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Tolerância

Tolerância é fácil. O tipo de tolerância que se apregoa por aí é fácil demais.

É que dizer “eu sou tolerante” é uma dessas cartadas que as pessoas dão quando querem assegurar aos demais de que são “do bem”

Mal aí, mas tolerar membros de uma das minorias oficiais é muito, muito fácil. Mais engraçado é quando as pessoas dizem algo do tipo “meu colega de trabalho é negro/gay/muçulmano e nos damos muito bem”. A grande maioria das pessoas não dá a mínima para os colegas de trabalho, se o sujeito for membro de alguma dessas minorias oficialmente reconhecidas, ele continua sendo igualmente insignificante.

E de qualquer forma, não muda nada mesmo a cor da pele ou a religião ou a orientação sexual, não? Lamento, assim fica fácil. Quero ver tolerar alguém que tenha um problema um pouquinho mais aparente. Tolerar o rapaz da recepção gay, que é super gente boa, é fácil, vai tolerar o seu pai velho, senil e inútil que só te dá trabalho e amargura, e já te trouxe inúmeros inconvenientes. Até quando você irá perdoar suas falhas e relevar seus inconvenientes pelo amor que sente por ele, em consideração à relação que vocês têm e ao que já passaram juntos? Porque isso é tolerância de verdade. Tolere o seu amigo porra loca. Melhor, tolere o seu amigo com algum transtorno de personalidade, de humor, ou, como dizem os nazistas do RH, com “baixo quociente emocional”, seja um louco de verdade, ou apenas um estourado, que não tem estribeiras e várias vezes passa da linha. Ah, aí não dá, né?

A maioria dos que se dizem tolerantes só são tolerantes com diferentes que agem de forma totalmente normal, só são diferentes de maneiras cosméticas, são tão diferentes das “maiorias” quanto um tênis verde é diferente de um tênis preto.

Aliás, se eu estiver pegando muito pesado, tente tolerar um inseguro. Uma das minorias de verdade (não as minorias do PSOL) que possui o mais grave pecado do mundo moderno da egolatria, da autossuficiência que beira o solipsismo. A sociedade irá perdoar o pedófilo antes de perdoar o inseguro.

Uma das coisas que me fez morrer por dentro, um pouquinho, e me deu vontade de jogar o Pinker na lata do lixo e desejar que a humanidade tivesse uma só cara, para eu poder cuspir nela , foi quando vi na estante da livraria o livro de autoajuda “Não Se Apega Não”.

Não, não se apegue, trate todo mundo como descartável, namorado/ficante/qualquer-porra-similar, só enquanto não atrapalhar a carreira, e olhe lá. Trair, ato de emancipação pessoal, a culpa na verdade é dele, sempre, e de preferência terminar a relação ao menor sinal de inconveniente. Se os homens por um lado enjoam fácil das parceiras, e não pensam duas vezes em “variar o cardápio” quando elas não mais satisfazem na cama, as mulheres percebem o menor sinal de fraqueza emocional, e não perdoam. Um amigo meu, que só pensa em sexo, certa vez me disse “mulher não gosta de homem que dê trabalho”. Olha que ele entende do assunto.

Então você, dona feminista-empoderada-emancipada-liberal e tolerante, antes de assumir este último título porque você não trata com preconceito a amiga lésbica, pense o quanto você toleraria um namorado com fraqueza emocional.

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