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Explicando Alienação com Beakman (e Lester, o ludita)

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Os anos passam, e os marxistas continuam falando da tal alienação com o mesmo tom tenebroso com o qual os cristãos devotos falam de “pecado”. Geralmente remetendo-se ao filme Tempos Modernos de Chaplin como ilustração do suposto problema, o professor marxista lamenta como os trabalhadores das fábricas, ignorantes, passam o dia a fazer tarefas repetitivas para montar coisas que nem eles sabem o que são…

E não se espante se o tal professor (que aqui apelidarei de “Professor Mexerico”) falar deste assunto auxiliado por uma apresentação de PowerPoint projetada na lousa ou em uma tela com um datashow. Que coisa, não? Quanta tecnologia para criticar a especialização de tarefas que possibilita a tecnologia. Afinal, professor Mexerico, saberia o senhor montar, peça por peça, o computador e o projetor que usas para dar aula? Mesmo que se conforme com uma solução mais low-tech, você também provavelmente não saberia fabricar o giz, o apagador e a lousa,  acabaria colando as mãos enquanto tenta montar a madeira, e martelando o dedo também, e perderia tempo que poderia estar dedicando aos seus queridos livros de Marx e Foulcault….

O mundo que vivemos é formado de uma complexidade de sistemas inimaginável. Pense que você está sentado num ônibus assistindo um vídeo no YouTube, com seus fones de ouvido (que você se convenceu a usar sempre, após cair no chiste do “gemidão do zap”). Quanta tecnologia é empregada para montar o celular que segura e desenvolver o código-fonte de seu sistema operacional e seus programas, incluindo o YouTube, uma máquina que transforma pacotes de dados em imagens e sons, de maneira rápida e opaca, sem que o usuário precise saber nada sobre o funcionamento do aparelho (sendo ele, portanto, alienado também). E quanta tecnologia existe para manter a infraestrutura 4G, que permite a um celular acessar a internet e baixar pacotes de dados através de ondas eletromagnéticas de torres de celular… Nenhum ser humano no mundo conhece todos os detalhes de funcionamento de cada sistema necessário para essa atividade banal, há muita inteligência por trás de tudo para um único ser humano saber tudo. E nem precisa saber.

No fundo você gosta desse mundo, pelo menos um pouco, pois ele permite aproveitar melhor seu tempo, dedicando-o a coisas que vale a pena e que você entende, e desfrutando de várias outras coisas sem ter que saber exatamente o que elas fazem. O mundo é repleto de caixas-pretas, e caixas pretas são convenientes. Ou, como colocaria Daniel Dennett, cheio de coisas que tratamos a partir da postura do design (design stance), ignorando seu funcionamento interno e interagindo a partir de como acreditamos que ele seja feito para funcionar.

…a maioria dos usuários de computador não tem a menor ideia de quais princípios físicos são responsáveis pelo comportamento altamente confiável – e portanto previsível – do computador. Mas se eles tiverem uma boa ideia de para que o computador foi desenhado (uma descrição de suas operações em qualquer um de seus muitos níveis de abstração possíveis), eles podem prever seu comportamento com grande precisão e confiabilidade, sujeito à desconfirmação apenas em caso de mau funcionamento físico. Menos dramaticamente, quase qualquer um pode prever quando um despertador irá tocar com base na inspeção mais superficial de seu exterior. Não se sabe ou não importa se é movido à bateria ou à corda, à luz solar, feito com engrenagem de latão e jóias ou chips de silício; apenas assume-se que é desenhado de forma que o alarme tocará quando é ajustado para tocar, e é ajustado para tocar onde parece ser ajustado para tocar, e o relógio continuará andando até aquela hora e além, e é desenhado de forma a andar mais ou menos de forma precisa, e assim por diante.
Original, clique para ler
…most users of computers have not the foggiest idea what physical principles are responsible for the computer’s highly reliable, and hence predictable, behavior. But if they have a good idea of what the computer is designed to do (a description of its operation at any one of the many possible levels of abstraction), they can predict its behavior with great accuracy and reliability, subject to disconfirmation firmation only in cases of physical malfunction. Less dramatically, almost anyone can predict when an alarm clock will sound on the basis of the most casual inspection of its exterior. One does not know or care to know whether it is spring wound, battery driven, sunlight powered, made of brass wheels and jewel bearings or silicon chips-one one just assumes that it is designed so that the alarm will sound when it is set to sound, and it is set to sound where it appears to be set to sound, and the clock will keep on running until that time and beyond,  and is designed to run more or less accurately, and so forth.
Daniel C. Dennett. The Intentional Stance (Bradford Books) (Locais do Kindle 252-258). Edição do Kindle. Tradução minha.

