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Petição ao Governo Federal para NÃO trocar Linux por Windows

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geek, Internet, Segurança e Privacidade

A Falsa Segurança do WhatsApp

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Imagine que você resolva construir um quarto do pânico em
sua casa, um quarto de paredes reforçadas, à prova de balas, com entrada
escondida, para você se refugiar com sua família e chamar ajuda caso entrem
ladrões ou sequestradores, ou mesmo para se protegerem em caso de desastres
naturais. Além de oculta (atrás de uma estante de livro), você faz a porta
reforçada, como um cofre de banco, de várias camadas de chumbo, inviolável, nem
um maçarico pode abrir, a porta só abre com uma impressão digital ou senha que
só você e sua família sabem. Aí você também resolve construir uma porta normal
de madeira na sala de pânico, com saída para o quintal, e dá a chave para a sua
empregada poder entrar e limpar. Parece idiota?

A segurança do WhatsApp (e privacidade é uma faceta da
segurança) é essencialmente isso: Uma sala cofre com porta dos fundos normal. A
empresa aplicou a criptografia ponta-a-ponta em seu serviço, o protocolo
Signal, que é realmente seguro, mas por padrão uma cópia de todas as conversas
é salva na nuvem! Cerca de 75% dos usuários do WhatsApp fazem backup de suas
conversas na nuvem, do Google ou da Apple. Estas duas empresas cedem dados ao
governo o tempo todo; como alertou Snowden, eles têm até sistemas automáticos
para obedecer a ordens judiciais (mas nenhuma empresa é pior nisso do que a
Microsoft). O Telegram, que já tem suas conversas na nuvem por padrão (e são
perfeitamente honestos quanto a isso), as guarda muito bem criptografadas nos
servidores, com chaves em países diferentes, para dificultar pedidos de entrega
de dados, e jamais atenderam uma única ordem judicial para quebrar sigilo de
usuários, nem mesmo terroristas. E ainda oferecem chat secreto para quem quiser
dispensar a nuvem, e aí as conversas não ficam gravadas em lugar algum além dos
dispositivos dos participantes das conversas.

O backup do WhatsApp não é criptografado, e mesmo que fosse,
qualquer um, como um cracker ou o governo, poderia acessar as suas conversas
sabendo a sua senha ou tendo ajuda de alguém do Google ou Apple. Mesmo que você
desative o backup, os seus amigos provavelmente não vão desativar, então as
suas conversas serão vazadas (o termo é exatamente esse) de qualquer jeito. Você
nem tem como saber se eles estão ou não vazando as conversas! Se você estiver
num grupo do WhatsApp, a chance da conversa estar sendo gravada na nuvem de
alguém é próxima de 100%. A ideia da criptografia ponto-a-ponto é absolutamente
ninguém ter poder de acessar as comunicações de duas ou mais partes, a não ser
elas mesmas, não importa o que. Muito se especula se o WhatsApp não tem algum
backdoor secreto que possibilite o conteúdo das conversas ser vazado, seja por
padrão ou mediante um comando secreto, como já aconteceu inúmeras vezes com o
Skype, e como o aplicativo tem código-fonte fechado, não temos como saber.  Mas, sendo que o WhatsApp já vem por padrão
com um backdoor instalado, que eles nem fazem questão de esconder, o backup em
nuvem, acho que nem é preciso especular sobre um secreto.

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ética, filosofia

Colocações Condicionadas Sobre Livre-arbítrio

Livre-arbítrio não existe. Na verdade, quanto
mais pesquiso sobre ele mais me convenço de que é na verdade ilógico, contraria
as leis da física e da química, e portanto, não é algo real. Existir
livre-arbítrio implicaria na existência de ações não causadas, que não são o
fim de uma cadeia de causa e efeito. Pense no modo como funciona o cérebro, uma
máquina bioquímica composta de neurônios que disparam e sinalizam uns aos
outros com neurotransmissores. Um excita e inibe o outro, que excita ou inibe o
outro…. Não há espaço para livre-arbítrio. Na verdade, várias experiências
psicológicas já provaram que a sensação de liberdade é formada no cérebro das
pessoas depois do ato já ter sido feito, o tal processo de tomada de decisão é feito
inconscientemente, obedecendo diversos mecanismos psicológicos inconscientes.

