Sem categoria

Espeto de pau

Algo que eu julgo lamentável é ver o sujeito formado em história, ciências sociais e afins sendo católico, protestante, ou membro de qualquer grande religião organizada (não que as pequenas deixem de ser ruins). Quero dizer, você estudou o nascimento de uma mentira e estudou o tanto de mal que ela causou, e continua acreditando nela. Na verdade, um historiador conhece vários dos inúmeros movimentos religiosos que surgiram, e nos quais as pessoas acreditavam com igual fervor, como pode pensar “mas essa aqui é que é certa”? Todas, atuais e extintas, são igualmente pobres em evidência.

É igual a biólogo criacionista, médico que fuma, analista de sistema que cai em site de phishing, e por aí vai. You should know better.

Anúncios
Padrão
Sem categoria

I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time… like tears in rain… Time to die.

Roy Batty, Blade Runner

Citação
farsas, filosofia, internet, sociedade

Farsas – Esquema de Pirâmide/Marketing Multinível

image

Este post é absolutamente necessário, pois eu acho que, apesar de haver bastante informação sobre esquema de pirâmide (o blogueiro e youtuber Izzy Nobre fez um ótimo trabalho em informar o público sobre essa farsa) ainda não é suficiente, visto que os esquemas de pirâmide ainda existem, movimentam milhões de dólares e levam pessoas à ruína.

O que é esquema de pirâmide

Pirâmide é um esquema fraudulento em que uma organização ganha dinheiro exclusivamente ou principalmente com pagamentos de membros novos. Nada de valor é criado. Sob qualquer interpretação, é uma atividade econômica não produtiva. O dinheiro flui verticalmente, com membros novos (base da pirâmide) pagando membros antigos, que pagam membros mais antigos… Os golpistas que fundam a organização são o topo da pirâmide. Estes recrutam (o verbo é este mesmo) novos membros, que pagam uma taxa de adesão, e têm obrigação de pagar uma parte do que ganham para os do topo da pirâmide. E como ganham? Esta segunda geração de membros recruta novos membros, subordinados, que pagam a eles, que pagam uma parte para o topo…

Notou um problema? É, vou repetir, nada de valor é criado, nenhum produto ou serviço novo é criado, o dinheiro simplesmente flui de baixo para cima. Apenas os fundadores e os primeiros membros recrutados se dão bem. Quando este esquema começou, normalmente era anunciado como uma espécie de clube de investimento milagroso; uma mentira, nada é investido, o dinheiro simplesmente troca de mãos até o topo, e cada camada é mais pobre do que a anterior. A esmagadora maioria das pessoas que entram no esquema acabam mais pobres do que quando começaram.

E não é preciso ser gênio da matemática para notar que o esquema está  fadado a quebrar, pois vai chegar um ponto em que não tem mais gente para entrar na base e sustentar os de cima, é uma progressão geométrica, depois que a pirâmide chega a certo ponto, são necessárias mais pessoas na base do que habitantes do planeta Terra. E quando quebra, o pessoal do topo, que se deu bem, vai “sumir”. É um modelo de negócios não sustentável.

image

 

Marketing multinível é o mesmo que esquema de pirâmide

Não demorou muito para que esquemas de pirâmide fossem proibidos por lei. Mas os malandros usaram a tática mais antiga do mundo para divulgar uma mentira quando ela já se tornou conhecida: Mudaram algum detalhe e trocaram de nome. Não é diferente dos cretinos que insistem em divulgar criacionismo com o nome pomposo “design inteligente”, que é o mesmo criacionismo, mas travestido de ciência.

A tática foi inserir um produto para legitimar a atividade, e, portanto, eles estão gerando uma coisa de valor e não são um esquema de pirâmide. Só que não.

Quando você for ver, o valor vindo da venda de produtos para pessoas que não pertencem à organização é insignificante. A grande parte do lucro vem do pagamento de membros novos aos membros antigos. O produto é um engodo, e quase todas as vendas são feitas entre os próprios membros. Quando o cara entra no esquema, compra um kit do recrutador, que deverá tentar vender, e quase nunca consegue vender.