Agora mesmo, enquanto estava escrevendo este post, minha mãe pediu ajuda para imprimir uma planilha de excel que ela recebeu por email. Ela melhorou um pouco, consegue abrir os emails e as planilhas, só às vezes esquece os comando para imprimir. Imagine se tivéssemos que inventar tudo do zero… Ou ainda esperar que alguém bolasse toda essa tecnologia (que de nossa perspectiva de design, parecem banais) por amor à humanidade…

E sim, todos os que trabalham na produção destes aparelhos são “alienados”. Inclusive os programadores: Hoje em dia cada vez menos programadores sabem fazer qualquer coisa em código de máquina ou mesmo sabem os pormenores do funcionamento do hardware em que funcionam. Nem precisam: Melhor se dedicar a aprender a API e fornecer um aplicativo mais fácil e intuitivo para o cliente… Que pode ser, por exemplo, o professor Mexerico usando uma aplicação de apresentações para explicar os males da divisão de trabalho.

Inclusive, toda essa tecnologia nos permite aprender muito facilmente sobre varias coisas. Já parou para pensar que o trabalhador da fábrica poderia saber (e até saber em detalhes) o que exatamente é o resultado final do seu trabalho, mas não o faz não por ser proibido pelo cruel sistema em que está inserido, mas simplesmente por não se interessar? E que talvez ele não se interessasse em fazer aquilo que não vai servir pra nada a ele se não fosse pelo salário, mas sim para servir à sociedade… Mas divago.

Quem explica isto muito melhor é um velho amigo de infância meu: Beakman, que recebeu em seu laboratório o empresário americano Henry Ford (nos círculos marxistas e foucoltianos, também conhecido por Satanás ou Belzebu) e tentou produzir em seu laboratório um carrinho vermelho, usando o método de linha de montagem de Ford, enquanto que seu assistente, o rato Lester, tentava fazer o mesmo produto sozinho, de modo 100% não alienado… Veja aos 7:15 do vídeo.

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Para quem quiser uma análise bastante detalhada desta recente polêmica, recomendo este vídeo. Já escrevi bastante sobre estes assuntos em alguns posts, linkados abaixo, e não vou me aprofundar nesta polêmica específica. O que vou dizer apenas é que é abominável demitir uma pessoa por ela ter expressado sua opinião sincera no âmbito desta empresa, por ter feito uma crítica, ainda que possa haver equívocos em tal opinião, punir alguém por ter expressado uma opinião diferente ou mesmo uma opinião equivocada é um exemplo crasso de intolerância. Liberdade de expressão não é falar só o que a sua organização ou a sua sociedade julga adequado.


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I’m Back

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E peço desculpas aos poucos, mas muito valiosos, leitores deste blog, pela minha ausência inexplicada. Parei de escrever por um tempo por questões pessoais, da minha saúde mental bastante debilitada, que me forçou a fazer viagens diárias à outra cidade para tratar minha depressão com a técnica de estimulação magnética transcraniana, o que foi exaustivo e oneroso, mas o saldo final foi inequivocamente positivo. Após 16 sessões, eu estou novamente funcional, e estou feliz em estar, pretendo prosseguir com este blog, cuja escrita sempre foi um deleite para mim, e encabeçar em novos projetos, estudar e escrever obstinadamente. Eu ainda me recuso a usar o termo “resiliência”, por ser um modismo de autoajuda, e porque eu não me alavanquei sozinho para fora de minha condição de inércia patológica, como um barão de Munchausen se puxando para fora do pântano sozinho. Na verdade, pensei muito em morrer, pensei que seria melhor não existir. Mas mudei de ideia. Agradeço à ciência, e agradeço à minha família e aos meus amigos que me forneceram o apoio moral, financeiro e emocional de que tanto necessitei, bem como dos profissionais de saúde mental que me prestaram seus excelentes serviços. Eu não sou, afinal, um lobo solitário, e tão pouco um ídolo objetivista autossuficiente como os protagonistas da literatura de Ayn Rand. Mas meu fardo ainda é meu para carregar, e eu o aceito. Eu não desejo mais morrer, por mais que a ideia pareça tentadora às vezes.

E isto é bom, e não só pra mim, nem só para os meus amigos e família. Eu preciso me lembrar frequentemente que não estou nesta Terra à toa, eu tenho uma missão. E a minha missão é incomodar. Pois bajuladores e conformistas já há em excesso na sociedade, eu quero mesmo é criar problemas, só quero ter intelecto o bastante para ninguém me derrubar, e os livros que leio engrossam minha armadura. Neurótico, eu? Talvez. Mas os neuróticos também são necessários. Alguns homens parecem ter vindo à terra para viver a vida de uma bromélia, e seguir uma cômoda obediência bovina. O que os marxistas não querem admitir é que a maioria dos homens adora ser alienado, quer mesmo saber o mínimo necessário e considera conformismo uma virtude cívica. E não se engane: Não só nas fábricas, não só entre os pobres. Mas não, eu não. Não sou super-homem nietzchiano, nem sou livre de fraquezas, mas eu tenho coragem, e optei por viver e fazer algo que valha a pena neste mundo. E é preciso ter no lugar em que me encontro.