Liberdade pode ter conceitos diferentes, não necessariamente
livre-arbítrio. Se liberdade for livre arbítrio, então acabou, não existe
liberdade, e o que as pessoas chamam de “ações livres” são apenas ações que
ignoramos as causas. Mas claro que liberdade pode significar apenas agir
segundo a sua vontade, o seu ímpeto. Quando eu escolho tomar uma Coca-Cola sem
gelo e limão, isto pode ser chamado de uma ação livre, no sentido de que eu estou obedecendo apenas a um processo mais ou menos aleatório no meu cérebro,
não possuo nenhuma doença que me predisponha a tomar coca com ou sem gelo e
limão, nem possuo alguém me coagindo a escolher uma destas opções. Esta definição de liberdade é a que usamos para falar de liberdade política, por exemplo, liberdade de expressão e liberdade de pensamento, e é suficiente para isto.

Mas mesmo que o processo seja aleatório (aparentemente
alguns processos quânticos são mesmo aleatórios) isto ainda não seria estritamente
livre-arbítrio. Agir obedecendo algum processo aleatório não é agir de forma
livre. Uma moeda é livre por ela poder cair em cara ou coroa?

A aversão da maioria das pessoas a este tipo de constatação
é porque frequentemente ouvimos gente de esquerda, os famosos justiceiros
sociais, defendendo criminosos com base em sua falta de liberdade (“a sociedade
o fez assim”). Primeiramente, isto é apenas parcialmente verdadeiro, pois a
genética determina grande parte do comportamento e personalidade de uma pessoa,
o que também não é realmente escolhido pela pessoa, nada é. Mas, ao contrário
do que os justiceiros sociais querem passar, isto não significa que qualquer
pessoa possa ser recuperada,  isto obviamente não é verdade, e criminosos perigosos não devem ser deixados à solta na sociedade. E também não muda o fato de
que é preciso que seja imposta uma punição para desencorajar comportamentos criminosos,
exatamente porque as pessoas são determinadas – em parte – pelo seu meio
social.

Em teoria, chegar a esta conclusão deveria fazer de uma
pessoa tolerante, a conclusão é de que não há motivo para ficar com ódio de
ninguém, e de fato nem para condenar moralmente alguém por algo, não mais do
que condenaríamos um lobo que devora um cordeiro ou um doente mental que mata
alguém durante um surto psicótico. Pensando bem, não deveríamos odiar Trump, nem Bolsonaro, nem Hitler,
nem o trombadinha da esquina… Mas eu odeio, e desprezo certos grupos mesmo
assim. Se alguém é babaca, eu vou odiar essa pessoa por ser babaca, independente
dela ter escolhido ser assim ou não. É, eu não sou perfeito. Mas não é culpa
minha, não escolhi ser assim.

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Empresas, Empresas, geek, Segurança e Privacidade, Sem categoria

A Apple é Ruim?

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Antes de ler aqui, recomendo assistir este vídeo do Nerdologia: https://www.youtube.com/watch?v=WzYXU2b_6cM

É verdade, as empresas não são sua família nem suas amigas, e nem acho que seja papel delas serem. Mesmo assim, acho que empresas, como pessoas, possuem pontos positivos e negativos, e a Apple não é diferente. Cada usuário deve avaliar friamente estes pontos positivos e negativos quando vai escolher sua máquina.

