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“…Mas você precisa guardar o seu ateísmo pra você mesmo…”

Não eu não preciso, e não vou.

Já ouvi muito essa. Os religiosos sempre tiveram o direito de divulgar abertamente suas visões deturpadas, fazer manifestações públicas entusiasmadas de sua fé.

Mas quando os ateus finalmente não tiveram mais que se esconder, dizem que estamos sendo chatos, que estamos sendo “iguais aos religiosos fanáticos” e que temos que manter nossa opinião para nós mesmos. Vou frisar:

Não tenho e não vou.

O limiar para considerar um ateu sendo chato é muito mais rígido do que para um religioso. Na verdade, basta expressar que você não acredita em deus, ou em alma, ou apontar que alguém está se enganando ao acreditar nessas coisas, e pronto, já estão te chamando de proselitista. Não importa que você raramente toca no assunto, ou que fale pela primeira vez, quando falar pode apostar que vão rolar os olhos e dizer “ih, ateu chato, vai começar de novo”.

Que eu saiba, ainda não tem ateus tocando a campainha das pessoas domingo de manhã para tentar desconvertê-las, ou fazendo “cultos ateus” com alto-falantes em volume ensurdecedor, então não, não somos iguais aos crentes chatos.

Se escrevemos livros, fazemos páginas do Facebook, e fazemos nosso humor, só vê quem quer.

Querer que um grupo se cale é uma maneira de tentar fazê-lo sumir, de tentar fazer os próprios membros não terem noção de como são numerosos. A política don’t ask don’t tell do exército americano não é nada mais do que isso.

Acho extremamente necessário trazer este tipo de questão (da existência de divindades) a debate, seja público, seja no cotidiano (mas não o tempo todo, claro). Não é um assunto irrelevante, e interfere diretamente no que as pessoas pensam, falam e fazem. Religião é uma das forças mais perniciosas do mundo, isto não é achismo, isto é a pura verdade. Aliás, o que me irrita profundamente, mais do que os próprios religiosos, são os “ateus acanhados”, aqueles que falam que são ateus e imediatamente depois começam a pedir desculpas e garantir que não tem preconceitos.

Não sei que jantares inteligentes são esses que o Pondé anda frequentando, porque nos que eu fui, ser ateu é coisa feia, a ciência é muito “dura”, e bonito é acreditar em besteiras como homeopatia e horóscopo. A situação só vai mudar se os ateus saírem do armário e não se sujeitarem à política do don’t ask don’t tell travestida de cortesia.

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