Falo do ambiente acadêmico. Eu vejo que há um excesso de “doutores” em besteirol por aí. Hoje mesmo, em uma emética palestra de direitos humanos na faculdade (na qual, estranhamente, quase não se falou de direitos humanos) a velha ladainha: As doutoras (de merda) discursando seus refrões enlatados de justiça social. Meu amigo, que sentava ao lado, comentou: “Parece que em toda palestra eles querem nos fazer sentir vergonha de sermos brancos.”. E é verdade. Quando vemos episódios lastimáveis como o que ocorreu recentemente em Virgínia, nos EUA, de manifestações de neonazistas, que chegaram até a matar uma pessoa, não nos esqueçamos que muito do combustível destes movimentos é o tal “efeito mola”, de radicalismo de um lado levando a radicalismo do outro, também conhecido como a “ferradura”. A histeria das SJWs piradas alimentam a ira dos neonazistas e vice-versa, num círculo vicioso boçal.

As doutoras de merda que tive o desprazer de assistir hoje, foram daquelas que querem a todo custo impor a já há muito desprovada teoria da tábula rasa: Tudo é construção social para estes loucos. Em nome da tal justiça social, toda verdade científica pode e deve ser sacrificada. Toda opção que a mulher toma, nesta visão deturpada,  considerada é fruto de uma grande conspiração do patriarcado. Céus, eu juro, em dado momento, se disseram indignadas por terem procurado “brinquedos de menina” no Google e visto só bonecas e coisas cor-de-rosa. Quem diria, não? Ah sim, todo o discurso vitimista convenientemente se esquivando da questão do islamismo, a religião mais misógina (no sentido estrito do termo) do mundo, mas que o politicamente correto decretou imune à crítica. Quando terroristas invadiram a redação do Charlie Hebdo e assassinaram os cartunistas, Glenn Greenwald foi logo dizer que a culpa foi dos cartunistas. Aliás, após tomar coragem de pegar o microfone na sessão de perguntar e comentários e expor minha opinião, me chamaram de indelicado por ter dito que as teorias das palestrantes são anticientíficas. Falei foi pouco. Fui delicado demais.

Enfim, sem entrar em detalhes desnecessários, eu preciso continuar vivo, para ter meu doutorado também, e o meu não será em “justiçagem social” embasada em pseudo-ciência, não senhor. Minha ideologia é a razão. Estamos num país em que homeopatia é especialidade médica, um congresso supostamente laico tem espaço para uma bancada evangélica, um ex-presidente condenado por crimes graves é adorado por multidões que o consideram vítima independente das montanhas de evidências de sua canalhice, criacionismo corre o risco de entrar no currículo de biologia como alternativa à evolução, e falando em educação,a questão educacional virou uma espécie de cabo de guerra de fanáticos religiosos contra pós-modernistas e marxistas por quem tem direito a impor sua agenda ideológica nas escolas. Ideologia de gênero vs. cristianismo. Que tal nenhum deles? Que tal a ideologia da razão?

Minha personalidade não é nada comedida, nada moderada, como alguém poderia associar imediatamente ao apreço pessoal à racionalidade. Não, pelo contrário, eu tenho um emocional complicado, e sou bravo. E acho que preciso ser bravo. Eu sou dos que admiram a razão e a ciência legítima, que acham que academia é lugar para esta, e não para politicagem, a verdade não é relativa ou socialmente construída e jamais deve ser condicionada aos interesses da ideologia da moda, e só a verdade liberta. Sou também daqueles que querem uma economia verdadeiramente livre e próspera, e sabem que isto só se faz com estímulo ao empreendedorismo, com redução de entraves burocráticos e fiscais, e acima de tudo com mérito ao estudo e ao trabalho, com mérito aos feitos do indivíduo, o indivíduo, sim senhor, que não é um mero ponto acéfalo em uma massa chamada sociedade, cujos interesses podem ser sacrificados aleatoriamente para atender alguma agenda escusa de um ideólogo idiota.

Não sou objetivista, nem me considero bem libertário, mas definitivamente não sou socialista. Cada indivíduo é um universo, seu ser é determinado antes de mais nada por sua condição biológica, e esta determina várias de suas facetas, mas além desta, é a somatória de fatores únicos que se passam em sua vida que o tornam singular, que fazem de sua mente idiossincrática. O potencial de um ser humano não é infinito, mas é único. Este ser não é derradeiramente livre, não no sentido teológico, ilógico, que viola as leis da causalidade, como se o cérebro fosse uma quarta dimensão independente das leis da física. Mas é livre no sentido de seguir seus anseios, suas paixões, seus impulsos, e estes estarem em alguma medida mediados por seu conhecimento e sua capacidade racional. Livre-arbítrio? Corte o arbítrio. Por que não apenas “livre”?

