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Eli e o Aborto

feto

Por que sou a favor da descriminalização do aborto

Eli Vieira é inteligente e honesto como sempre neste texto que escreveu para o Spotniks. Eli é um dos blogueiros que eu mais admiro, tem um currículo acadêmico invejável, e escreve muito bem; sou seu mero discípulo.

Mas nem por isso sou obrigado a concordar com 100% do que ele diz, e nem acredito que um secularista legítimo como o Eli iria querer ser idolatrado por um banana que o trata como líder de culto que jamais pode ser contrariado. E na questão de aborto, eu discordo dele, sou totalmente favorável à legalização do aborto até os 5 meses de idade, por qualquer motivo, ao contrário dos 3 que Eli e a maioria dos secularistas acreditam ser o limite justo. Vou explicar em dois pontos:

  • O feto, aos 3 meses, possui um sistema nervoso ativo, certo. Um sistema nervoso igual ao de um humano adulto, igual ao da mãe, ou mesmo igual ao de uma criança? Não. O que ele possui é basicamente um esboço de um cérebro humano que não possui quase nenhuma de suas faculdades, nem as mais elementares. Não é nem próximo ao cérebro de um deficiente mental ou de uma criança pequena, e ainda está longe de ser mesmo o cérebro de um bebê. Na verdade, até este ponto, os embriões de diferentes animais são muito parecidos, inclusive com os de um humano. Mesmo dois meses depois, já às 20 semanas de gravidez, os hemisférios cerebrais ainda estão apenas começando a se diferenciar. Ou seja, não é um cérebro humano propriamente dito, que seria necessário para caracterizar um humano, nem nunca foi: Neste estágio o feto não possui raciocínio, memórias, desejos, valores… E nunca teve. Diferente, por exemplo, de um cadáver ou de um paciente em coma, que possuem uma história como humanos e merecem respeito e empatia de acordo. Por isto eu não acredito que os interesses do feto devam ser tratados com igualdade quando em conflito com os da mãe, não da mesma maneira como os direitos de dois adultos seriam respeitados igualmente em uma disputa num tribunal. Aliás, não há qualquer evidência que um feto de 5 meses sequer tenha interesses.
  • O Eli deixou bem claro que o feto é apenas um ser humano em potencial, como um espermatozoide ou óvulo. Mas tem mais: É um ser humano em potencial que só pode continuar “vivo” e se tornar um ser humano de fato (nascendo) se continuar ligado ao corpo da mãe: Até os 5 meses, é impossível o bebê ser parido e continuar a crescer, nem de maneira totalmente artificial, numa incubadora, nem no melhores hospitais do mundo. Ou seja, ele é muito mais próximo com um órgão da mãe do que com uma pessoa, e ela deveria ter o direito de retirá-lo se desejar, como faria com um apêndice inflamado.

O argumento do violinista é falho, pois o violinista (ou qualquer ser humano de qualquer ocupação) já nasceu faz tempo, possui um cérebro com todas as faculdades de um cérebro humano, e possui desejos e aspirações iguais aos da pessoa ao qual foi ligado, ao contrário do feto.

Dito isso, gostei do texto de Eli que ele deixou claro como aborto nunca é uma decisão fácil para a mãe, ao contrário do que certos conservadores mau-caráter dizem (inclusive o Pondé uns anos atrás, hoje ele está mais light), falam como se aborto fosse uma coisa que feministas radicais fazem com orgulho, fazendo festa e celebrando sua independência sobre o próprio corpo. Não é, é sempre duro para a mulher e a família, muitas mulheres que são contra o aborto, e não tem nada de feministas, o fazem mesmo assim, com pesar, e deveríamos ter mais compaixão e com estas mulheres quando tomam esta decisão difícil, ao invés de chamá-las de assassinas desalmadas, o que elas efetivamente não são.

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