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O mal das meias-medidas

Este vídeo é uma animação feita com um monólogo da série da AMC Breaking Bad. Nele, o personagem Mike conta como tomar uma “meia-medida” custou a vida de uma mulher inocente, quando ele decidiu, por mais uma vez, poupar a vida do marido violento.

Não importa o que os seus avós diziam, não é sempre no meio termo que está a virtude. Ok, admito, muitas vezes é. Mas muitas vezes ao tomar uma decisão que parece ser moderada ou “entre dois extremos” (democrática) você na verdade estará fazendo algo horrível. Fazer o certo muitas vezes exige tomar uma decisão dura, que vai fazer muitos chiarem.

Isto também é conhecido como a falácia do falso meio-termo (vou resistir, não vou colocar o termo em latim, para não me equiparar a um certo filosofo falastrão que eu já critiquei no passado). Não é porque existem dois lados em uma discussão que os dois estão igualmente certos, ou que os dois mereçam o mesmo mérito e a mesma atenção.

Dizer que “cada lado tem um pouco de razão” é só algo que se diz para por fim numa discussão interminável, quando não se quer desagradar ninguém demasiadamente, o famoso pôr panos quentes. É uma atitude covarde, e não necessariamente é a que trará o melhor. Um dos males da democracia é esse, ter que fingir que todo mundo tem um pouco de razão. Não que a moda tenha surgido com a democracia.

Quer um exemplo? O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão, em 1888, dois anos após Cuba. O século XIX viu o movimento abolicionista crescendo no mundo todo. Enquanto isso, no Brasil, o que não faltaram foram meias-medidas, como a lei dos sexagenários (uma piada, visto que quase nenhum escravo chegava aos 60 anos) lei do ventre livre, a proibição do tráfico (famigerada lei para inglês ver), mas sem libertação dos escravos. E todos esses paliativos apenas prolongaram a instituição perversa da escravidão.

Na questão Palestina, já vi alguns “comedidos” decretarem que você está errado apenas por tomar partido, por defender Israel ou Palestina, como se o fato de dois lados estarem numa disputa há muito tempo significasse que os dois tem a mesma razão, que os dois erraram igualmente, e que você tem uma espécie de falha de caráter se achar que um é pior que o outro. Ajuda nisto a moda pós-modernista de decretar que não existe certo ou errado, e tudo é muito relativo. Parece até que tomar partido é uma coisa proibida.

Infelizmente, a maioria das pessoas não têm maturidade para distinguir o que é um ataque pessoal do que é um ataque à uma ideia na qual se acredita, e por isso mesmo crescemos ouvindo que religião, futebol e política não se discute, se tiver um posicionamento, tem que guardar para si próprio, assim temos um povo alienado, covarde, com medo de tocar em qualquer assunto considerado polêmico demais. Os políticos agradecem por você achar que política é um assunto intocável.

Esta mesma covardia (não tem outro nome) é o que torna tão difícil tratar o islamismo como o que na verdade é: A pior religião da atualidade. Muitos ateus também caem na falácia do falso meio-termo, dizendo que todas as religiões são ruins por igual e não podemos criticar nenhuma com mais ênfase do que as outras, o que é uma besteira. Não importa que no passado tenha sido uma religião tão ruim quanto as outras, o fato é que hoje é uma das ideologias mais tóxicas do mundo, motiva atentados terroristas, subjugação das mulheres, execuções por motivos banais, dentre tantas outras mazelas. Mas  a ditadura do politicamente correto não permite falar isso, tem que fingir que todas as religiões são fofinhas e do bem, e o que elas têm de ruim, têm por igual. Uma pessoa minimamente educada dizer isso chega a ser cegueira voluntária.

A falácia do falso meio-termo é também o que está por trás da insistência de alguns religiosos em querer colocar “design inteligente” (criacionismo travestido de ciência) no currículo escolar, como uma teoria alternativa. Gostam de dizer que existe uma polêmica sobre a origem da vida. Não, não existe. A teoria da evolução já é assunto fechado na ciência há cem anos. Escola não é lugar de ensinar crendice. Infelizmente, não falta quem queira instituir esta pseudociência nas escola por achar moralmente obrigatório agradar dois lados de uma discussão. Claro, talvez, em respeito aos neonazistas, também coloquemos no currículo de história a teoria de que o holocausto nunca aconteceu. Talvez também devamos colocar no currículo de geografia a teoria de que a Terra é plana.

Trump corre um sério risco de ser eleito. E não porque ele seja bom, possivelmente seu governo seria catastrófico, mas porque ele não tem medo de tomar decisões impopulares, ou até politicamente incorretas, diz o que quer e não faz questão de agradar ninguém. O povo cansou de almofadinhas como Obama que fazem de tudo para agradar a todos, e acabam não mudando muita coisa.

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