentes retrógrados, geralmente adolescentes e jovens adultos. Rendeu até uma piada (idiota) no programa The Noite.

Não sei muito sobre a família dos outros, mas só me pergunto, se para você é tão insuportável a experiência do natal ou outras festividades em família, para que ir? Eu não acho que ninguém seja obrigado a se socializar com pessoas de que não gosta, ainda que sejam da família. Não é meu caso, eu geralmente gosto de reuniões familiares, vou de vez em quando, principalmente em aniversários, para mim não há nenhum defeito insuportável neles, e eles mesmos me toleram do jeito que eu sou, com todas as minhas peculiaridades, vou quando acho que seria mais agradável do que ficar em casa. Na hora das orações, eu apenas fico em silêncio. Se o assunto é futebol, que eu detesto, eu não falo nada. Tão difícil? Não para mim. E nem acho problema um ateu desejar “feliz natal” ou fazer qualquer menção desta festividade, que já virou uma data secular há muito tempo, só não vê quem não quer. Claro que cada família é uma, e ninguém é obrigado a ser tolerante com os familiares só porque eu sou.

Eu sempre fui um inconformista, nunca aceitei decretos de que as coisas são de tal jeito e ponto e acabou, não tem o que discutir. Tenho a impressão de que muita gente vai nestas reuniões de família (e participa dos grupos chatos de WhatsApp de família, outra reclamação frequente) por se sentir obrigado. Eu não acho. Sempre que me dizem “você é obrigado a isso/você tem que aquilo” eu pergunto, por quê? Qual é a punição para eu fazer o contrário? Alguém será prejudicado? Pergunte-se isso você também. Apesar de eu achar lastimável recusar-se a sentar à mesa com pessoas só por elas terem uma ideologia diferente da sua, não podemos dizer que isto não é direito, e é melhor que ser o chato da festa. Se não quiser se indispor com eles, não dá pra pensar numa desculpa?

É claro que muita gente vai em reuniões de família não apenas porque tem um senso de que é obrigado a participar dos eventos de sua família estendida, mas vai “na marra” mesmo, principalmente adolescentes, ou porque a festa é na própria casa, ou porque o pai não deixa ficar em casa jogando videogame ou fazendo outra coisa ao invés de ir na casa da avó ouvir piadas de pavê ou pra cumê, perguntas dos tios sobre as namoradinhas, e fazendo orações. Depois reclama que o filho rebelde fica dando showzinho. Eu sei que não tem como deixar os filhos fazerem só o que querem (acho que se fossem à escola apenas as crianças que querem ir, teríamos mais de 99% de analfabetismo), o que não quer dizer que a vontade deles nunca deva ser respeitada, e julgo a mentalidade autoritária de muitos pais grotesca, até escravagista, esta coisa de achar que por pagar as contas de um filho isso faça dele ou dela propriedade sua, como uma cabeça de gado, não um indivíduo humano com ideias e vontades próprias. Pior ainda quando os filhos são menores de idade e nem poderiam trabalhar para pagar as contas, mesmo que quisessem. Por favor, não seja este tipo de pai.

Fica minha recomendação do filme Feliz Natal, de 2008, primeiro longa dirigido pelo ator Selton Mello. Não sei como foi o seu natal este ano. Mas com certeza não foi pior que o da família do personagem Caio. E também, se serve de consolo, provavelmente não foi pior do que foi o natal de Jerry de Rick and Morty, que passou a festividade toda de cara fechada por não ter aceitado muito bem a novidade de sua mãe, ainda casada, estar agora sendo acompanhada por um michê. Se não estiver muito afim de ir no Réveillon com a família também, mas tiver que ir de qualquer forma, faça como o vovô Rick fez no natal, e se afaste para se ocupar com outra coisa.

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Empresas, geek, internet, Segurança e Privacidade

O Que Pensar do Bitcoin?