E ideologia? Eu acredito em razão, esta é minha ideologia, e isto me faz membro de uma minoria, uma de verdade, não uma minoria do PSOL, uma pequena minoria, mas não calada.

Eu não sou um gênio, e nem estou certo de ser muito inteligente, apenas subo no ombro de gigantes, não de anões, como é o caso dos doutores e doutoras em baboseiras, e procurarei meu lugar ao sol assim. Estou vivo. E é bom estar vivo. Quem não está contente… Bem, como disse, posso ser racionalista, mas tenho um temperamento intempestivo, então mais uma vez tomo aquela frase atribuída ao também intempestivo (e como!) Marquês deSade. Não admiro em nada sua irracionalidade e perversidade, mas sim sua coragem em desafiar o convencional e jamais disfarçar quem é, em desafiar, sempre desafiar, ainda que acabasse preso antes e depois da Revolução, pois não foi capaz de se adequar à mentalidade nem da monarquia, nem do Império de Napoleão. Nem a monarquia nem Napoleão calaram Sade, e nem o politicamente correto (e nem a depressão) me calarão, se quiserem combater minhas ideias, melhor terem ideias melhores, pois não me calarei por delicadeza.

“…repito: matem-me ou aceitem-me assim, porque eu jamais mudarei.”

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Educação, filosofia, geek, internet

Sci-Hub, as publicações acadêmicas, e aprendendo a citar

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Sci-hub foi uma das descobertas mais quentes que eu fiz este ano. Comentei no final do meu post sobre o Kindle, mas o assunto merece um post próprio. É um site de distribuição gratuita – “pirataria” – de artigos acadêmicos, que fez a alegria de estudantes e pesquisadores de todo mundo, que não podiam acessar artigos que precisavam pelo alto custo e burocracia. Mas antes, acho que convém falar o que exatamente é um artigo acadêmico e como funcionam as publicações e a divulgação científica… Neste post, também vou dar algumas dicas básicas para você que é estudante e precisa fazer citações no seu trabalho, aprenda a fazer bonito. E com o sci-hub, fontes não vão faltar…

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ética, filosofia, Humano, sociedade

Gordofobia

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Quem lembra da série de TV Lost? Esta série marcou o início de um renascimento dos seriados de TV na década passada. Uma trama densa, repleta de detalhes e simbologias à lá Dan Brown, entregue em longas temporadas com episódios sequenciais. As séries de TV que mais faziam sucesso nos anos 90, como Arquivo X, eram principalmente em episódios “soltos”, que podiam ser assistidos sem depender muito de saber o que tinha acontecido nos anteriores, às vezes com uma curta recapitulação antes de cada episódio. A popularidade de Lost se deveu à algumas novidades tecnológicas do século XXI, como a popularização dos DVDs, que eram compactos e baratos o bastante para as pessoas comprarem e guardarem em casa ocupando muito menos espaço de prateleira do que seria em VHS, além de serem muito mais resistentes ao desgaste (leia-se: não mofavam). Este é o tipo de obra que não dá pra perder episódios e ter uma experiência satisfatória. E assistindo mais de uma vez o mesmo episódio, pode-se pegar detalhes. Com a internet já popularizada, os fãs podiam se reunir em fóruns de debate na internet e discutir o significado de todos os acontecimentos.

O personagem Hurley era um dos mais divertidos da série. Mesmo que você não tenha visto Lost, já deve ter percebido pela imagem deste post o porquê. Com obesidade grau 3, no linguajar endocrinológico, ele frequentemente servia de alívio cômico, e era um dos principais alvos de piada do sem-noção Sawyer. Era sim um cara muito útil, e importante para o desenrolar da trama, também com suas qualidades de caráter. Uma das teoriasnão assisti até o fim, desculpe mais aceitas de Lost quando estava em seu auge era que a ilha era uma espécie de purgatório, e os personagens lá estavam para serem testados, para provarem ou não serem capazes de se redimir.

O vocalista Charlie, por exemplo, era viciado em heroínaeu nunca entendi por que ele comia heroína, e não injetava, uma droga potente, que causa aos usuários uma onda de euforia e relaxamento incomparável à qualquer outra coisa no mundo. Já ouviu de alguém que anestesia para endoscopia é a sensação mais orgástica do mundo? É um “parente”, o propofol. Em dado momento, Charlie acha estátuas de santas na ilha, com saquinhos de heroína dentro. E poderia ter recaído, não fosse a intervenção do personagem John Locke. E o Hurley é viciado em comida. Que não é um vício simples, nem pouco danoso.