O que a Apple tem de ruim acho que a maioria das pessoas já sabem: Subcontratam legiões de funcionários chineses em condições de semiescravidão para fabricar seus aparelhos, praticam, em sua própria sede, assédio moral, dentre outras práticas condenáveis (o próprio Steve Jobs era fã disso, típico chefe que ninguém suporta), cobra preços altíssimos por aparelhos simplesmente pela marca, seus sistemas operacionais são limitadíssimos, não dão liberdade ao usuário…. Eles até usam padrões estranhos de parafuso em seus dispositivos para dificultar o trabalho de assistências não autorizadas. A lista é longa.

Mas será só isso?

Eu vou dizer que realmente não acho que valha a pena ter um iPhone ou um iPad, para quase nenhum perfil de usuário. Neste caso, realmente, trata-se simplesmente de pagar caro pela marca. O sistema é muito limitado, não é possível nem mesmo trocar arquivos livremente por USB com o PC, instalar aplicativos da fonte que você quiser (a não ser que você faça um jailbreak, que é arriscado e invalida garantia). Até pouco tempo atrás, não sei se ainda é assim, não dava nem para trocar arquivos com Bluetooth com outros celulares, porque Steve Jobs estava mais preocupado com proteger direitos autorais do que permitir mais liberdade de uso aos seus clientes. Ah, acredita que no Telegram para iOS os canais de pornografia são censurados?

Quanto aos computadores iMac e MacBook, estes realmente valem a pena. Porque o hardware é de altíssima qualidade, durável, demora para ficar obsoleto, e o macOS (até pouco tempo atrás chamado OSX) é um sistema operacional Unix sólido, seguro, mas tão livre quanto qualquer Unix. Ao contrário do iOS, pode instalar programas de onde quiser (inclusive piratas), mexer nos arquivos do sistema, ou fazer qualquer coisa, além de possuir suporte a aplicações comerciais como Office, Photoshop, e AutoCAD. Mesmo os jogos, que eram o calcanhar de aquiles do Mac, agora já estão disponíveis em grande número. O preço de um Mac é realmente caro (começando em 7mil reais) por isto eu acho que vale mais a pena comprar um usado, ou mesmo viajar aos EUA comprar um (pasme, sai mais barato). O MacBook é o computador de escolha do hacker Moxie Marlinspike, da Open Whisper Systems, organização que fez o protocolo de mensagens seguras Signal.

Falando nisto, a Apple tem uma reputação muito melhor em proteger a privacidade dos usuários do que Google e Microsoft, chegando até a se recusar a colaborar com o governo americano para quebrar a criptografia do iPhone de uma terrorista, o que não seria possível fazer sem comprometer a criptografia de todos os usuários de iPhone. A Microsoft, em especial, é a pior nesse aspecto, nenhuma empresa ajudou tanto a NSA a quebrar a privacidade dos usuários.

Acusam muito a Apple de praticar a “obsolescência programada”, que é quando as fabricantes deixam de oferecer suporte aos seus aparelhos para forçar os consumidores a comprarem novos. Todas tem um pouco de culpa nisso, e a Apple também, mas não é das piores. Os Macs, iPhones e iPads recebem atualizações por longos períodos, o iPad 2, por exemplo, lançado em 2011, recebeu atualização ainda neste ano para iOS9, não que eu ache que por isto valha a pena comprar um. Acho que uma grande parte das acusações de obsolescência programada é por ignorância técnica. Se um computador de 10 anos atrás roda com lentidão um sistema operacional moderno, isto não se trata de uma conspiração da fabricante para as pessoas comprarem mais, mas simplesmente porque sistemas novos exigem mais memória e poder de processamento para novos recursos. Chega a ser ridículo exigir que ele funcione com o mesmo desempenho de sempre. Algumas fabricantes de Android oferecem suporte por mais tempo que outras (a Samsung é a pior neste sentido), mas a liberdade dos aparelhos feitos para Android significa que você pode instalar roms customizadas e se manter atualizado mesmo após o fabricante abandonar o aparelho.