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Ouvi falar do Bitcoin pela primeira vez, se não me falha a memória, em 2011, quando conheci a Deep Web, mas só fui saber mais a respeito dele, e tentar usar pela primeira vez, em 2013, na época que o site Silk Road foi fechado e seu suposto dono, Ross Ulbrich, preso. Nesta época ocorriam discussões acaloradas no YouTube entre libertários radicais como Dâniel Fraga, defendendo com entusiasmo a tal “moeda descentralizada revolucionária”, com a qual conseguiríamos derrubar o Estado e estabelecer uma sociedade anarco-capitalista, e YouTubers mais céticos, que ressaltavam os problemas de ordem prática. O maior deles: Não ser uma moeda aceita em lugar algum. E, alegavam, se o governo achar a novidade uma ameaça, pode simplesmente proibi-la. Além de sofrer de inúmeros problemas de segurança.

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geek, Segurança e Privacidade

Segurança em Celular e Autenticação em Duas Etapas

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https://blog.kaspersky.com.br/gsm-hijacking/6150/

Este post do blog do Kaspersky é interessante, mas os nomes e detalhes técnicos são bastante espinhosos, provavelmente não vão fazer muito sentido para quem não é especialista em criptografia, eu por exemplo não sou especialista, no máximo um autodidata dedicado.

Mas a conclusão final não é difícil de entender: Não é seguro, as suas chamadas e mensagens não são protegidas com chaves às quais o servidor (ou melhor, a operadora) não tem acesso. Apesar de ser relativamente caro e difícil, requerendo uma espécie de torre de celular falsa perto do local onde está o dono do celular, não é impossível interceptar o sinal de um celular (ataque man-in-the-middle), descobrir a chave de autenticação do usuário com criptoanálise, e realizar ataques, tais como se passar pelo dono do celular, ouvir conversas ou ler mensagens trocadas por aquele número.

Isto não é exatamente um defeito do sistema: A falha é um backdoor proposital dos engenheiros que elaboraram o sistema GSM, para que as operadoras pudessem obedecer pedidos de grampo por autoridades. Todo backdoor feito para ser usado legalmente também pode ser usado ilegalmente, e se o governo tem acesso por motivos que todos julgaríamos legítimos, também tem acesso para qualquer coisa. Se for com a ajuda da operadora, é trivialmente fácil: Ela pode literalmente mandar um sinal mandando o celular desligar a criptografia, e o usuário nem fica sabendo, não em modelos novos.

Quando Glenn Greenwald foi falar pela primeira vez com Laura Poitras, no restaurante de um hotel, sobre a fonte misteriosa que tinha entrado em contato com eles oferecendo um vazamento bombástico de segredos de governo (que depois ele descobriria ser Edward Snowden), Laura, melhor informada, pediu para que ele desligasse o celular e tirasse a bateria, ou o deixasse no quarto de hotel. Não era paranoia.

Todas as vezes que foi anunciado que o Telegram foi hackeado, principalmente em países ditatoriais, como o Irã, o que aconteceu na verdade foi que o número do celular, por padrão a única forma de autenticação do Telegram, foi clonado. É uma ótima ideia criar uma senha para o Telegram também, a chamada autenticação em duas etapas. Não use uma senha ridícula, e se estiver trocando informações extremamente sigilosas e comprometedoras, dispense a nuvem, use apenas o chat secreto, ou outro aplicativo como o Signal. O WhatsApp, e qualquer aplicativo de mensagem que também exige apenas sms de confirmação, também pode sofrer um ataque deste tipo sem problema algum.

Falando em autenticação em duas etapas, vários serviços, incluindo Google, Facebook, Microsoft e WordPress, oferecem este incremento de segurança, as duas etapas seriam a senha e um sms para o seu celular… Que como vimos não é exatamente a coisa mais segura do mundo. Sem falar que muitas vezes as mensagens demoram pra chegar, ou nem chegam. O melhor é você trocar a opção de segunda etapa com SMS por segunda etapa com Google Authenticator. É um aplicativo grátis, tem para todos os sistemas operacionais, veja como instalar e usar o Google Authenticator, ou outro autenticador de sua escolha. Pode ser no celular mesmo, no PC ou Notebook, ou, melhor ainda, se puder, em algum dispositivo que não saia da sua casa e que você não usa muito (um celular ou tablet velho é uma ótima pedida). Ele funciona gerando um código de 6 dígitos como senha descartável para cada acesso do serviço em um novo dispositivo, similar ao token que alguns bancos oferecem ao usuário. Por exemplo, se você comprar um celular novo e for entrar no Facebook nele pela primeira vez, vai pedir a senha do Authenticator.