Como funcionam as drogas? Muitas delas, como morfina, seu derivado de alta potência, a heroína, e as formas sintéticas (mas não a cocaína, que tem um mecanismo diferente) imitam alguma substância natural, endógena do corpo. Endorfina originalmente significa “endogenous morphine”, morfina endógena. O seu corpo produz endorfinas em resposta a estímulos satisfatórios, como após uma longa corrida, uma relação sexual, uma refeição muito saborosa. A mente registra uma experiência como boa quando há uma grande descarga de endorfina no sistema límbicoa dopamina, pelos estudos mais recentes, parece estar mais ligada à expectativa de prazer do que ao prazer em si. Um mecanismo evolutivamente perspicaz: Leva organismos a fazerem mais coisa que os levam a viverem mais e se reproduzirem mais, passando adiante os genes com estas mesmas inclinações. Uma anomalia na produção e transmissão de endorfinas podem ter a ver com o transtorno obsessivo-compulsivo: A pessoa não tem o sinal de “saciedade” ao completar uma tarefa, como lavar as mãos. A morfina e seus derivados são um “cheat code”, imitando a estrutura molecular das endorfinas ela ativa os receptores para endorfinas, e uma ativação muito mais intensa e prolongada. Prazer puro, destilado, e sem complicações.

E a comida? A comida que a gente adora, aquelas frituras transbordando de sebo, picanha com gordura na borda, chocolates pra levar a sua glicose pra estratosfera… Eram impensáveis para o homem primitivo e seus ancestrais mais primitivos ainda. Seguro dizer que ninguém morria de diabetes tipo 2 nas cavernas. O pouco de gordura e açúcar disponível na natureza era fundamental para sobreviver, e era difícil e perigoso de obter, um mecanismo biológico de recompensa foi necessário para levar o hominídeo a arriscar a pele caçando um mamute ou roubando favos de mel da colmeia, e era bom que a recompensa fosse grande.

Por muitos séculos, calorias foram raras para a maioria dos homens. Até a industrialização, a economia de mercado e as novas técnicas agrícolas do século XX. Atualmente, milhões ainda passam fome. Mas mesmo nos países pobres, calorias são baratas para muita gente.

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O post tá dando fome? Que tal um lanche leve para não engordar? Cortesia do meu querido Zangado

E aquelas substâncias que os homens das cavernas se matariam para obter em uma minúscula quantidade? Um monte dela, toneladas dela, no McDonalds ou na barraquinha de lanches da esquina, ou do tio Zangs. O seu sistema límbico, que faz parte da região mais primitiva do cérebro, pouco se importa com o contexto. Você grita e esperneia numa montanha russa mesmo sabendo que está seguro. E se delicia com um hambúrguer mesmo sabendo que aquilo não te faz bem, mas o sistema límbico é indiferente e te dá prazer, muito prazer. De muitas maneiras, é melhor que as drogas. Praticamente todas as drogas de abuso provocam tolerância, o usuário tem cada vez menos prazer com o uso contínuo, e começa a procurar drogas só para sanar os sintomas de abstinência. Com comida, e especialmente com “porcaria”, não tem tolerância, hambúrgueres e brigadeiros continuam sendo deliciosos sempre. Caso se enjoa de uma comida, há sempre muitas outras opções. Podemos culpar quem se vicia nessa maravilha? O Izzy acha que sim.

Sobre as modelos plus size, quando foi lançada a classificação, se bem me lembro, era bem diferente: As modelos plus size nas passarelas só não eram esqueléticas. O padrão da beleza na moda costumava ser não só só irreal, mas patológico, e não foram poucas as meninas que até morreram tentando chegar nele, diria que o protesto contra isto era justo. E sinceramente, você realmente acha linda uma mulher que é só pele em osso? Podia servir para vender roupa de grife, mas não sei se a maioria dos homens heterossexuais acham realmente linda uma mulher que não só é magra, mas excessivamente magra.

Mantendo tudo mais constante, o que parece bonito às pessoas são sinais de saúde. Corpos desproporcionais são feios. Os nossos instintos são sábios ao suspeitarem que uma pessoa muito magra ou muito gorda não é saudável. E não dá pra reprogramar o que as pessoas acham bonito ou não. Não é, portanto, a mídia que ensina às pessoas o que elas devem achar bonito, como os panacas foulcaultianos pensam, na verdade são as pessoas que se atraem por esta ou aquela característica e determinam o que querem ver. As modelos plus size do começoplus size raiz? eram muito bonitas, em minha opinião. Mas esta aí que arrumou treta no avião… Sério, que gorda escrota. Tão grande quanto o Hurley, mas sem um pingo do carisma do personagem, barraqueira e intrometida. Retrato perfeito do politicamente correto e seus guerreiros.

