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Um apelo à comunidade LGBT, não percam tempo com religiosos

Recentemente houve uma polêmica acerca de um pastor de uma igreja que colocou placas com dizeres preconceituosos na fachada. 

Sim, lógico que é uma estupidez, mas o que eu quero dizer aos gays e etc., que eu respeito muito, é que façam como eu fiz com relação à polêmica de Patrícia Abravanel e os ateus e não percam tempo debatendo com quem não merece. Nada de útil surgirá desta briga, que já chegou à Justiça, o Ministério Público está movendo uma ação contra esta igreja, e se conseguirem obrigá-la a tirar a placa, o pastor só vai se aproveitar da situação para se fazer de vítima (ou melhor, de mártir), dizer que está sofrendo “cristofobia”, e pedir pros fiéis doarem mais.

Meus caros, cristianismo é uma doutrina que surgiu no deserto no começo do primeiro milênio da era comum, e está de acordo com a mentalidade do povo e da época. Além de se basear na crença em fatos inverídicos, inverificáveis, ilógicos, quando não impossíveis, algo que por si já o torna indefensável, o cristianismo falhou miseravelmente como código moral. A sabedoria dos fundadores da bíblia em questões humanas era tão parca quanto seu conhecimento sobre o universo. Note que durante todo o período que a Igreja Católica exercia poder no ocidente, ela consentiu e participou ativamente em todo tipo de atrocidades, promoveu guerras, torturou sem piedade, submeteu as pessoas ao medo e à vergonha de coisas inofensivas, não permitiu opiniões destoantes, atormentou a mente dos homens com o medo do inferno na além-vida e fez questão de tornar a vida no aqui e agora infernal.
O protestantismo não foi muito melhor, e também promoveu matanças em nome da fé, como foi o caso do enforcamento das “bruxas” em Salém. Falando em protestantismo, um dos massacres mais marcantes da história ocidental, a noite de São Bartolomeu, foi diretamente motivado por discrepâncias entre dois grupos religiosos. Pessoas se matando porque não concordavam na melhor maneira de agradar seu amigo imaginário, colocando de uma maneira simples, mas não errônea. E isto era o cristianismo na época que ele era mais pleno, o cristianismo de raiz, sem influência de outros valores. Nesta mesma época, a Igreja aquiesceu com a escravidão, seus teólogos decidiram que índios tinham alma, mas negros não, uma interpretação para lá de conveniente. Afinal, a bíblia não condena escravidão. Passagens que prescrevem a execução de bruxas e a morte de infiéis também existem, e não foi tão difícil para os teólogos arrumarem desculpas para ignorar o mandamento de não matar.

Grande parte da ética comum de hoje em dia é secular, isto incluem valores que os cristãos gostam de chamar de seus, isto surgiu num contexto de iluminismo, por pensadores que foram os pioneiros em fazer uma ética independente de religião, uma ética pensando no bem do homem, não no agrado a uma entidade imaginária.

As religiões, por sua própria natureza (ser baseada em dogma) são muito difíceis de mudar, especialmente as mais tradicionais, os três grandes monoteísmos. Nem por pressão do governo nem por pressão popular elas vão deixar de ser homofóbicas, ainda que a homofobia seja irracional, pelo menos não por muito, mas muito tempo. A igreja já manteve muitas outras irracionalidades por muito tempo. A visão deles de família tradicional é imune à mudança dos tempos, porque eles acreditam em valores eternos e imutáveis, afinal, eles acreditam provir do próprio criador do universo.

Eu sinceramente acho bom que religiosos expressem publicamente seu ódio à comunidade gay, assim podem lembrar à sociedade o quão ruim é a religião, põe suas garras. E acho que os gays deveriam desistir de combater o preconceito na religião, por ser uma batalha sem fim, e combater a própria religião, além de se afastar delas, ou pelo menos daquelas que os consideram repugnantes pela sua orientação sexual. Lembrando que isto não significa ser violento com os fiéis dessa religião, o que eu sempre defendo e sempre vou defender é o combate de ideias com ideias, não de pessoas, pelo menos não pelo simples fato de pertencerem a uma religião. Os religiosos que combatam entre si com balas e bombas, eu combato ideias erradas com palavras, e acho que a comunidade gay deveria fazer o mesmo, com palavras, e também não com processos.

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