É notável também que os tais produtos fatalmente são coisas esquisitas que ninguém precisa, e por isso mesmo é tão difícil vender, e o único jeito do cara ganhar dinheiro é recrutando. O exemplo que ficou mais famoso aqui no Brasil é o Telexfree (que é mais ou menos um Skype ligado a um esquema de pirâmide). Quando a Telexfree foi interditada no Brasil, por ordem judicial, ninguém, simplesmente ninguém, reclamou que ficou sem poder usar o tal programa. Porque ninguém usava.

Outro exemplo famoso é o shake diet da Herbalife. Essa dieta é praticamente o mesmo que um jejum, o sofrimento é idêntico, mas com o mínimo de nutrientes necessário para ficar vivo. Também é digno de nota que produtos similares são encontrados à venda em qualquer loja de produtos “natureba”, vegan e em farmácias de manipulação, mas à preços muito mais baratos, porque os fabricantes não são MMN.

Zumbis

Se você leu os meus posts sobre o que é um culto, verá que as empresas de marketing multinível encaixam muito bem na definição. Que fique claro, participar de MMN não é o mesmo que estar em um emprego mal-pago: Mesmo que você trabalhe por um salário mínimo, você está ganhando alguma coisa, ninguém trabalharia de caixa do Mac Donalds pra perder dinheiro, ganha pouco, mas ganha. Só que quase todo mundo no MMN perde, e continua no esquema só pra tentar recuperar o prejuízo, algo similar com o que acontece com jogadores compulsivos que não saem da mesa porque ainda tem a esperança de recuperar o que foi apostado.

E as empresas de MMN investem pesado em palestras motivacionais, material de autoajuda e coisas similares para fazer dos membros verdadeiros zumbis que defendem a organização que os explora com unhas e dentes, e se tornam pessoas insuportáveis para seus amigos e familiares, pois estão o tempo todo tentando recrutar todo mundo para o esquema.

Por regra geral, as empresas não ganham dinheiro pelo número de funcionários, mas pelo valor que estes funcionários geram. Qualquer organização que tente desesperadamente ganhar o maior número possível de membros é fraudulenta. Bandeira vermelha se eles tentarem desesperadamente te “recrutar” mesmo você não possuindo nenhuma qualificação e nem experiência no ramo.

Os zumbis adoram apontar que várias pessoas se deram bem participando da sua organização, que ficaram ricas. Como eu disse, algumas pessoas, uma minoria, fica rica, o que absolutamente não diz nada sobre a legitimidade da organização. O meu pai tem 67 anos e fuma desde os 15, nunca teve câncer nem infartou. O que não muda absolutamente nada o consenso científico de que fumar faz mal.

O fato é que pirâmides são um bilhete de loteria muito caro. E ao contrário dos bilhetes de loteria, a maioria das pessoas já entram sem chance nenhuma de ganhar. A regra sagrada de Las Vegas – mais do que “o que acontece em Vegas fica em Vegas – é “a casa sempre ganha”. E no caso das pirâmides, a casa são os malandros que começaram o esquema.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquema_em_pir%C3%A2mide

http://hbdia.com/dossie-hbd/perca-dinheiro-ja-pergunte-me-como/

https://youtu.be/Ne6p_gGlgcM

https://youtu.be/dyuN-xUdCG4

https://youtu.be/ByLaIrLzUJE

UPDATE:

Escrevi este post meses atrás. Hoje o Izzy Nobre postou mais um vídeo sobre o assunto, visto que todo dia perguntam pra ele se x é esquema de pirâmide. Se nem com o meu post você entendeu, fica a dica:

Resumo do vídeo: Se parece pirâmide, é porque é pirâmide, cai fora.

Sério, os esquemas de pirâmide/MMN são tão convincentes como oportunidades de negócio legítima quanto um travesti de esquina é convincente como mulher.

Padrão
Sem categoria

O Problema do Pessimismo e Da Misantropia

image


muito tempo eu quero tratar deste problema. É claro que em um país
como
o Brasil,
passando por uma dura crise econômica, e que já foi ludibriado por
toda espécie de crápulas
cheios de “boas intenções” e “amor pelo povo”, é natural
que o pessimismo se dissemine. Mas isto não significa que estejamos
ficando mais sábios, ou mais exigentes.

