ética, filosofia

Colocações Condicionadas Sobre Livre-arbítrio

Livre-arbítrio não existe. Na verdade, quanto
mais pesquiso sobre ele mais me convenço de que é na verdade ilógico, contraria
as leis da física e da química, e portanto, não é algo real. Existir
livre-arbítrio implicaria na existência de ações não causadas, que não são o
fim de uma cadeia de causa e efeito. Pense no modo como funciona o cérebro, uma
máquina bioquímica composta de neurônios que disparam e sinalizam uns aos
outros com neurotransmissores. Um excita e inibe o outro, que excita ou inibe o
outro…. Não há espaço para livre-arbítrio. Na verdade, várias experiências
psicológicas já provaram que a sensação de liberdade é formada no cérebro das
pessoas depois do ato já ter sido feito, o tal processo de tomada de decisão é feito
inconscientemente, obedecendo diversos mecanismos psicológicos inconscientes.

Liberdade pode ter conceitos diferentes, não necessariamente
livre-arbítrio. Se liberdade for livre arbítrio, então acabou, não existe
liberdade, e o que as pessoas chamam de “ações livres” são apenas ações que
ignoramos as causas. Mas claro que liberdade pode significar apenas agir
segundo a sua vontade, o seu ímpeto. Quando eu escolho tomar uma Coca-Cola sem
gelo e limão, isto pode ser chamado de uma ação livre, no sentido de que eu estou obedecendo apenas a um processo mais ou menos aleatório no meu cérebro,
não possuo nenhuma doença que me predisponha a tomar coca com ou sem gelo e
limão, nem possuo alguém me coagindo a escolher uma destas opções. Esta definição de liberdade é a que usamos para falar de liberdade política, por exemplo, liberdade de expressão e liberdade de pensamento, e é suficiente para isto.

Mas mesmo que o processo seja aleatório (aparentemente
alguns processos quânticos são mesmo aleatórios) isto ainda não seria estritamente
livre-arbítrio. Agir obedecendo algum processo aleatório não é agir de forma
livre. Uma moeda é livre por ela poder cair em cara ou coroa?

A aversão da maioria das pessoas a este tipo de constatação
é porque frequentemente ouvimos gente de esquerda, os famosos justiceiros
sociais, defendendo criminosos com base em sua falta de liberdade (“a sociedade
o fez assim”). Primeiramente, isto é apenas parcialmente verdadeiro, pois a
genética determina grande parte do comportamento e personalidade de uma pessoa,
o que também não é realmente escolhido pela pessoa, nada é. Mas, ao contrário
do que os justiceiros sociais querem passar, isto não significa que qualquer
pessoa possa ser recuperada,  isto obviamente não é verdade, e criminosos perigosos não devem ser deixados à solta na sociedade. E também não muda o fato de
que é preciso que seja imposta uma punição para desencorajar comportamentos criminosos,
exatamente porque as pessoas são determinadas – em parte – pelo seu meio
social.

Em teoria, chegar a esta conclusão deveria fazer de uma
pessoa tolerante, a conclusão é de que não há motivo para ficar com ódio de
ninguém, e de fato nem para condenar moralmente alguém por algo, não mais do
que condenaríamos um lobo que devora um cordeiro ou um doente mental que mata
alguém durante um surto psicótico. Pensando bem, não deveríamos odiar Trump, nem Bolsonaro, nem Hitler,
nem o trombadinha da esquina… Mas eu odeio, e desprezo certos grupos mesmo
assim. Se alguém é babaca, eu vou odiar essa pessoa por ser babaca, independente
dela ter escolhido ser assim ou não. É, eu não sou perfeito. Mas não é culpa
minha, não escolhi ser assim.

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