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A Educação No Brasil é Muito Radical?

Não, é claro que não.

Mas calma, não entrei para a turma dos “isentões” que tentam convencer todo mundo de que
socialistas/comunistas/suzi não existem mais, e todos os numerosos relatos e provas
de doutrinação ideológica nas escolas públicas e particulares do Brasil são na
verdade uma grande conspiração da direita.

Mas isto não significa que o ensino nas escolas, de humanas
especificamente, seja radical ou “revolucionário”. Na verdade, estes professores
(que eu quero frisar, não são todos) possuem um tipo de acordo tácito com as
escolas: Você ensina para os alunos a sua ideologia porra loca, ensina eles a
votarem nos seus candidatos porra loca, mas em troca os condiciona a serem
ovelhinhas obedientes que cumprem regras e normas infalivelmente, andam sempre na
linha, sempre fazendo o que o grupo acha melhor.

Nas aulas de filosofia, ensinam um pastiche de Sócrates e
Kant para dizer que o certo é sempre obedecer às leis e as regras e, no máximo,
sugerir educadamente alguma mudança. Veja a que conclusão absurda chegamos com
o imperativo categórico kantiano: Se um assassino estiver batendo à porta de
sua casa, querendo matar seu amigo, e perguntar se o seu amigo está, você
estaria errado em mentir! Velha ladainha de “se todos mentissem…”. Claro,
foda-se a vida do seu amigo, agradar ao fantasma de Kant é mais importante. E o
filho da mãe que ensina isso nem se dá ao trabalho de ensinar porque esta
conclusão absurda está errada, porque ele acha que não está errada, nós é que
não estamos evoluídos o bastante para entender porque o imperativo categórico
vale mais do que a vida do seu amigo. Quanto a mim, o imperativo que se foda,
prefiro o fantasma de Kant puxando meu pé à noite que ter um amigo morto.

E quanto à Sócrates, que preferiu ser executado injustamente
ao invés de fugir?

Em todos os países, alguns mais do que outros, existe um
descompasso entre o que lei e prática diária, e isto é bom. A verdade é que
liberdade de pensamento e de expressão não adianta nada se você não puder
experimentar coisas novas, sem permissão ou mesmo contra a vontade do Estado.
Se a maconha tivesse efetivamente deixado de existir no instante que todos os
países do mundo a proibiram, hoje jamais estaríamos descobrindo que esta planta
possui algumas propriedades medicinais importantes. E se hoje você possui
entretenimento por download ou por streaming, como Spotify e Netflix, é porque
o público, antes, sinalizou que gostaria de consumir conteúdo assim, com a “pirataria”,
os downloads em massa. Provavelmente ainda estaríamos presos às inconvenientes
e caras mídias físicas se falássemos amém à lei sempre.

Ah sim, e o que dizer dos gays, que eram proibidos de fazer
sexo no Texas até 2003, e ainda o são em vários lugares do mundo, inclusive na
Índia? Deveriam, obedientemente, respeitar a lei e manterem-se virgens até que
os poderosos tenham a boa vontade de permitir-lhes fazer o que quiserem entre
quatro paredes? Que bem, afinal, é gerado desta obediência cega a um moralismo
barato? Ah sim, afagamos o fantasma de Kant, nada importa mais.

As empresas do vale do silício que mais fazem sucesso são
aquelas que apresentam as chamadas inovações disruptivas ou perturbadoras (disruptive
inovations), talvez o exemplo mais famoso sendo o Uber. Fosse o CEO do Uber um
cordeirinho temente à lei, estaria até hoje tentando negociar com o Estado para
começar o Uber, mesma coisa como o AirBnB e tantas outras. E se Bill Gates ou
Steve Jobs antes de lançarem seus respectivos computadores pessoais, pedissem
permissão ao Estado? Inovadores de verdade fazem primeiro, preocupam-se com
permissão depois.

A verdade é que, ao contrário do que repetem ad nauseam em
suas propagandas, as escolas não querem formar cidadãos com pensamento crítico,
porra nenhuma, apenas querem te tornar um vassalo obediente, que lambe até as
bolas do chefe. A única “ética” que se aprende de verdade dentro daqueles muros
é a do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” as outras só são para apreciar
intelectualmente, não para empregar na prática.

Só ensinam a se revoltar pelo que eles dizem para se
revoltar, seja o racismo, a desigualdade social, ou a depredação da natureza,
mais ou menos como nos dois minutos de ódio do 1984.

A escola é a organização mais reacionária, atrasada,
tecnofóbica e conformista no mundo, ambiente análogo a um presídio ou um campo
de concentração. Na verdade, não é problema nenhum o professor ser de esquerda,
mesmo de extrema esquerda, a esquerda é muito afeita à prática de pregar algo diametralmente
oposto ao que se faz, exatamente o que as escolas querem que seus alunos
aprendam a fazer.

Tem que ser assim? Talvez, esta é a conclusão triste do meu
post.

Anarquia (seja a vertente clássica “bandeira preta”, a capitalista,
ou qualquer anarquia) jamais pode ser pregada para o público, não é para
qualquer um, não é uma coisa democrática. A maioria dos anarquistas são idiotas
que se acham muito revolucionários pondo fogo em sacos de lixo e chutando
placas. Os limites de velocidades das ruas, evidentemente, são feitos pensando
nos motoristas menos experientes, o menor denominador comum, sem falar nos
bebuns e nos simplesmente irresponsáveis. Qualquer motorista com um bom tempo
de volante sabe muito bem a velocidade em que está seguro na pista, que é muito
maior do que aquela das placas. Mas, tire os limites de velocidade, e os
idiotas vão tirar racha à 200 km/h.

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