A segurança é outro ponto forte dos Macs: Como todos sabem, malwares para Mac são raros, e o sistema tem muito poucas brechas que possam ser exploradas por crackers, muito menos que o Windows. É verdade que você pode ter uma segurança parecida usando Linux, que hoje em dia é muito mais fácil do que costumava ser. O problema do Linux para usuários pouco experientes é que quando dá alguma encrenca no Linux, você não tem suporte dedicado, apenas fóruns cheios de caras muito babacas que praticamente vão exigir para você resolver o problema sozinho antes de mexer um dedo para te ajudar (é verdade que o pessoal do Ubuntu é bem mais sipático que a média). Também há muito pouco suporte para aplicações comerciais, e para muitos usuários, as soluções livres não bastam. Em geral, as distribuições Linux não são tão estáveis, bonitas, nem oferecem uma experiência de uso tão agradável quanto o macOS.

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filosofia

Camus Cola

O que é Liberdade?
Há várias definições. Lá vai a minha.

Ontem à noite, voltando do cinema enquanto dirigia numa
avenida ouvindo música na FM, estava com muita sede. Decidi então que precisava
de um refrigerante. Tem em casa. Mas eu não queria tomar em casa.

Então, decidi passar em um restaurante ou bar qualquer que
ainda estivesse aberto depois de 1h da manhã (foi a última sessão do cinema).
Percebi que o local estava vazio, perguntei ao garçom na porta se o lugar
estavam aberto, ele disse que sim, mas não tinha certeza se a cozinha ainda
estava funcionando. Eu disse que não tinha problema, porque só queria
refrigerante. Me ofereceram várias opções, escolhi Coca-Cola (que bom que não
era Pepsi) já tinha chegado com intenção de tomar Coca-Cola.

– Gelo e limão?

…. Pensei por um segundo …

– Sim, por favor.

A chance de eu aceitar gelo e limão é exatamente 50%.

Sentei-me ao balcão. Somente eu, além dos funcionários. Como
diz a música do Matanza, hoje eu tenho certeza que gosto muito mais do bar
vazio. Peguei o Kindle, que levava na mão, e li um pouco de meu novo livro. Eu
gostaria de conhecer melhor o pensamento do franco-argelino Albert Camus, no
entanto, os livros dele ainda são muito difíceis para mim, acredito que ainda
preciso de um apoio para poder apreciá-los, preciso de alguém entendido para me
preparar. Então comprei um livro, escrito por um historiador americano, sobre
Camus.

Li atentamente enquanto bebericava a coca, voltando e
relendo atentamente aos parágrafos. Que situação absurda, não?

Então, o que é liberdade? Liberdade é ir no bar vazio 1h30
da manhã para beber Coca-Cola lendo Camus. Por que não cerveja? Because fuck
you, that`s why. Em minha defesa, bebi cerveja quando cheguei em casa.

 

Sugestão: A Life Worth Living.
Robert Zaretsky. 2013.

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Sabbah

http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-e-vestibular/candidatos-sabatistas-ficam-ate-11-horas-trancados-para-fazer-enem-14439409


É ridículo o número de restrições desnecessárias às quais uma pessoa se sujeita só por acreditar em uma velha superstição idiota, por seguir uma interpretação específica de um livro escrito a cerca de dois milênios atrás por um povo do deserto que nem sabia da existência da América ou que a Terra era redonda. Religião causa incontáveis gastos desnecessários à sociedade, e este é apenas um pequeno exemplo.

Mas quer saber? Eu não sou contra o governo permitir que eles façam o Enem após ficarem voluntariamente encarcerados numa sala por horas sem fazer nada. Sim, eu sou ateu, mas também sou liberal. Quer sofrer à toa? Fique à vontade. Se você for meu amigo, eu vou tentar ao máximo convencê-lo do contrário, mas lógico que eu não tenho a mesma empatia com estranhos, que, de qualquer forma, dificilmente são convencidos de que estão errados. Os sabatistas, contanto que não isso não atrapalhe em nada os demais, que fiquem à vontade para tornar o dia do Enem mais difícil ainda para si mesmos.

Brinde pra vocês:

https://youtu.be/0lVdMbUx1_k

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