A Apple também oferece este tipo de verificação em duas etapas, via Google Authenticator, sms, e, apenas para sistemas compatíveis com iOS 9, OS X El Capitan ou superior, um sistema de autenticação em duas etapas próprio, que eles chama de autenticação de dois fatores, em que a senha secundária é informada em dispositivos da Apple que você já tenha.

Mais detalhes:

O que é a autenticação de dois fatores e como usá-la? | Nós …

Verificação em duas etapas do Google

Autenticação de dois fatores do ID Apple – Suporte da Apple

Verificação de duas etapas para o ID Apple – Suporte da Apple

Verificação em Duas Etapas – Microsoft Community

 

 

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história, Política

Entendendo o Colégio Eleitoral Americano e sua Última Polêmica

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Eu sei que ser sucinto não é exatamente uma qualidade minha, mas pelo menos desta vez eu vou tentar.

Agora a turba radicalmente anti-Trump está tentando, como uma medida desesperada, pressionar os delegados a não escolherem Trump.

Que diabo é isso?

Nas eleições para presidente dos EUA, cada estado tem um número de delegados ou super eleitores, equivalente ao número de representes que tem na casa e senado, que por sua vez é equivalente ao tamanho da população do estado. A Califórnia, maior colégio eleitoral, tem 55 delegados, o estado de Nova York tem 29, e os estados menos populosos tem apenas três. São 538 no total, contando o Distrito de Columbia (a capital, Washington D.C.).

Quando a maioria dos eleitores de um estado vota em um presidente republicano, os delegados republicanos representarão o estado, mesma coisa se for um democrata. Na Califórnia, por exemplo, mais de 50% dos eleitores populares (ou pequenos eleitores) votaram em Hillary Clinton, que é democrata, portanto, todos os 55 cargos de delegado da Califórnia serão preenchidos por delegados democratas. Isto no sistema winner takes all (o vencedor leva tudo), em dois estados as vagas de delegado não vão todas pro partido vencedor, mas isto não importa muito aqui.

Os colégio eleitoral está votando hoje. Parece mera formalidade, e na maioria das vezes é mesmo. O sistema eleitoral atípico dos EUA fazia sentido na época da independência. Os fundadores dos EUA tinham medo que uma eleição presidencial por maioria absoluta seria algo perigoso, muito suscetível à regionalismos, ou à maioria da população eleger alguém completamente inapto para o cargo, por uma onda populista ou algo assim. E também, a maioria dos cidadãos se identificavam muito mais com seu estado do que com a federação, e não faziam a menor ideia do que se passava em Washington. Os mais radicais queriam que o presidente fosse eleito diretamente pelos congressistas (como foi a eleição de Tancredo Neves no Brasil), mas, além de pouco democrática, temeram que esta solução iria causar um caos no congresso. O colégio eleitoral acabou sendo a solução mais moderada, e que ficou.

Apesar de não fazer mais tanto sentido nos tempos de hoje, o sistema permaneceu, principalmente porque raramente o presidente eleito não é também o que recebeu a maioria dos votos populares. Raramente.

Quando deu zebra e como pode dar?

Cinco vezes: Três no século XIX, em 2000 na eleição de George W. Bush (que foi polêmica não só por isso, mas também por suspeita de fraude eleitoral na Flórida) e agora, com Trump, que teve 3 milhões de votos populares à menos que sua rival. Para entender melhor porque os anti-Trump estão se manifestando neste momento para pressionar o colégio eleitoral:

Um delegado de um partido pode mudar de ideia depois da eleição geral, e não há quase nenhuma punição legal prevista para isto. Então, por exemplo, alguns dos 38 delegados republicanos do Texas podem resolver votar em Hillary, ou se abster de votar. Isto é importante: Pela lei, o presidente precisa ter pelo menos 270 delegados a seu favor.  Se não der quórum, a decisão vai para o congresso. Nesta eleição, é preciso que 37 dos 306 delegados republicanos sejam infiéis para mudar significativamente. Delegados infiéis foram raros na história americana e nunca chegar a decidir uma eleição.