O
fato é que pessimismo é um “bias”,
um viés, uma maneira corrompida de enxergar a realidade, seja sempre
enxergando o lado negativo de tudo (como uma Poliana ao contrário),
e dando mais peso a
este,
seja sempre fazendo previsões pessimistas sobre o futuro,
independente dos fatores em consideração. O pessimista descarta a
hipótese favorável instantaneamente, e, tanto quanto o otimista
bobo, corre o risco de estar errado. Fazer declarações pessimistas
sobre tudo virou uma das armas favoritas dos intelectualóides e
filósofos de boteco,
é uma das maneiras mais manjadas de se fazer de inteligente. Eu
suspeito que a série de TV House tenha colaborado para esta mania de
pensar que falar “humpf, até parece” te faz mais sabido. Alguns
dos maiores idiotas que eu já conheci tinham essa mania.

Se
todos são pessimistas, não há incentivo
para
melhorar nada na sociedade, pois ninguém vai admitir que algo
melhorou. O pessimista é incapaz de admitir que
algo
está
bom, que deveria ser admitido e reforçado. Por exemplo, quando algum
político corrupto é preso, o sabichão já vai dizendo
“humpf, daqui a pouco ele tá solto” sendo que o infeliz
provavelmente sequer leu uma única notícia inteira
sobre
o caso, e não entende porra nenhuma de direito, mas
já pensa que sabe tudo.

O
pessimista também frequentemente incorre na falácia do nirvana, que
é quando julgamos o valor de algo baseado num padrão idealizado
irreal, em
vez de
fazer uma comparação justa. Um exemplo muito claro disso é dizer
que nenhum político presta, segundo uma comparação com os
políticos de algum país nórdico como a Suécia (que, ao contrário
do Brasil, é um país de principiantes). Uma comparação sensata
entre Brasil e algum país latino-americano
seria melhor, como fez um canal do YouTube que eu assino,
o
Test Tube:
eles apontaram que a diferença principal entre nós e a Venezuela é
que ainda temos instituições firmes e um judiciário independente,
por isso mesmo o sucesso da operação Lava Jato. O
reflexo imediato de um pessimista é desprezar imediatamente esta
opinião sem nem mesmo refletir sobre ela.

Os
pessimistas também não dão valor aos números e estatísticas (é
tudo manipulado!). O cientista cognitivista Steven Pinker enfrentou
de peito aberto os pessimistas com seu livro Os Bons Anjos de Nossa
Natureza. Neste livro, ele explica
– munido
de documentos históricos, análises sociológicas acuradas, e muito,
mais muito número e gráfico
– como
na verdade a humanidade nunca foi tão pacífica quanto hoje em dia.
Mata-se menos, preza-se mais pela vida, no geral. Também melhorou
consideravelmente o trato que
as pessoas têm
umas pelas outras. Não faltou gente para chamar Pinker de farsante e
sua análise de “ingênua” simplesmente porque ela chega a uma
conclusão positiva.

Pinker
é um pesquisador sério, e ele jamais disse
que agora está tudo perfeito no mundo, ou sequer que a tendência de
pacificação é irreversível. Mas, como os pessimistas são
extremamente apegados à falácia do nirvana e se recusam a admitir o
valor de uma melhoria
parcial, resumem que tudo é uma farsa. Dizem que o fim da escravidão
é uma farsa, porque hoje em dia existe tráfico de pessoas, ou
porque as fábricas da China
têm péssimas condições de trabalho, análogas
à escravidão. É verdade. Só que o fato de um fenômeno antes
amplamente disseminado ter sido reduzido a uma prática
marginalizada, ilegal, e combatida por autoridades de todo mundo, é
algo que não se pode desprezar. Na
disciplina história também parece ter virado moda dizer que a independência
do Brasil foi uma farsa (claro, seria muito melhor ter continuado
colônia de Portugal)