Eu mesmo sou bem paranoico com questões de privacidade. Se uma figura dessas tira fotos das mensagens privadas que eu estou trocando durante um voo e depois vem tirar satisfação comigo, sou capaz de dar um soco na cara da infeliz justiceira social. Agora não só temos que respeitar os gordos, temos que nos refrear de achar obesidade algo ruim, feio ou insalubre, fazer de conta que está tudo bem em nome da autoestima. Se antes o padrão de beleza nas passarelas era doentio e irreal, o que os justiceiros sociais querem por no lugar é doentio e irreal também. E ai de quem discordar, mesmo que em privado!

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Certa feita, alguém mandou essa imagem pro grupo de WhatsApp da minha turma da faculdade, e os “lacradores de plantão” começaram a reclamar da gordofobia no grupo. E pior que eles eram magros.

Mas o Izzy é escroto pra caralho em uma parte de sua argumentação. Existem duas atitudes que um gordo pode tomar quanto à críticas e deboches à sua forma física:

  • “Você é preconceituso, gordofóbico preso à padrões de beleza do sistema capitalista! Não existe peso saudável, existe saúde para todos os pesos, saúde é relativa, beleza é relativa também, todo mundo tem sua beleza, e uma pessoa de 150 quilos também é linda…” queima pós-modernista de merda.
  • “Sou gordo mas isto é problema meu, não me enche o saco, é o meu corpo e não é você que paga minha comida, e nem estou pedindo pra você dar pra mim. E mais: Sou gordo mas posso emagrecer. E você, que é feio?” Perfeito, faça assim.

Claro que o Izzy tira a velha carta do “a sua obesidade influencia indiretamente nos custos da saúde pública” o que eu responderia com um curto e grosso foda-se. É com esta frase que se justifica cercear toda e qualquer liberdade. Tudo influencia indiretamente nos gastos públicos. O problema do estado babá não é só que ele toma dinheiro de todo mundo para pagar certos serviços, mas ele achar que por isso tem o direito a tutelar a vida privada de seus indivíduos, e os serviços oferecidos pelo mercado, para eles não serem onerosos ao sistema público, como foi em São Paulo com a grotesca lei que proíbe refil de refrigerante em lanchonete. Mas sempre têm as ovelhinhas bem comportadas que se põe a balir em favor das regulamentações “bééé, é para o bem de todos, béééé”, como aqueles que aceitaram de bom grado até a imposição do bizarro padrão de tomadas brasileiro em nome da segurança, e aceitam que o Estado diga o que é bom ou não para você e tutele a sua rotina.

E pior ainda: Acham que isso é motivo para importunar as pessoas. O cara no avião estava só falando privadamente com um amigo dele sobre a gorda do lado, ele não estava a humilhando ou ofendendo de maneira alguma, nem a obrigando a perder peso, e nem estava incomodado com o simples fato dela ser gorda, mas da banha dela estar invadindo o espaço da poltrona dele.  Mas há alguns que vão bem mais longe que o cara. Desconfie sempre desse tipo de gente, o valentão com boas intenções: Vou encher o saco do gordo pelo bem da saúde dele. Eu absolutamente não sou a favor de impedir estas pessoas de se expressarem e serem escrotas na vida digital e fora dela, isto é, de impor sanções legais à elas, deixe a lei fora dos debates, mas eu também sou livre para expressar quanto elas são desprezíveis.

As pessoas sempre trocam saúde por prazer, e tomam escolhas de vida pouco saudáveis em nome de outras coisas. Ninguém diz a um estudante que vara noites sem dormir estudando a matéria de seu curso que ele é um burro ou irresponsável por estar destruindo a sua saúde e bem-estar emocional desse jeito, podem até criticar o jeito que está levando a vida, mas sempre com muita gentileza e compreensão, ele é um exemplo, só exagera um pouquinho. Você pode detonar a sua saúde só se for produtivo, fazê-lo por prazer não pode, é imediatamente taxado de burro e execrado, como é com os fumantes, não basta que eles não possam fumar do seu lado e obrigá-lo a respirar a fumaça tóxica, é preciso também deixar claro que são a escória da humanidade. Até o tempo que os pais passam em companhia dos filhos, que não faz mal algum à saúde, precisou se “gourmetizado”, apelidado de “tempo de qualidade”, para as pessoas terem o direito de passar o tempo com os filhos, só pode se for de alguma forma produtivo.