Tem chance do colégio eleitoral derrubar Trump?

Não. Se Trump não conseguir os 270 votos necessários, a decisão vai para o congresso (bicameral, como aqui), e a maioria do congresso atualmente é de republicanos. Eu não apostaria minhas fichas neste cenário.

Fontes:

https://www.washingtonpost.com/politics/the-electoral-college-is-poised-to-pick-trump-despite-push-to-dump-him/2016/12/19/75265c16-c58f-11e6-85b5-76616a33048d_story.html

https://www.washingtonpost.com/news/the-fix/wp/2016/12/19/how-does-the-electoral-college-actually-vote-an-explainer/?utm_term=.2d3ea0997c12

UPDATE:

Mals aí, mas será Trump sem choro nem vela

http://g1.globo.com/mundo/noticia/colegio-eleitoral-confirma-trump-como-novo-presidente-dos-eua.ghtml

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ética, filosofia, Humano, Política, Resenha, Segurança e Privacidade, sociedade

Devemos Queimar Bojack Horseman? Um Ensaio Sobre Liberdade.

“Voluntarioso, colérico, arrebatado, extremado em tudo, de um desregramento de imaginação quanto aos costumes como igual nunca houve, ateu até o fanatismo, eis em duas palavras como eu sou; e repito: matem-me ou aceitem-me assim, porque eu jamais mudarei.

Bojack é um cavalo. E um homem. Ou algo entre essas duas definições. Na série de animação para adultos de mesmo nome, que se passa em uma versão fictícia psicodélica de Hollywood, alguns personagens são humanos normais, como a escritora Diane e o faz-nada Todd, e alguns personagens são animais antropomorfizados (com forma de humanos) como o próprio Bojack, o cavalo ator (ou seria um ator cavalo?), assim como sua agente e parceira sexual ocasional Princess Caroline, o colega ator Mr. Peanutbutter, um labrador amarelo, que Bojack detesta, e maldosamente tenta prejudicar mais de uma vez, mas Mr. Peanutbutter parece não perceber ou não se importar, e trata Bojack como amigo mesmo assim.

Nesta série, maluca, às vezes cômica, mas muito séria e trágica essencialmente, os personagens se tratam mais ou menos como iguais independente das espécies, apesar da personalidade e nome de muitos deles fazer lembrar os animais, como Mr. Peanutbutter (Sr. Manteiga de Amendoim), que tem um nome de animal de estimação e aquele jeito bobalhão simpático, sempre alegre e amigável, típico dos labradores. Bojack, por sua vez, é um decadente ator deprimido e um tanto quanto narcisista (as duas condições não são auto excludentes), que apesar de ainda ser muito rico, já não faz papel em filmes ou séries de TV há muitos anos, e vive das glórias do passado, é viciado em assistir episódios da sitcom Horsing Around, dos anos 90, na qual foi protagonista, papel que o levou ao estrelato e o enriqueceu. Adora beber, fuma também, e tem um relacionamento para lá de difícil com os outros personagens, é deveras indelicado e insensível, para dizer o mínimo, apesar de se magoar também, e mais de uma vez se preocupar com outras pessoas, além de definitivamente ter sentimento por elas, inclusive um amor platônico por uma veada que trabalhou na produção em seus tempos de TV.

Tudo isto é bem humano, e talvez você se lembre de algumas pessoas que já conheceu que tenham estas características. Ah, mas ele também tem cara de cavalo, corpo de cavalo, apenas com membros mais parecidos em forma e proporção com membros humanos, e explica em determinado episódio que é muito resistente à bebida (é preciso muito álcool para deixar um cavalo bêbado), também relincha em algumas ocasiões, como quando está transando com Sarah Lynn, atriz (totalmente humana) que atuou com ele em Horsing Around, sexo para lá de selvagem.  Zoofilia ou apenas sexo normal, dentro do contexto? Afinal, são animais, ou gente? Esses conceitos ainda fazem sentido no universo da série? São animais… Mas não como todo mundo imagina animais.

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