Eu
também já fui muito pessimista, já votei nulo por padrão e
desprezei a espécie humana. Que é mais um engano, que aqui no
Brasil foi
alimentado pelos folhetins de Nelson
Rodrigues,
com sua obsessão
monótona pela traição. O ser humano nasce com faculdades boas
(“pró-sociais”)
e ruins (“antissociais”)
que podem ser desenvolvidas ou não, e só isso. Ser misantropo não
te faz inteligente. Tem um grupo de misantropos que eu apelidei de
“misantropos
de pelúcia”,
que nutrem um pensamento que é uma espécie de mistura amalucada de
Schopenhauer e Rousseau, típica
tia gorda do Facebook que fica postando notícia de tragédia
acompanhada de comentários de que o ser humano é podre, é um lixo,
e que só cachorro e criança que são puros e inocentes,
o resto podia morrer tudo.
Este tipo de comentário é idiota de todas as maneiras. Ah, e pode
apostar que esta tia gorda misantropa tem uma penca
de filhos, como se isso não fosse contraditório.

Outras
variações incluem o pessimista misantropo religioso, agarrado à
doentia noção bíblica de que o ser humano é ruim, pecaminosos
desde que nasceu, e um nada perto da perfeição do ser mitológico
chamado
Jesus
Cristo. O mais famoso pessimista religioso no Brasil é Luís Felipe
Pondé (prova
de que
dá pra ganhar dinheiro com isso). Tem também o ecochato que
internalizou o discurso do Agente Smith em Matrix, aquele que compara
o ser humano a
um
vírus do planeta, e que por isso toda atividade humana é abjeta e
devemos voltar às cavernas, e
sobreviver com o mínimo necessário para a subsistência biológica.
Eu estou perfeitamente ciente de que existe um lado inteligente e
científico do ambientalismo, mas não é destes ambientalistas
sérios
que
eu estou falando. Engraçado,
os ecochatos, assim como as tias loucas do Facebook e os religiosos, também
costumam ter filhos, como se isto não fosse hipocrisia.

Nem
todo misantropo é idiota ou está querendo pagar de santinho, e em
vários casos é compreensível
(ainda que não correto) ser assim, muitos misantropos são pessoas
amarguradas que sofreram diversas decepções na vida (meu caso). O
caso do próprio Schopenhauer parece ser o mesmo. Lendo, por exemplo,
Estudos
do Pessimismo (uma
seleção de ensaios retirados da obra “Parerga e Paralipomena”),
não precisa ser especialista para notar que se trata de uma pessoa
com depressão (doença incurável em sua época), mas muito
inteligente, racionalizando seus sentimentos. Pegue como
exemplo
o
primeiro
parágrafo: “A
não ser que sofrimento seja o objeto
direto e imediato da vida, nossa existência deve falhar inteiramente
em suas metas. É absurdo ver as enormes quantidades de dor que
abundam em todo lugar do mundo, e originam de necessidades
inseparáveis da vida em si, como não servindo a nenhum propósito …
mas o infortúnio em geral é a regra da vida.” Digo,
não como filósofo, mas como paciente de depressão clínica
que só recentemente melhorou, que este é precisamente o tipo de
pensamento que decorre da incapacidade de sentir prazer com qualquer
coisa e
mesmo de sentir vontade
(a ponto de julgar o prazer uma mera satisfação de necessidades, e que dor e sofrimento são a regra). O
fato de depressão também minar as suas relações interpessoais (já
perdi amigos, namorada, muita coisa) colabora e muito para uma visão
negativa da humanidade em geral.

Verdade
seja dita, os misantropos têm muitas ideias acertadas, e veem muitas
coisas que as “pessoas normais” (seja o que for essa joça) não
veem. São especialmente sensíveis aos vícios com os quais a
sociedade já se acostumou. Meu misantropo sério favorito é o
escritor egípcio Alaa Al Aswany. Deste
senhor, e em especial sua coletânea de contos “E Nós Cobrimos
Seus Olhos”, eu
tratarei em um post à parte.
Mas o fato de podermos tirar algumas coisas verdadeiras do que dizem
os misantropos não significa que esta não seja uma visão de mundo
distorcida e que não leva a nada. Uma visão de mundo que, eu quero
frisar, provem de uma doença. Nunca é demais lembrar
que depressão é doença séria e se trata com remédios. Dizer a um
deprimido que tomar remédios é bobagem e sugerir terapias
alternativas é o mesmo que dizer a um diabético para este abandonar
a insulina.