E a escolha? O Izzy diz que todo mundo é livre para ser gordo ou não, que ninguém é coagido a comer demais ou a fazer exercício de menos. Bem, num sentido de liberdade, sim, você é livre, e é esta a liberdade que o Estado viola ao impor leis dizendo que a lanchonete não pode te deixar encher o copo gratuitamente. Isto basta, esta liberdade “virtual”, quando uma pessoa mentalmente sã faz algo sabendo o que está fazendo sem violar o direito de terceiros, e é capaz de entender as consequências. Mas poderia dizer que nenhum gordo é digno de alguma compaixão ou simpatia por sua forma física, ou mesmo digno de ser deixado em paz? Assim como os “zumbis” da cracolândia tem que ser deixados para morrer na sarjeta e ninguém precisa ter pena, porque escolheram aquilo, como muitos pensam? Ou que uma mulher que engravidou por não usar contraceptivos deve ser obrigada a levar a gravidez até o fim, e bem feito? Essa linha de pensamento é correta?

Eu não defendo essa babaquice. Por obséquio, pelo menos seja um babaca autêntico, não um babaca que diz “é para o seu próprio bem”. Falando apenas dos gordos, quantas coisas não interferem para alguém ser obeso? Não, eu não acredito neste absurdo de “livre-arbítrio”, liberdade derradeira e absoluta que independe das circunstâncias. Mesmo que a gordice não seja justificada por causas genéticas que alterem a função metabólica ou coisa que o valha, tem mais por trás… A pessoa nasceu sem receber educação sobre alimentação saudável, ou tem um autocontrole baixo, que não dá conta de frear os impulsos primitivos que clamam por mais gordura ou açúcar, ou detesta fazer atividades físicas,   ou a comida é uma ótima válvula de escape para certas frustrações… Ou ela simplesmente gosta!

Você pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quiser. A política do bullying público de gordos não me parece nada legal, vamos fazer você fazer um merda de indivíduofat shaming até você começar a fazer exercícios e comer menos. E se eu não quiser? Eu mesmo sou gordo. Não peço a ninguém que faça de conta que a minha condição física é saudável, muito menos que achem minha barriga bonita, e tão pouco peço para alguém se abster de fazer memes sobre o assunto. Piada é piada, gordos estão perdendo o senso de humor e isto é um problema. Mas eu não sou obrigado a perder um tempo do meu dia correndo numa esteira ou levantando ferro porque alguém acha que é meu dever, não amigo, minha consciência não vai pesar por isto. Ah, e se uma série de TV faz um personagem gordo simpático, mas sem apontar os problemas disso? Deixe. Arte com responsabilidade social é um saco.

Na verdade, não só as pessoas aporrinham os gordos que não se preocupam em emagrecer, mas aqueles que não querem emagrecer de uma maneira tradicional, difícil. Vá à seção de comentários de qualquer notícia falando de algum novo remédio para emagrecimento, como o Saxendaque eu uso e só não recomendo por infelizmente ser muito caro ou sobre lipoaspiração, que você verá o comentário dos magros rabugentos “humpf, e academia que é bom nada, né?”. Claro, senhor magro azedo, agora eu tenho que fazer tudo da maneira mais dura, espartana, porque você não se conforma que eu faça de uma maneira mais fácil mesmo pagando do meu bolso. As pessoas tem vidas chatas e corridas, mas sempre vem um rabugento dizendo que você é obrigado a deixá-la pior ainda: Ir segunda de manhã para o trabalho é uma merda, e você deveria também ir de bicicleta, para chegar cansado e suado à reunião. E também deveria trocar o elevador pela escada e o controle da garagem pelo controle manual em nome da balança, e não pode ter uma refeição deliciosa em nome da dieta. Vigilantes do peso, por gentileza, se conformem em vigiar o próprio peso.

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Ebooks e Kindle: Opinião e Dicas de Uso

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Adoro livros digitais! Sou verdadeiramente viciado neles, adoro ler de tudo em meu Kindle. Tive um Paperwhite por muitos anos, que só recentemente troquei pelo meu Voyage atual, que você vê na foto, o antigo dei para minha mãe.

O público leitor é provavelmente o mais tradicionalista, em questão de consumo de mídia. Os leitores são os que mais fazem questão da mídia física. Dentre as pessoas que gostam de música, só um pequeno nicho é fã de vinis e CDs, a maioria dos ouvintes sempre ouviu música sem fazer a menor ideia de quais tecnologias estavam por trás das ondas sonoras, ouviam no rádio sem se importar se no estúdio a música estava gravada em vinil ou cassete. Com a digitalização do cinema, as locadoras entraram em extinção, e o filme acabou anacrônico, uma vez que as salas de cinema estão usando projetores digitais com filmes gravados em um servidor na sala de projeção, e ninguém ligou pra isso. Mas os livros são outra coisa, o papel é muito estimado. Os leitores dão muito valor às características físicas físicas do objeto que guarda a obra. Todo mundo julga o livro pela capa quando anda entre as prateleiras da livraria. A capa, a textura do papel, a fonte usada para o texto… Os biblófilos torcem o nariz para os ebooks, acham que isto é coisa de leitores casuais que só leem trivialidades, não de quem quer ler coisa séria e entender o texto com profundidade.  Apesar deste preciosismo, os ebooks são populares.

