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Alienação

É comum ouvir que a mídia aliena as pessoas. Será? Acho que
o que está por trás do fato da mídia oferecer tanto entretenimento vazio, como
novelas e futebol, é o bom e velho mecanismo de mercado, entregando às pessoas
o que elas querem, e não parte de uma conspiração para manter as pessoas
alienadas à política e outras coisas importantes.

Acho que informar-se sobre política é uma espécie de hobby
que alguns têm (como eu), e não algo que todo cidadão deveria se sentir
obrigado a fazer. Como eu já disse no meu post sobre o problema da democracia,
participar politicamente não deveria ser nem uma obrigação, nem um direito. E
daí se você chega cansado do trabalho e quer desligar o cérebro, consumir
entretenimento vazio, até ignorante?

Acho muito chato este moralismo barato de querer dizer às
pessoas o que elas podem ou não fazer em seu tempo livre. Dizer que uma pessoa
não tem o direito de se desligar depois de um dia exaustivo de trabalho chega a
ser grosseria, é quase cruel. Similar ao que fazem alguns médicos (não os meus)
que praticamente intimam as pessoas a frequentarem academias depois do
trabalho, ou os nazistas do RH, com seu bicho papão chamado “ponto de conforto”,
dizendo que as pessoas deveriam sair do trabalho exaustas e irem direto fazer
algum curso, querendo ou não. Vão catar coquinho.

A televisão, apesar de ser a mais acusada pelos moralistas
da ciência social de ser a grande força alienadora, nem é a mais querida. Hoje
em dia a TV aberta parece ser a opção de entretenimento apenas da camada mais
pobre da população, de todo mundo que não tem dinheiro para pagar por TV a cabo
ou uma boa conexão com a internet e uma conta do Netflix. Os adolescentes de
classe média e acima já sentem muito mais identificação com YouTubers como
Felipe Castanhari do “Nostalgia” e León do “Coisa de Nerd” do que com qualquer
apresentador de TV. Os intelectualoides que ficam reclamando de baixaria na TV,
no fundo, são uns arrogantes que consideram a classe baixa acéfala, e que por
isso eles, os superiores, deveriam decidir o que esta classe pode ou não
assistir. A vontade de cada indivíduo é um mero detalhe insignificante, que
pode e deve ser sacrificado para cumprir algum grande plano que o
intelectualoide tenha bolado em sua torre de marfim.

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