No
geral, o pessimismo cego (seja em relação à humanidade –
misantropia – ou outras coisas) é venenoso, socialmente falando,
e, ao contrário do que se pensa, não leva as pessoas a serem mais
conscientes. Não leva as pessoas a tomarem decisões melhores:
Quando você é pessimista, você já decidiu que nem existem
decisões melhores. Este ano, eu já decidi que vou votar em alguém
para prefeito em minha cidade, alguém que não é de nenhum grande
partido, um
independente, e
que eu julguei estar realmente capaz
e
com
vontade de fazer
uma administração decente. Sim, eu posso quebrar a cara depois, se
o cara não prestar,
mas ainda assim, acho melhor votar em alguém decente (não perfeito,
decente) do que decidir-me que qualquer coisa serve.

Padrão
Sem categoria

Pokémon Go: Calma gente, é só um jogo

Experimentei o Pokemon Go e achei divertidinho. Só isso. Não acho que haja razão para alarde. Não acho que seja caso de fazer diagnósticos pessimistas sobre a mentalidade da juventude só por causa do secesso de um jogo de realidade aumentada. O fato é que os jovens (e os nem tão jovens) já passavam um tempão com o nariz enfiado no celular, e agora estão passando um tempão com o nariz enfiado no celular caçando Pokémon. Só isso.

O que eu estou gostando mais não é nem o jogo em si, mas o festival de gafes e videocassetadas de “mestres pokémon”. Dá pra rir um pouco. A melhor delas foi quando o pessoal começou a comprar ações aloucadamente, levando o preço às alturas, só pra depois a Nintendo lembrar que na verdade nem foi ela quem fez o jogo, e o preço das ações voltar ao normal.

Também é muito cedo pra dizer se Pokémon Go, e o conceito de realidade aumentada em si, comtinuará um sucesso, ou se as pessoas vão cansar dele, como foi o caso do Second Life, que hoje quase ninguém mais lembra que existiu. Aliás, filme 3D já está parecendo ser uma moda que a indústria está empurrando com a barriga.

Padrão
Sem categoria

O Mundo Moderno Aboliu A Privacidade?

Acho este tipo de afirmação demasiadamente catastrofista. É verdade sim que as pessoas, em média, têm uma vida mais pública do que antes. O exagero é dizer que a era moderna matou a privacidade, que existe uma força inexorável que obriga as pessoas a revelarem informações de sua vida para o “sistema”. Olhemos por outro ângulo:

Há poucos anos atrás, ter um telefone criptográfico era um luxo reservado apenas aos chefes de Estado, diplomatas, e outros membros da elite, como vemos no filme Argo. Desde que o Whatsapp implementou o poderoso protocolo Signal para criptografar ponto-a-ponto mensagens e chamadas de voz, um bilhão de pessoas no mundo têm telefone encriptado, impossível de ser grampeado legal ou ilegalmente.

Privacidade é fácil e barata. Quer um email criptografado? Use a extensão Mailvelope e gere a sua chave. A parte mais difícil, na verdade, é convencer seus amigos a fazerem o mesmo. E digo pela minha experiência que é muito difícil convencer as pessoas a adotarem novas tecnologias. Qualquer coisa que leve mais de 5 minutos para aprender, elas não querem saber.

O fato é que as pessoas fazem escolhas. Postar fotos de tudo que você faz no Facebook também é escolha, Mark Zuckerberg não está te obrigando a compartihar nada. Infelizmente, a teoria padrão das ciências sociais insiste em pregar que o homem não é responsável por nada, não escolhe nada, e faz tudo por pressões sociais. Desse mesmo raciocínio torto vêm as afirmações de que o mundo moderno acabou com a privacidade, quando na verdade privacidade é mais fácil e barata do que nunca pra quem tem um mínimo de vontade.

Padrão