Como é prático! Eu já fiz um post recentemente sobre o livro da minha vida, Os Bons Anjos de Nossa Natureza. E sério, teria sido uma merda ler um livro de mais de 800 páginas na cama com uma lanterna. E como eu compreendo perfeitamente bem o inglês, dou preferência a ler as coisas no original, sempre que posso. É extremamente caro e demorado importar livros de papel do exterior. Com o Kindle, no entanto, compro e o livro é baixado em segundos para o meu aparelho, e por um preço similar, ou até mais barato, do que eu compraria no Brasil. Mesmo que você só queira livros em português, é melhor que ir à livraria só pra comprar o livro, ou encomendar da internet. E também dá pra fazer anotações e grifos sem sujeira. Nunca gostei de fazer isso nos livros por causa da sujeita, mas no Kindle e outros leitores de ebooks, eles são simplesmente arquivos anexos, que ficam salvos na nuvem, e podem ser vistos em outros dispositivos sincronizados. Já escrevi muitos posts aqui abrindo e consultando o programa do Kindle no Windows, com as anotações que fiz no aparelho dedicado.

Outra vantagem é ler definições de palavras durante a leitura na tela do próprio aparelho, sem ter que parar para olhar no celular ou computador e se distrair. Além de consultar a Wikipédia, você pode usar um dicionário. A Amazon oferece dicionários gratuitos, de definições e traduções. O dicionário Priberian português-inglês eu achei bem fraquinho, investi no dicionário Porto, que é melhor. E sem falar de poder carregar toda a sua biblioteca em um aparelho levíssimo, e escolher qualquer um que quiser ler quando estiver fora de casa, o que der na telha.

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Qual a medida do verossímil?

Toda obra de ficção é uma espécie de truque de mágica. Tal como o ilusionismo de palco, ela suprime alguns elementos da realidade, mas tudo bem, contato que até o final do ato o espectador permaneça entretido. Ele desconsidera estas pequenas fugas e permite-se imergir naquele universo, na famosa suspensão voluntária de descrença. Pela licença artística, podemos perdoar alguns detalhes inverossímeis, podemos nem perceber, ou perceber e desconsiderar: Por que os romanos falam inglês? Como aquelas crianças dos filmes do Spielberg conseguem percorrer tão grandes distâncias de bicicleta? Por que os astronautas têm iluminação dentro do capacete? Como Nathan Drake consegue tomar tantos tiros durante o jogo Uncharted e não morrer? E como os personagens de Streets of Rage conseguem se recuperar de ferimentos, e não morrer de intoxicação alimentar, comendo sanduíches e maçãs do lixo? Por que Tony Montana não teve uma overdose no final de Scarface?

Ficção não é realidade, afinal, e certas convenções são necessárias para contar histórias em qualquer mídia. Algumas destas quebras da realidade só os chatos nerds percebem, mas outras saltam aos olhos de qualquer um. A qualidade geral da obra parece influenciar mais no que vamos perdoar. Quando o filme/game/livro é bom, só os nerds se dão ao trabalho de encontrar defeitos, ainda que seja para por defeito e mesmo assim continuar dando valor para a obra, ou mesmo pensar em teorias para justificar a falha. Podemos admitir e ignorar alguns elementos fantásticos, mas exigimos coerência interna: Ok, eu admito que no universo deste game, você pode ser salvo da morte por um item mágico. Mas então por que no Final Fantasy VII Aeris morre definitivamente no final do disco 1? Os outros não poderiam ter dado um phoenix down para ela?

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E peço desculpas pelo spoiler.

Mesmo em uma série tão “maluca” quanto Hora da Aventura, maluca em comparação com o nosso mundo, existe uma coerência interna muito grande, uma vez que se vai a fundo, você sabe que os personagens são capazes de fazer algumas coisas mas não outras. Em Gravity Falls, o sobrenatural funciona de uma forma tão precisa que é praticamente ciência.

Mesmo os apreciadores mais casuais não perdoam tudo em nome da liberdade artística, não senhor, suspensão voluntária de descrença é criteriosa, e certos absurdos fazem a obra parecer tosca. Aceitamos o irreal, mas não o inverossímil. Então, mesmo dentro de um universo fantasioso, existe algum critério que determina como o mundo deve funcionar, qual o lugar de cada coisa e como elas devem interagir. Nossa capacidade de distinguir o que vale e o que não vale, e no fundo é a mesma que usamos para interpretar e prever a nossa realidade. Às vezes a realidade pode até parecer irreal.

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